A mãe e o filho acusados de matar o adolescente Nicollas Lima Serafim, de 14 anos, em frente a um colégio público de Anápolis, em fevereiro de 2024, serão julgados por júri popular nesta quarta-feira, 22, no Novo Fórum da cidade, em sessão plenária do Tribunal do Júri. A vítima teria sido morta após uma briga motivada por ciúmes provocados pela amizade entre a namorada de um dos feridos com o filho da ré.

O julgamento foi marcado pelo juiz substituto Fernando Augusto Chacha de Rezende. Os dois acusados permanecem presos preventivamente desde a época do crime. A sessão foi designada após a rejeição de recursos apresentados pela defesa.

Respondem ao processo Maria Merces Rodrigues e Kaio Rodrigues Matos, que foram denunciados pela morte de Nicollas.

Além do homicídio consumado, mãe e filho também são acusados de dupla tentativa de homicídio contra outros dois adolescentes. Maria Merces ainda responde por corrupção de menores, sob a acusação de envolver o filho mais novo, João Gabriel, nas agressões.

Relembre o caso

Em 20 de fevereiro de 2024, um grupo de adolescentes estava reunido em frente ao Colégio Estadual Leiny Lopes de Souza, no Parque Calixtópolis I, em Anápolis.

Segundo a investigação, Nicollas estava no local com amigos quando Maria Merces e Kaio chegaram armados com um martelo e uma faca. Imagens de videomonitoramento divulgadas pela Polícia Civil mostraram os acusados conversando com os jovens antes do início da confusão.

Na sequência, houve troca de ofensas e empurrões, seguida por agressões com golpes de martelo e facadas. Nicollas caiu após ser atingido e morreu. “A denunciada Maria Renata partiu para cima da vítima Nicollas com o martelo, e também acertou o referido objeto na cabeça de outra vítima que, imediatamente após, foi golpeada com uma facada no abdome pelo denunciado Kaio Rodrigues”, diz o juiz substituto.

Os dois adolescentes feridos foram Guilherme Sidney Soares, atingido no abdômen, e Pedro Henrique Rodrigues de Melo, ferido no peito.

Briga motivada por ciúmes

De acordo com relatório da Polícia Civil utilizado pelo Ministério Público, o conflito teria começado cerca de um ano antes, motivado por ciúmes de Guilherme em relação à amizade que a namorada mantinha com João Gabriel. “Devido à aproximação de sua namorada com o adolescente e colega de classe João Gabriel, a vítima Guilherme, motivado por ciúmes, iniciou um desentendimento com ele”, escreveu o juiz Fernando Augusto.

As ameaças entre os envolvidos teriam continuado por meses, inclusive pelas redes sociais. Na véspera do crime, uma transmissão ao vivo teria servido para marcar uma briga na saída da escola no dia seguinte.

Segundo os autos, Maria Merces sabia do confronto iminente e pediu à escola que João Gabriel só fosse liberado em sua presença. Mesmo assim, teria ido ao local acompanhada de Kaio e levando as armas utilizadas no ataque.

Após o crime, os três fugiram de carro, mas foram localizados e presos pela Polícia Militar em casa, onde os objetos utilizados nas agressões foram apreendidos.

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