Mergulho de cabeça é um dos maiores riscos da temporada no Rio Araguaia, diz ortopedista
06 julho 2026 às 17h55

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Com a temporada de praias no Rio Araguaia em andamento, especialistas alertam para um dos acidentes mais graves registrados durante o período: o mergulho de cabeça em águas rasas. Embora seja uma prática comum entre turistas, o impacto contra o fundo do rio pode provocar lesões na coluna cervical, com risco de paralisia permanente e até de morte.
Segundo o ortopedista Murilo Daher, do Einstein em Goiânia, o principal perigo é o trauma raquimedular cervical. Nesse tipo de acidente, a força do impacto é transmitida para as vértebras do pescoço, podendo causar fraturas, luxações, lesões na medula espinhal e traumatismos cranianos.

“O grande problema é que muitas pessoas acreditam que, por ser um rio conhecido ou por parecer um local tranquilo, o mergulho é seguro. Mas a profundidade pode mudar, principalmente em rios como o Araguaia, onde os bancos de areia se movimentam e o fundo pode apresentar pedras, troncos ou desníveis que não são visíveis. Um impacto de pouca altura já pode gerar uma força suficiente para causar uma lesão grave na coluna”, explica.
De acordo com o especialista, as características naturais do Araguaia aumentam o risco. A água turva, a movimentação constante dos bancos de areia e a presença de obstáculos escondidos dificultam a identificação de locais seguros para mergulho. O consumo de bebidas alcoólicas também contribui para a ocorrência de acidentes ao reduzir os reflexos e a percepção de risco.
A orientação é evitar mergulhos de cabeça em qualquer local cuja profundidade não seja conhecida. O recomendado é entrar na água pelos pés, avaliando as condições do terreno, além de respeitar sinalizações e orientações de moradores, guias e equipes de segurança. Crianças e adolescentes também exigem atenção redobrada, por tenderem a subestimar os riscos.
Entre os sinais de alerta estão água escura ou turva, correnteza intensa, ausência de sinalização e relatos de acidentes anteriores. Nessas situações, a recomendação é não realizar mergulhos de cabeça.
Em caso de acidente, a vítima não deve ser movimentada. Segundo o ortopedista, qualquer deslocamento inadequado pode agravar uma possível lesão medular. O ideal é manter cabeça, pescoço e tronco alinhados e acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
Ainda segundo Murilo Daher, o atendimento rápido é determinante para aumentar as chances de recuperação. “Em lesões de coluna, o tempo entre o acidente e o atendimento adequado pode influenciar diretamente as chances de recuperação. Ter uma equipe preparada para diagnosticar rapidamente e iniciar o tratamento indicado é fundamental para preservar funções neurológicas e melhorar a qualidade de vida do paciente”, afirma.
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