O Governo de Goiás assinou, nesta quarta-feira, 8, o protocolo de intenções para a aquisição de um imóvel de 53.147 m² avaliado em R$ 500 milhões que vai abrigar o novo Hospital Estadual de Urgências de Goiânia – Dr. Valdemiro Cruz (Hugo). Localizado no Conjunto Fabiana, a cerca de seis quilômetros do prédio atual, a estrutura em fase final de construção vai ampliar os atuais 342 leitos para mais de 500 e elevar o centro cirúrgico de 10 para 20 salas de operação.

A transação, que ainda depende de negociações finais com o grupo investidor proprietário do empreendimento, será realizada por meio de contratação direta com inexigibilidade de licitação, conforme prevê o artigo 74 da Lei Federal nº 14.133/2021. A modalidade foi justificada pela singularidade do imóvel, projetado especificamente para funcionar como hospital, e pela inviabilidade prática de se encontrar outra estrutura com características semelhantes para atender ao interesse público.

Em coletiva de imprensa realizada após a assinatura do documento, o governador Daniel Vilela destacou a importância da mudança e explicou os motivos que levaram o Estado a optar pela aquisição. “O principal é exatamente a possibilidade de a gente estar indo para um novo prédio, com instalações modernas, com o equipamento que foi construído para ser um hospital de referência, com tudo que há de mais inteligente também do ponto de vista da construção”, afirmou.

“As condições estruturais do Hugo nos impedem um avanço mais significativo nesse aspecto. Nós estamos aí num desafio muito grande ao longo desses últimos anos, tentando reformar o Hugo e, ao mesmo tempo, permanecer com o atendimento, e isso é um grande desafio.”

O chefe do Executivo estadual revelou que a oportunidade de negócio surgiu após o grupo responsável pelo empreendimento desistir de implantar um hospital oncológico no local. “Não é que esse prédio aqui era uma iniciativa privada, um prédio que foi construído para ser uma referência de oncologia hospitalar, mas infelizmente por várias razões a empresa hoje já abriu mão e já comunicou que não iria ocupar esse prédio”, explicou Vilela, acrescentando que a decisão também observa o princípio da economicidade diante do tempo e custo que seriam necessários para construir uma nova unidade do zero.

Financiamento e equipamentos ainda serão definidos

Sobre os valores envolvidos, o governador esclareceu que os R$ 500 milhões destinam-se exclusivamente à aquisição do imóvel, não incluindo equipamentos. “Nós temos equipamentos lá no Hugo que naturalmente podem ser utilizados aqui, mas a gente precisa e vai também trabalhar para ampliar e oferecer aqui também toda a parte de equipamentos de excelente qualidade”, garantiu. Ele acrescentou que o Estado busca viabilizar financiamento para a operação, mas não descarta o uso de recursos do Tesouro Estadual, se necessário.

“A saúde e o orçamento da saúde são sempre desafiantes, mas a gente acredita que podemos otimizar o nosso orçamento, podemos reduzir despesas e viabilizar a aquisição.”

Com a meta declarada de transformar o novo Hugo no “melhor hospital público do Brasil”, Vilela estimou que a transferência definitiva possa ocorrer no início de 2027, embora tenha ressaltado que esse cronograma depende da conclusão das adequações necessárias no imóvel. “Existe um cronograma que começou a ser pensado para que a gente possa ter uma transferência definitiva no início de 2027, mas isso é um desafio que precisa iniciar para a gente entender essa dinâmica e poder fazer essa migração definitiva.”

Gestão do Albert Einstein continua e vigilância sanitária já está mobilizada

Durante a coletiva, o governador confirmou que a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, que atualmente gerencia o Hugo por meio de contrato de gestão, continuará à frente da nova unidade. “É fundamental que eles também estejam integrados e sejam líderes desse processo de migração do prédio antigo para esse prédio novo”, enfatizou.

Em coletiva de imprensa, o secretário de Estado da Saúde de Goiás, Rasível Santos, reforçou a importância dessa parceria e detalhou os próximos passos. “Realmente é um anúncio histórico para a saúde do estado de Goiás como um todo. A gente tem ali no Hugo uma parceria fantástica com Albert Einstein. A gente demanda bastante atendimentos naquele local de alta complexidade e nos faltava uma estrutura adequada. Sem uma boa estrutura, não é possível a gente ter bons processos, ter bons fluxos, e dessa forma a gente ter os melhores resultados”, afirmou.

