“Havia uma movimentação de pacientes saindo de Goiás; era importante ter uma casa aqui”, diz gerente da Casa Ronald McDonald
09 julho 2026 às 15h10

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A instalação da primeira Casa Ronald McDonald do Centro-Oeste em Goiânia foi resultado de um estudo nacional sobre o deslocamento de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Antes mesmo do início das obras do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora), a instituição identificou que dezenas de famílias deixavam Goiás em busca de atendimento especializado, principalmente no Hospital de Amor, em Barretos (SP). O cenário colocou o Estado no mapa da expansão da organização, que agora constrói uma unidade de apoio ao lado do hospital estadual.
Em entrevista ao Jornal Opção, a gerente da Casa Ronald McDonald Brasil, Mariana Gomes, explicou que a decisão levou em consideração tanto a demanda reprimida por atendimento quanto a criação do Cora.
“A gente tem todo um estudo junto com a nossa comissão médica, vendo justamente essa movimentação dos pacientes saindo do Estado e indo para outras cidades, principalmente para Barretos. Com a disponibilização do governo do Estado em construir esse centro oncológico, a gente identificou que era importante ter uma casa aqui para hospedar as famílias”, afirmou.
Segundo ela, Goiás já era reconhecido como um polo de atendimento oncológico, mas ainda faltava uma estrutura capaz de acolher famílias durante meses de tratamento.
Tratamento depende também de acolhimento
Para Mariana, um hospital de alta complexidade não consegue, sozinho, garantir que uma criança permaneça em tratamento. A distância entre o município de origem e a capital acaba sendo um dos principais fatores de abandono terapêutico.
“O hospital pode fazer o melhor trabalho possível em relação ao tratamento, mas sem a casa de apoio fica muito difícil a família aderir ao tratamento. Se ela mora quilômetros de distância, como essa mãe faz com esse filho?”, questionou.

Ela explica que o impacto do diagnóstico vai muito além da doença. Em muitos casos, a mãe deixa a cidade natal com a criança, abandona o emprego, afasta-se dos demais filhos e enfrenta dificuldades financeiras durante todo o período do tratamento.
“Normalmente é uma mãe que sai da cidade de origem dela com a criança doente. Ela deixa para trás os outros filhos, perde o emprego e, muitas vezes, o marido abandona a família nesse processo. São muitos problemas que acontecem”, disse.
Por isso, segundo Mariana, a Casa Ronald McDonald oferece muito mais do que hospedagem.
“A casa oferece hospedagem, alimentação, transporte e todo o acolhimento psicossocial e emocional dessa família durante esse período. Muitas dessas crianças não precisam ficar internadas, mas precisam permanecer próximas ao hospital para retornar várias vezes durante a semana”, afirmou.
Primeira unidade do Centro-Oeste
A unidade goiana está sendo construída em um terreno cedido pelo Governo de Goiás, ao lado do Cora. O investimento é de aproximadamente R$ 24 milhões e a previsão é de inauguração até o fim deste ano.
A estrutura contará com 22 suítes, capacidade para receber 88 hóspedes simultaneamente e um Espaço da Família, voltado às pessoas que passam o dia no hospital e precisam de apoio, sem necessariamente permanecer hospedadas.
“Essa vai ser a primeira parte inaugurada e, até o final do ano, a gente inaugura o restante da casa, que vai ter 22 suítes e vai conseguir receber 88 hóspedes simultaneamente. No Espaço da Família, a gente vai fazer até mil atendimentos por dia”, explicou.
Demanda deve ser alta desde a abertura
Embora a unidade seja voltada inicialmente aos pacientes do Cora, a expectativa é de ocupação praticamente imediata.
“Pelo que a gente está acompanhando com o hospital, parece que sim. Assim que a gente inaugurar, já teremos uma ocupação alta. A princípio vamos atender exclusivamente o Cora, porque entendemos que ele já deve demandar praticamente toda a nossa capacidade”, afirmou.
Segundo Mariana, a expansão para outros hospitais poderá ser discutida futuramente, caso haja disponibilidade de vagas e recursos para ampliação da estrutura.
Casa será a primeira “verde” da América Latina
Outro diferencial da unidade goiana será o conceito sustentável. A construção utilizará painéis solares, reaproveitamento de água, telhado verde e soluções arquitetônicas voltadas ao conforto térmico.
“Vai ser a primeira casa verde da América Latina. Como estamos construindo do zero, usamos materiais sustentáveis, reaproveitamento de água, energia solar e uma arquitetura que reduz a necessidade de refrigeração. Também teremos áreas verdes e espaços pensados para o bem-estar e a saúde mental das famílias”, destacou.
Campanha ajudará a manter a unidade
Depois de inaugurada, a Casa Ronald McDonald dependerá de doações para custear a operação, estimada entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por ano. Um dos principais instrumentos de arrecadação será o McDia Feliz, marcado para 22 de agosto.
“Não é sobre o sanduíche. É sobre uma causa. Cada Big Mac conta, cada Big Mac faz a diferença. A gente quer muito que a sociedade de Goiás participe, porque cada sanduíche vai virar tijolo e também apoio para essas famílias”, concluiu Mariana.



