O Instituto Veritá, responsável pelo maior volume de pesquisas eleitorais registradas em 2022, acumula neste ano proibições de divulgação em 13 estados e no Distrito Federal por irregularidades técnicas e indícios de fraude. Somente na última quarta-feira, 12, os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE) do Rio Grande do Norte e de Sergipe suspenderam a publicação de sondagens para os cargos de governo e Senado, sob o argumento de que a amostra coletada pelo instituto não refletia a realidade do eleitorado daqueles estados. 

Em Sergipe, por exemplo, o Veritá elevou artificialmente a proporção de eleitores com ensino superior para 31,1% de sua amostra, enquanto a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2025 indica que apenas 19,2% da população possui esse grau de instrução, e o cadastro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta um percentual ainda menor, de 12,82%.

No Rio Grande do Norte, a distorção incluiu 34% de eleitores com ensino superior, contra uma média real de 13,73% no cadastro do TSE. Além disso, a pesquisa indicou 25% de eleitores na faixa de maior renda, o dobro do apurado por outros institutos. Por essas razões, a Justiça Eleitoral potiguar impôs ao Veritá uma multa superior a R$ 58 mil por reincidência, uma vez que o instituto já havia sido penalizado anteriormente no estado pelas mesmas falhas metodológicas.

Além das distorções socioeconômicas, decisões judiciais no Piauí, Amazonas e Pernambuco apontam que o instituto não oferece transparência suficiente sobre como gera, seleciona e aborda os contatos telefônicos para a realização de suas sondagens. No Tocantins, o TRE considerou a falta de clareza na indicação da fonte pública de dados como um “vício substancial, porque obstaculiza a fiscalização externa (controle social) e ofende o dever de transparência”, em um caso específico, a coleta de dados ocorreu entre 29 de março e 4 de abril, mas a data prevista para divulgação havia sido fixada para 3 de abril, antes mesmo do término das entrevistas.

Ao Metrópoles, o Veritá defendeu sua atuação por meio de nota. “Se quiser contar que das mais de 200 registros teve mais de 50 impugnações e dessas mais de 70% revertidas. Cada juiz e cada tribunal está tendo um entendimento. Tem TREs legislando inclusive sobre pesquisa de presidente que não é competência deles. Da nossa parte, agente não espera muito menos que isso, o instituto é independente e o que mais faz pesquisas por iniciativa própria, muitas UFs agente tem pedidos de impugnação de todos os candidatos. No final agente mostra e acerta”, afirmou Adriano Silvoni, proprietário do instituto. 

O Jornal Opção também entrou em contato com o Instituto e aguarda retorno.

Ele ainda destacou o histórico de acertos do Veritá em pleitos anteriores. “Como 2018 só nos acertamos, primeiro turno de 2022 mesma coisa. Segundo turno melhor eu não te contar o que vi. Sobre 2024, fomos o primeiro a mostrar que Pablo estava na briga, ele só ficou fora por conta de um laudo. Segundo turno de 2024 fomos o único a fazer as 51 cidades que teve segundo turno. E acertamos 49 de 51. Sem contar 2010/2014/2016. Estamos tranquilos porque temos metodologia sólida, testada e previsões precisas. ‘Temos história’.”

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