Rasível explicou que uma equipe técnica já está trabalhando para avaliar as adaptações necessárias no novo espaço. “A gente está fazendo essa análise agora. Vamos fazer isso andar por andar, área por área para que a gente possa verificar as intervenções que precisam ser feitas e as adequações. Eu já de antemão digo que não são muitas intervenções, porque já foi um hospital que foi construído para ser um hospital de alta complexidade.”

O secretário revelou que a ideia é otimizar ao máximo os espaços, incluindo a possibilidade de ampliar ainda mais a capacidade além dos 407 leitos previstos no projeto original. “Todos os quartos são apartamentos. A gente vai verificar ali se é possível a gente ter uma ampliação do número de leitos ofertados, se vamos ter dois ou três pacientes por quarto para a gente otimizar essa questão e chegar em uma estrutura acima de 500 leitos no total.”

Sobre a agilidade do processo, Rasível destacou que a transição deve começar assim que a obra for concluída e as adequações forem realizadas. “A gente já está com a vigilância ativada. Também o prefeito Mabel está aqui para a gente estar atuando com a vigilância do município para que tudo seja feito o mais ágil possível e a gente possa ter essa estrutura em funcionamento como o governador determinou no início de 2027.”

Prefeitura de Goiânia acelera licenciamentos

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, que esteve presente na assinatura do protocolo, garantiu que a prefeitura fará sua parte para não atrasar o processo. “Quando o governador me disse, há dois, três dias atrás, sobre a questão da compra desse hospital e queria depender da vigilância sanitária, eu já determinei que destacasse um técnico só para cuidar do hospital, o mais rápido possível, para que nós possamos não atrasar nem um minuto disso aqui”, assegurou.

Mabel elogiou a decisão do governador e destacou os benefícios para a região metropolitana. “Essa é uma decisão corajosa que o governador toma, mostra a capacidade e a rapidez com que ele decide. Isso é muito bom e mostra a experiência que ele adquiriu ao longo do tempo. Goiânia fica muito feliz e mais preparada para receber e cuidar dos nossos doentes, e também o interior, o estado de Goiás que ganha um hospital desse, com um atendimento para todo o estado.”

Estrutura ampla e moderna para atender demanda crescente

Fundado em 1991, o Hugo consolidou-se ao longo de três décadas como a principal referência estadual em atendimentos de urgência, emergência e alta complexidade. No entanto, o crescimento contínuo da demanda, aliado à obsolescência do prédio atual, tornou a mudança inevitável. 

O governador Vilela ressaltou que a reforma do prédio antigo sempre foi um desafio, especialmente por ter de mantê-lo em pleno funcionamento. “Vocês chegam lá a qualquer momento, estão chegando pacientes, estão chegando pessoas necessitando de situações emergenciais”, descreveu.

A nova estrutura, situada em um terreno de 37.813,58 m², conta com 14 mil m² de estacionamento coberto e 607 vagas. Além da ampliação dos leitos e do centro cirúrgico, o projeto prevê 90 leitos de UTI, mais que o dobro dos 52 atuais. O acordo formalizado prevê que a proprietária execute adequações no complexo para transformá-lo em um hospital de urgência e emergência de alta complexidade, mudando a funcionalidade de alguns ambientes.

O secretário de Estado da Saúde de Goiás, Rasível Santos, enfatizou que a nova unidade representa um ganho significativo em eficiência. “A gente amplia a capacidade por ampliar leito, mas também fazendo uma otimização do uso do leito. Ou seja, o giro do leito é muito importante. Da forma que a gente está instalado hoje no Hugo, a gente acaba tendo uma eficiência possível inferior ao que a gente pode estar tendo nesse hospital aqui devido a questão de fluxos e processos”, explicou.

Com a assinatura do protocolo de intenções, o governo inicia agora a fase de negociações financeiras e adequações técnicas, mantendo a expectativa de que a população goiana possa contar com o novo hospital de urgência em 2027.

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