Uma pizzaria de bairro em Goiânia viu a rotina mudar completamente após entrar no hall das melhores da América Latina. A Pizzaria Boaventura, localizada no setor Leste Vila Nova, foi incluída na lista de “Pizzarias de Excelência” do guia 50 Top Pizza Latin America e, desde então, tem enfrentado uma demanda muito acima da capacidade.

Vinicius Marques, filho do proprietário do estabelecimento, Cardoso Pimentel, conta ao Jornal Opção que a história da casa começou em 2010, a partir de um sonho antigo da família. “O meu pai tinha uma lanchonete, mas ele sempre sonhou em ter uma pizzaria. Ele trabalhou bastante para conseguir montar aqui”, relata. Ao longo dos anos, o negócio foi se estruturando com base em estudo e especialização. “Desde 2010, a gente tem se especializado em massas, em cursos, em estudos. Foi tudo com muito tempo de dedicação para chegar na massa perfeita”, conta. 

Mesmo com o crescimento e, agora, a projeção internacional, a essência segue a mesma. “Somos uma pizzaria de bairro, com o pessoal daqui, com a mesma clientela, uma vizinhança que convive junto. De repente, estamos sendo uma pizzaria conhecida internacionalmente”, afirma. Parte desse aprendizado também veio da própria equipe. “O Vanderlei, que trabalha com a gente, foi o primeiro que ensinou. Depois, ele foi indicando cursos e fomos evoluindo”, revela.

Seu Cardoso Pimentel sempre teve um sonho de ter uma pizzaria | Foto: arquivo pessoal

Inesperado

O reconhecimento, no entanto, veio de forma inesperada. Segundo Vinícius, não houve qualquer tipo de contato prévio por parte da organização. “Não houve contato. Esse pessoal vai anonimamente nas pizzarias experimentar. A gente só fica sabendo no dia da premiação”, disse.  

O impacto foi imediato. Antes da premiação, a pizzaria trabalhava com uma média de 100 a 150 pizzas por dia. Atualmente, mesmo com restrições no atendimento, a produção já gira em torno de 500 pizzas diárias. “Isso porque a gente está limitando muito. A massa acaba cedo”, revela. 

A alta procura tem imposto um novo desafio: recusar clientes. “Estamos tendo que dispensar muita gente, o que nunca foi a nossa proposta.” Ainda assim, os donos afirmam que não pretendem abrir mão da qualidade. “Não trabalhamos com massa pré-assada. É uma fermentação longa. Então, quando acaba, não tem como simplesmente fazer mais. A gente encerra a operação. A qualidade foi o que fez a gente ser reconhecido.”

Com a casa operando no limite, os planos de expansão foram acelerados. “Muda tudo agora. A gente já tinha um movimento bom para uma pizzaria pequena, mas agora estourou o limite”, diz. A expectativa é abrir novas unidades ainda este ano. “A gente já tinha esse plano, mas agora vamos ter que antecipar. Provavelmente abrir uma ou duas unidades antes do previsto.”

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