Guto Miguel conquista Roland Garros, assume o topo do ranking mundial e faz história para o tênis brasileiro; conheça sua trajetória
06 junho 2026 às 12h17

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O tênis brasileiro ganhou neste sábado, 6, um novo capítulo para sua história. Aos 17 anos, o goiano Luís Augusto Queiroz Miguel, conhecido como Guto Miguel, conquistou o título juvenil de Roland Garros ao derrotar o norte-americano Michael Antonius por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/4, na quadra Simonne-Mathieu, em Paris.

A vitória colocou o nome do jovem entre os maiores talentos já revelados pelo esporte nacional. Mais do que um título de Grand Slam, a conquista representa um feito inédito: Guto tornou-se o primeiro brasileiro a vencer a chave masculina de simples juvenil do torneio francês.

O resultado encerra uma espera de quase seis décadas. Desde a criação da competição juvenil, outros brasileiros chegaram à final em Paris, mas nenhum havia conseguido levantar o troféu. Foram eles Edison Mandarino, em 1959, Thomaz Koch, em 1962 e 1963, e Luís Felipe Tavares, em 1967.
Agora, pela primeira vez, um brasileiro retorna da capital francesa como campeão.
Superioridade do início ao fim
A decisão mostrou um atleta muito além da idade que possui.
Desde os primeiros pontos, Guto controlou as ações da partida. Utilizando o forehand como principal arma ofensiva, combinando potência, profundidade e variações táticas, o brasileiro encontrou formas de desmontar o jogo do adversário.
As bolas curtas também foram decisivas. Em diversos momentos, os dropshots obrigaram Antonius a sair da zona de conforto e alteraram completamente o ritmo dos pontos.
No primeiro set, o goiano conseguiu duas quebras de serviço e construiu uma vantagem confortável. O norte-americano ainda salvou quatro set points, mas não conseguiu impedir o fechamento da parcial em 6/3.
Enquanto a partida avançava, o público aumentava nas arquibancadas da Simonne-Mathieu. A presença brasileira passou a dominar o ambiente e transformou a quadra em uma extensão da torcida nacional.
No segundo set, o roteiro foi semelhante. Guto voltou agressivo, conquistou nova quebra e abriu vantagem até alcançar 5 a 2. Antonius esboçou reação e reduziu para 5 a 4, mas o brasileiro manteve a tranquilidade. Após desperdiçar um primeiro match point, confirmou a vitória no ponto seguinte e iniciou a comemoração do maior título de sua carreira.
A atuação chamou atenção pela maturidade, pela capacidade física e pela variedade de golpes. Em diversos momentos, o estilo de jogo lembrou o do espanhol Carlos Alcaraz, caracterizado pela intensidade constante, criatividade durante os pontos e capacidade de adaptação às diferentes situações da partida.
Liderança mundial confirmada
O título em Roland Garros também consolida uma mudança importante na carreira do goiano.
Com a campanha em Paris, Guto assumirá oficialmente a liderança do ranking mundial juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF), tornando-se o número 1 do mundo da categoria.
A ascensão é resultado de uma sequência consistente de resultados construída ao longo dos últimos dois anos.
Em 2025, ele alcançou a semifinal do US Open juvenil e conquistou títulos importantes nos torneios J500 de Mérida, no México, J300 de Repentigny, no Canadá, e J300 de Charleroi-Marcinelle, na Bélgica.

Já em 2026, venceu o tradicional torneio de Traralgon, na Austrália, chegou às quartas de final do Australian Open e desembarcou em Paris como um dos principais favoritos ao título.
Roland Garros era o grande objetivo da temporada. Na semifinal, após derrotar o brasileiro Leonardo Storck, Guto revelou que o torneio ocupava um lugar especial em seus planos para o ano.
“Desde o começo do ano, Roland Garros era um objetivo e um sonho”, afirmou após garantir vaga na decisão.
Menos de 24 horas depois, transformou o sonho em realidade.
De Goianésia para o topo do mundo
A história de Guto Miguel com o tênis começou muito antes das quadras de Roland Garros. Nascido em Goianésia, em fevereiro de 2009, Luís Augusto Queiroz Miguel cresceu acompanhando a rotina esportiva do irmão mais velho, Luis Felipe Miguel, cinco anos mais velho e também tenista. Foi observando os treinos e as competições do irmão que surgiu a vontade de seguir o mesmo caminho.

