O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu seis pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em simulação de segundo turno da corrida presidencial de 2026, conforme revela a última pesquisa Quaest. De acordo com o levantamento, o petista aparece agora com 44% das intenções de voto, contra 38% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em maio, os dois adversários apareciam tecnicamente empatados: Lula somava 42%, enquanto Flávio registrava 41%, dentro da margem de erro. 

Esse é o primeiro estudo da consultoria desde a divulgação de áudios, mensagens e relações entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Lula lidera de forma isolada no primeiro turno e retoma a dianteira no segundo após o escândalo envolvendo pedidos de financiamento para o filme “Dark Horse”, uma autobiografia do pai do senador.

O levantamento aponta ainda que, entre os eleitores independentes, que representam cerca de um terço do eleitorado, o presidente pulou de 29% para 37%. No mesmo grupo, o senador do PL recuou de 31% para 24%. Outro dado mostra que o caso do Banco Master desgastou a imagem de Flávio: o áudio em que ele aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para o filme acelerou a queda. O banqueiro, inclusive, chegou a transferir R$ 61 milhões.

Além disso, muitas medidas econômicas do governo ajudaram na recuperação da aprovação de Lula. Em recortes específicos, o recuo de Flávio foi ainda maior: entre eleitores de 25 a 34 anos, ele caiu de 40% para 29%. Na região Sul, desabou de 48% para 35%. E, entre os eleitores inclinados ao bolsonarismo (degrau 2 de uma escala que vai de 1 a 5), o senador foi de 53% para 40%. 

O presidente Lula lidera entre mulheres (51% a 37%), no Nordeste (63% a 28%) e entre católicos (51% a 38%). Já o senador se sai melhor entre os mais ricos (61% a 35%), na região Sul (50% a 36%) e entre evangélicos (56% a 33%). Para 38% dos entrevistados, o governo Lula é ruim ou péssimo; 34% avaliam como bom ou ótimo. Índices estáveis em relação a maio. Entre os que avaliam o governo como regular, 51% votariam no petista contra Flávio. Já na parcela não alinhada nem ao bolsonarismo nem ao petismo, há empate técnico: Lula tem 34%, e Flávio, 38%.

Análise

Os números mais recentes da Quaest oferecem um retrato relevante da disputa presidencial de 2026, mas o dado mais importante talvez não seja a vantagem de seis pontos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O que chama atenção é o movimento do eleitorado que ocorreu entre maio e junho.

A pesquisa sugere que a disputa continua fortemente polarizada entre lulismo e bolsonarismo, mas revela uma mudança significativa entre os eleitores independentes — justamente o segmento que costuma decidir eleições nacionais. Lula avançou oito pontos nesse grupo, enquanto Flávio Bolsonaro perdeu sete. Em uma eleição marcada pela rejeição mútua entre os dois campos políticos, conquistar o eleitor que não se identifica nem com o PT nem com o bolsonarismo é um dos principais desafios estratégicos.

O levantamento também indica que escândalos continuam produzindo efeitos eleitorais concretos. A queda de Flávio Bolsonaro ocorre após a repercussão das revelações envolvendo sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Ainda que seja cedo para medir o impacto de longo prazo do episódio, a pesquisa aponta que a associação do senador ao caso pode ter afetado sua imagem em segmentos importantes do eleitorado.

Outro fator relevante é que Lula parece estar colhendo parte dos efeitos políticos de medidas econômicas anunciadas pelo governo nos últimos meses. Embora a avaliação geral da administração permaneça relativamente estável, o presidente recuperou terreno justamente entre eleitores que classificam o governo como regular — um grupo historicamente decisivo porque tende a votar de forma mais pragmática do que ideológica.

Os dados regionais e demográficos reforçam tendências conhecidas da política brasileira. Lula mantém ampla vantagem entre mulheres, nordestinos e católicos, enquanto Flávio Bolsonaro concentra força entre evangélicos, eleitores de renda mais alta e moradores da região Sul. O que mudou foi a intensidade desse apoio em alguns nichos tradicionalmente favoráveis ao bolsonarismo, especialmente entre jovens adultos e eleitores de perfil conservador moderado.

Apesar da recuperação petista, o cenário está longe de estar definido. A avaliação negativa do governo ainda supera a positiva, e a pesquisa mostra que existe um contingente expressivo de eleitores sem alinhamento firme a nenhum dos dois polos. Além disso, a eleição está distante e sujeita a fatores econômicos, políticos e judiciais capazes de alterar significativamente o quadro atual.

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