A Prefeitura de Goiânia não planeja mais demolir o prédio que abrigava a sede do jornal Diário da Manhã, no setor Leste Universitário. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Eficiência, Fernando Peternella, que afirmou ter sido firmado um acordo com o Legislativo, na pessoa do vereador Anselmo Pereira, para avaliar a possibilidade de verticalização da região. “Se for demolir, será pela empresa que comprar ali”, adiantou o secretário.

Abandonado há anos, o prédio localizado na Rua 236 tornou-se abrigo de usuários de drogas e pessoas em situação de rua e acabou entrando na mira da gestão municipal. Conforme noticiado com exclusividade pelo Jornal Opção em julho deste ano, a Prefeitura confirmou que havia notificado os proprietários do edifício “em diversas ocasiões para dar uma destinação adequada ao imóvel”, e devido à inércia, iniciou os trâmites para a demolição.

“Diante da ausência de providências, do estado de deterioração da estrutura e da utilização irregular do local, o Município está adotando as medidas legais cabíveis para viabilizar a demolição da edificação”, declarou a Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) na época.

Contudo, os planos mudaram após uma reunião entre Peternella, da Sefic, e o vereador Anselmo. De acordo com o secretário, o parlamentar pediu a suspensão da demolição da antiga sede do jornal e se comprometeu a apresentar na Câmara Municipal uma proposta para verticalizar a região, o que permitiria a construção de grandes edifícios.

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“Foi criada uma mancha no Plano Diretor estabelecendo que aquela região não pode ser verticalizada. Então, o vereador Anselmo está promovendo uma ação legislativa para alterar essa previsão. Aí será possível construir o prédio, e as construtoras têm interesse. Com isso, eles podem estabelecer uma parceria com os ex-funcionários do jornal”, disse.

Peternella destacou que, mesmo se o prédio for demolido agora, uma vez que a área ainda não tem destinação ou comprador, o local voltaria a ser abrigo de pessoas em situação de rua. “A própria construtora fará a demolição. E até que os projetos sejam aprovados e a construção seja efetivamente iniciada, será feita uma praça no local”, concluiu.

Vereador Anselmo Pereira : Foto: Divulgação Câmara Municipal

Vale destacar que os proprietários do Diário da Manhã transferiram o prédio em questão para uma associação de credores como forma de abatimento de dívida. Os ex-funcionários do veículo cobram há anos na Justiça o pagamento de valores trabalhistas.

Ao Jornal Opção, Anselmo Pereira confirmou ter encomendado um estudo à Procuradoria da Câmara para retomar o entendimento, dentro do Plano Diretor, que permite a verticalização da região do Leste Universitário que abarca a Avenida Anhanguera e a Rua 236. Segundo ele, por se tratar de uma área lindeira, ou seja, terreno ou imóvel situado ao longo de uma via pública e que faz divisa direta com ela, a verticalização valorizaria o local no mercado.

“Estamos aguardando o estudo de uso e ocupação do local. Como ele é lindeiro a uma via coletora, tem direito, grosso modo, ao que chamamos de gabarito, ou seja, a um maior aproveitamento do potencial construtivo. Caso contrário, o imóvel perde valor. Já realizei duas audiências públicas e farei mais uma. A Procuradoria vai convalidar uma previsão do Plano Diretor segundo a qual áreas lindeiras a vias coletoras são passíveis de maior aproveitamento construtivo. E esse imóvel é justamente lindeiro à Avenida Anhanguera”, disse.

De acordo com o vereador, dentro de 15 dias já é possível que haja uma decisão sobre a questão. “Com isso, quem for comprar vai comprar para um aproveitamento melhor. E o valor vai ficar maior”, arrematou.