Ainda criança, demonstrava uma combinação rara de coordenação, disciplina e competitividade. O talento rapidamente chamou a atenção de treinadores e dirigentes da modalidade, que passaram a enxergar no goiano um potencial acima da média para a idade.

Para acelerar o desenvolvimento, a família apostou em uma estrutura mais robusta de treinamento. Guto passou a treinar em Brasília, um dos principais centros de formação do tênis nacional, sob orientação dos técnicos Santos Dumont Guimarães Júnior e Pedro de Paula. A mudança exigiu dedicação intensa, longas viagens e uma rotina dividida entre estudos, preparação física e competições.

Os primeiros resultados internacionais vieram cedo. Em 2023, participou de torneios de destaque da categoria sub-14 e começou a ganhar experiência em eventos ligados ao circuito de Grand Slam. No ano seguinte, deu um passo importante ao vencer o Roland Garros Junior Series, competição que reúne os principais talentos da América do Sul e garante ao campeão uma vaga na chave juvenil do Grand Slam francês.
A conquista foi vista como um marco na carreira do jovem goiano. Mais do que o título, ela permitiu que Guto conhecesse de perto o ambiente de Roland Garros e experimentasse, ainda adolescente, a atmosfera de um dos torneios mais tradicionais do mundo.

O crescimento continuou em ritmo acelerado. Em 2025, o brasileiro passou a figurar entre os melhores juvenis do planeta. Chegou à semifinal do US Open, conquistou os títulos do J500 de Mérida, no México, do J300 de Repentigny, no Canadá, e do J300 de Charleroi-Marcinelle, na Bélgica. Os resultados o colocaram definitivamente entre os principais nomes da nova geração do tênis internacional.
Em 2026, a evolução se consolidou. Guto venceu o tradicional torneio de Traralgon, na Austrália, alcançou as quartas de final do Australian Open juvenil e chegou a Roland Garros ocupando a terceira posição do ranking mundial da categoria. Em Paris, confirmou as expectativas, conquistou o título e garantiu também a liderança do ranking juvenil da Federação Internacional de Tênis (ITF).

Paralelamente à trajetória entre os juvenis, o goiano começou a dar os primeiros passos no circuito profissional. Ao lado do irmão, conquistou títulos da Federação Internacional de Tênis (ITF) e venceu o Challenger da Costa do Sauípe nas duplas. Em 2026, recebeu ainda um convite para disputar a chave principal do Rio Open, principal torneio da América do Sul, experiência que o colocou frente a frente com atletas já consolidados no cenário profissional.
A conquista de Roland Garros, portanto, não representa um ponto fora da curva, mas a consequência de uma trajetória construída ao longo de anos de preparação, resultados internacionais e amadurecimento técnico. Aos 17 anos, Guto já não é apenas uma promessa do tênis brasileiro. Passa a ser uma das principais apostas do país para o futuro da modalidade.
Um seleto grupo de campeões brasileiros
A conquista em Paris coloca Guto em um grupo extremamente restrito do tênis nacional.
Ele se tornou apenas o quarto brasileiro a conquistar um título juvenil de simples em torneios do Grand Slam.
Antes dele, apenas Tiago Fernandes, campeão do Australian Open em 2010, Thiago Wild, vencedor do US Open em 2018, e João Fonseca, campeão do US Open em 2023, haviam alcançado esse feito.

Roland Garros também possui uma relação histórica com o Brasil nas duplas juvenis. Gustavo Kuerten conquistou o título em 1994 e Matheus Pucinelli repetiu a façanha em 2019.
Nenhum brasileiro, entretanto, havia conseguido vencer a chave masculina de simples até este sábado.
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