Moradores de Rio Verde se revoltaram nesta semana ao descobrirem que os corpos sepultados no cemitério municipal São Sebastião estão sendo retirados das sepulturas e colocados em sacos azuis e contêineres. Além disso, os jazigos estão voltando a ser utilizados e vendidos novamente para outras pessoas, sem aviso prévio às famílias. O escândalo veio à tona após uma denúncia do influencer de notícias da cidade, Weslley Suspencar, que logo depois de publicar um vídeo expondo a situação foi preso. A população, então, lotou as páginas oficiais da Prefeitura Municipal de Rio Verde exigindo um pronunciamento e questionando o motivo de seus entes queridos estarem sendo removidos sem autorização.

Diante disso, a Prefeitura de Rio Verde emitiu uma nota oficial por meio da Secretaria de Ação Urbana e Serviços Públicos. O documento esclarece que os procedimentos seguem a Lei Municipal nº 7.334, de 30 de março de 2023, que autoriza a criação do ossário municipal, um “lugar apropriado para o remanejamento de restos mortais provenientes de sepulturas abandonadas, não identificadas ou sem manutenção adequada há mais de cinco anos”.

A legislação determina ainda que o ossário possua identificação individual e registro físico ou eletrônico com todas as informações das realocações.

A prefeitura informa que publicou o Edital nº 001/2025, convocando responsáveis e familiares para atualização cadastral e regularização das sepulturas no prazo de 90 dias. Somente após o encerramento desse prazo, sem manifestação ou manutenção adequada, as sepulturas passaram a ser consideradas abandonadas, permitindo a remoção para o ossário municipal. 

A administração reforça que “todo o procedimento é realizado com respeito, dignidade e identificação adequada” e reafirma o compromisso com a transparência e o cumprimento da lei.

Entenda

No primeiro vídeo, gravado dentro do próprio cemitério, Weslley demonstra indignação e já antecipa um “escândalo” ainda maior. “Vocês sabem onde vocês enterraram seus entes queridos? Vocês têm certeza que permanecem no mesmo local que vocês colocaram?”. Em seguida, o influencer acrescenta que a situação envolve até mesmo um vereador que teria apresentado um projeto de lei, possivelmente “para manipular o sistema ou às vezes para tapar o sol com a peneira”. 

Veja o vídeo clicando aqui.

No dia seguinte, já sob forte comoção popular, Weslley retorna ao cemitério e mostra mais cenas. Ele destaca que a máquina utilizada nas remoções parou apenas depois de sua primeira denúncia.

Contudo, ele rebate: “Às vezes, tem pessoas que não têm condição financeira de fazer um jazigo bonito, uma coisa bonita. Aí, fica assim, ó. Mas é claro que aqui tem uma história”. Durante a live, ele exibe túmulos destruídos, roupas que ainda não se decompuseram e sacos azuis prontos para receber ossadas.

Enquanto isso, a população foi às redes sociais cobrar transparência. Nos comentários da página oficial da prefeitura no Instagram, leitores usaram termos como “máfia do cemitério” e exigiram respeito. Um dos desabafos diz: “Prefeitura, queremos esclarecimentos sobre a retirada de ossadas no cemitério sem aviso às famílias. Um assunto tão sério exige respeito, transparência e comunicação. Os familiares merecem ser informados antes de qualquer procedimento. Respeito aos mortos também é respeito aos vivos. A população merece respostas”. Outro internauta perguntou, simplesmente: “E o cemitério?”.

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