1 em cada 4 adultos pode nunca se casar, aponta estudo sobre novos relacionamentos
13 agosto 2026 às 18h04

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Um em cada quatro adultos pode chegar ao longo da vida sem nunca se casar, segundo levantamento do Pew Research Center. O dado acompanha uma transformação na maneira como as novas gerações encaram relacionamentos, casamento e planos para o futuro. O que durante décadas foi tratado como uma etapa quase obrigatória da vida adulta passou a ocupar um lugar diferente nas prioridades de parte da população.
A mudança não significa necessariamente rejeição aos relacionamentos ou aumento da solidão. Por trás da tendência estão fatores que passam pela busca por independência, dedicação à carreira, prolongamento dos estudos, dificuldades financeiras e uma maior liberdade para escolher diferentes formas de organizar a vida.
Entre as gerações mais jovens, casar deixou de ser uma obrigação social para se tornar uma possibilidade entre diferentes projetos pessoais. Com isso, permanecer solteiro por mais tempo, ou mesmo durante toda a vida, tem se tornado uma realidade mais comum e socialmente aceita.
Carreira e independência ganham espaço
Um dos fatores que ajudam a explicar o fenômeno está na mudança das prioridades durante o início da vida adulta. O investimento na formação acadêmica, a construção da carreira e a busca pela estabilidade financeira podem fazer com que casamento e relacionamentos duradouros sejam adiados.
A procura por autonomia também influencia esse cenário. Para algumas pessoas, permanecer solteiro significa ter maior liberdade para decidir onde morar, como administrar o próprio dinheiro, organizar a rotina e estabelecer planos profissionais ou pessoais sem precisar conciliá-los permanentemente com os projetos de um parceiro.
Isso não significa que relacionamentos afetivos deixaram de ter importância. A diferença está no peso atribuído ao casamento dentro da construção de uma vida considerada satisfatória.
Dinheiro também pesa na decisão
As transformações econômicas ajudam a explicar por que parte da população posterga o casamento. O aumento do custo de vida, as dificuldades para conquistar estabilidade profissional e financeira e o acesso mais difícil à casa própria podem interferir diretamente nos planos de constituir uma família.
Para gerações anteriores, determinados marcos da vida adulta, como conseguir emprego, comprar um imóvel, casar e ter filhos, costumavam ocorrer em uma sequência relativamente previsível. Esse caminho se tornou menos linear.
Com períodos maiores de formação profissional e diferentes condições econômicas, decisões relacionadas à vida afetiva passaram a acontecer mais tarde ou, em alguns casos, deixaram de fazer parte dos planos.
Estar solteiro não significa estar sozinho
A diferença entre solteirice e solidão é outro ponto importante para compreender essa mudança. Não estar em um relacionamento amoroso não significa necessariamente viver de maneira isolada.
Amizades, vínculos familiares, relações profissionais e outras formas de convivência podem formar redes de apoio e proporcionar conexão social independentemente da existência de um casamento.
Ao mesmo tempo, a ideia de que uma vida bem-sucedida ou feliz depende obrigatoriamente da formação de um casal perdeu força. Para parte da população, morar sozinho, viajar, desenvolver projetos pessoais, investir na profissão ou dedicar mais tempo aos próprios interesses também são elementos associados à realização pessoal.
Pressão para casar perde força
A transformação também passa pela mudança dos padrões sociais. Durante décadas, casamento e constituição de uma família foram apresentados como etapas esperadas da vida adulta. Quem permanecia solteiro por muito tempo frequentemente enfrentava cobranças familiares e julgamentos sociais.
Esse comportamento vem perdendo espaço à medida que diferentes modelos de relacionamento e de organização familiar se tornam mais comuns.
A solteirice por escolha também passou a ser encarada com maior naturalidade. Dessa forma, a decisão sobre casar ou não tende a depender cada vez mais das expectativas individuais e menos de uma obrigação imposta pelo ambiente social.
Casamento passa de obrigação a escolha
Os dados não indicam que permanecer solteiro seja melhor ou pior do que se casar. O que revelam é uma ampliação das possibilidades disponíveis para construir a vida adulta.
O crescimento da parcela de pessoas que pode nunca chegar ao casamento também não representa necessariamente uma rejeição ao amor. Alguém pode manter relacionamentos afetivos duradouros sem formalizar uma união ou simplesmente decidir que viver sem um parceiro fixo corresponde melhor às próprias expectativas.
Para algumas pessoas, a prioridade estará na carreira. Para outras, na independência, na estabilidade financeira ou na construção de relações que não necessariamente terminem em casamento.
Nesse cenário, a principal mudança está menos no desaparecimento dos relacionamentos e mais na perda do casamento como destino considerado obrigatório. À medida que decisões sobre a vida afetiva se tornam mais individuais, permanecer solteiro durante toda a vida tende a deixar de ser encarado como exceção e passa a integrar, cada vez mais, as diferentes possibilidades de escolha na vida adulta.
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