A escritora goiana Simone Athayde conquistou o terceiro lugar no Prêmio Júlia Lopes de Almeida, promovido pela União Brasileira de Escritores – Seção Rio de Janeiro, com o romance O Chão Sobre as Águas. Ambientada no interior de Goiás e protagonizada por personagens de origem caipira, a obra recebeu reconhecimento em um dos principais centros culturais do país, consolidando a trajetória literária da autora.

Para Simone Athayde, a premiação representa o resultado de uma caminhada iniciada há quase duas décadas, marcada pelo aperfeiçoamento constante da escrita. “Representa o reconhecimento de um trabalho com a escrita que se iniciou em 2008, quando lancei meu primeiro livro, e que venho tentando sempre aperfeiçoar com estudo, leituras e cuidado na produção dos textos”, afirma em entrevista ao Jornal Opção.

A autora lembra que cada uma de suas obras percorre diferentes tempos e espaços. Antes de O Chão Sobre as Águas, publicou O Aprendiz de Tiradentes, romance ambientado no período da Inconfidência Mineira e que recebeu Menção Honrosa da Academia Goiana de Letras em 2014. No novo livro, porém, a escolha foi voltar o olhar para Goiás.

“Eu quis que a história se passasse aqui em Goiás, em um lugar meio fictício, meio real, e que os personagens tivessem essa origem caipira. Ver esse livro ser premiado no Rio de Janeiro me deixa bastante feliz, me mostra que estou no caminho certo e que soube desenvolver bem a história”, diz.

Homenagem às raízes goianas

Segundo a escritora, a ambientação no interior goiano nasceu de memórias pessoais e da influência da cultura rural ainda presente no Estado. Ela explica que a personagem “Vó” é uma homenagem tanto à própria avó quanto às mulheres que construíram suas vidas no campo.

“Goiás ainda tem uma forte influência rural. Quase todos nós temos algum parente ou ancestral que nasceu e viveu a vida inteira na roça”, observa.

As lembranças da infância, as visitas às fazendas da família, os causos, as festas tradicionais e o convívio com a avó materna serviram como matéria-prima para a construção da narrativa. Apesar da forte identidade regional, Simone destaca que buscou desenvolver conflitos capazes de dialogar com qualquer leitor.

“Embora o livro traga personagens caipiras e a história se passe no interior do Brasil, busquei fazer com que os temas e os conflitos dos personagens fossem universais.”

Trajetória até a premiação

Publicado em fevereiro de 2024, O Chão Sobre as Águas só chegou ao público após ser selecionado em um edital do Fundo Estadual de Cultura. Em seguida, as editoras Telucazu e Alcaçuz, de São Paulo, decidiram publicar a obra em coedição.

A autora atribui parte do sucesso ao acolhimento recebido pelos leitores goianos e aos clubes de leitura, que passaram a incluir o romance em seus cronogramas.

“O livro teve uma boa recepção entre os leitores. Grupos de leitura locais colocaram a obra em seus cronogramas e isso ajudou muito a impulsionar sua divulgação”, afirma.

Com o reconhecimento da UBE-RJ, Simone acredita que o romance poderá alcançar novos públicos fora de Goiás.

“Agora, com essa premiação no Rio de Janeiro, acredito que o livro ganhará espaços fora de Goiás.”

Literatura acima das fronteiras

Embora veja a conquista como positiva para a produção literária goiana, Simone Athayde pondera que o principal critério para uma obra ganhar reconhecimento deve ser sua qualidade.

“Mais importante que a história ser ambientada em determinada região é que ela seja boa literatura”, afirma.

Ela ressalta que Goiás possui escritores talentosos que ainda precisam conquistar maior espaço no cenário nacional, mas acredita que o compromisso com a escrita deve estar acima da busca por premiações.

“Existem muitos desafios para que esse reconhecimento aconteça, talvez nem venha, mas, para quem ama escrever, o propósito deve ser mais importante que o resultado”, conclui.

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