Forças Armadas teriam repassado R$ 137 milhões de empréstimos consignados ao Banco Master entre 2020 e 2026
20 abril 2026 às 12h03

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Os três grupos das Forças Armadas repassaram cerca de R$ 137 milhões de contratos para empréstimos pessoais consignados ao Banco Master entre os anos de 2020 e 2026. A informação foi primeiramente divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo.
Segundo a corporação, os repasses não vieram do orçamento federal enviado às organizações, mas de descontos dos contracheques de militares que contrataram empréstimos consignados.
Os repasses correspondem a 12,6% dos valores totais recebidos pela instituição de Daniel Vorcaro de órgãos públicos federais durante o período e representam, em sua maioria, valores do Exército em R$ 115.651.172,06. A Aeronáutica e a Marinha também fizeram os repasses, sendo R$ 17.687.801,07 e R$ 3.967.810,71, respectivamente, contabilizados pelo Portal da Transparência.
Os valores também aconteceram durante os governos do ex-presidente e preso por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL) e de Lula da Silva (PT). As operações começaram ainda em 2020, com R$ 3.209.276,54 repassados ao banco, mas atingiram um pico de R$ 404.825.325,94 no ano de 2025.
Valores repassados entre 2020 e 2026:
- 2020: R$ 3.209.276,54
- 2021: R$ 43.418.415,32
- 2022: R$ 39.099.287,18
- 2023: R$ 226.745.934,55
- 2024: R$ 362.976.374,12
- 2025: R$ 404.825.325,94
- 2026: R$ 7.014.248,78
Sobre os governos, o montante no governo bolsonarista representou 7,88% do total acumulado, enquanto o governo Lula acumulou 92,12% do total.
O que dizem as Forças Armadas
Segundo as corporações, em nota aos veículos, os repasses realizados ao Banco Master não envolvem recursos de seus orçamentos, tratando-se exclusivamente de valores descontados dos contracheques de militares que contrataram empréstimos consignados.
O Exército enfatizou que o montante é oriundo de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas, enquanto o Centro de Pagamento do Exército (CPEx) atuou apenas como “interveniente” dos pagamentos.
O banco foi credenciado após participar de um edital público, comprovando, na época, todos os requisitos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e trabalhista, além de qualificação econômico-financeira. Com isso, a Aeronáutica defendeu que a instituição atendeu integralmente aos requisitos do edital e que esse tipo de operação não gera custos para a Força.
No entanto, o Exército rescindiu unilateralmente o contrato para novos empréstimos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro de 2025. Porém, os repasses referentes a empréstimos que já haviam sido tomados anteriormente continuam sendo realizados.
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