O Banco de Leite Humano, do Hospital Estadual da Mulher (Hemu) está com o estoque atual de apenas 150 litros de leite. A unidade opera com apenas 50% da capacidade ideal, que deveria ser de 300 litros mensais para suprir a demanda com segurança.

Atualmente, o déficit obriga a unidade a priorizar os casos de maior risco, voltando o alimento quase exclusivamente para os recém-nascidos prematuros internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Embora o Hemu consiga atender uma média de 200 bebês por mês, o atual quadro de 50 doadoras ativas é insuficiente para alcançar todos os pequenos que dependem desse insumo vital.

Para a coordenadora do Centro de Referência Estadual em Banco de Leite Humano, Renata Machado Leles, a entrada de novas voluntárias é o único caminho para reverter o desabastecimento. O perfil buscado é de mães saudáveis, que estejam amamentando e apresentem produção excedente à necessidade de seus próprios filhos. “Estamos sempre precisando da doação de leite materno para os prematuros de UTI. Esta mãe pode entrar em contato com o Banco de Leite Humano do Hemu para fazermos o cadastro”, convoca Renata.

A logística foi desenhada para não sobrecarregar as mães no puerpério. Graças a uma parceria estratégica com o Corpo de Bombeiros, as doadoras não precisam sair de casa. Uma vez por semana, os militares realizam a “rota do leite”, recolhendo os frascos congelados e entregando novos recipientes esterilizados para a próxima coleta.

O impacto dessa corrente é sentido na ponta por mulheres como Naiara Coronel. Mãe do pequeno Xavier, de apenas quatro meses, ela iniciou a jornada de doação quando o filho completou o primeiro mês de vida. 

Motivada por informações em redes sociais e recomendações de amigas da área da saúde, Naiara encontrou no Hemu o suporte necessário para transformar seu excedente em cura. “Tem sido uma experiência muito gratificante. Saber que posso contribuir com alimento e ajudar bebês que, mesmo tão pequenos, já enfrentam os desafios da vida, é algo muito especial”, revela a doadora, que recebe acompanhamento constante da equipe via cartilhas e suporte por WhatsApp.

Para ela, a visita semanal das bombeiras às quartas-feiras tornou o processo simples e gratificante. “A doação de leite materno é um gesto de amor. Mesmo sendo algo simples, pode representar a chance de vida para muitos bebês e trazer esperança para muitas famílias”, conclui Naiara.

Como ajudar?

As mulheres interessadas em se tornarem doadoras podem obter informações e realizar o cadastro pelos seguintes canais: telefone (62) 3956-2921 ou pelo cadastro simplificado e coleta domiciliar via Corpo de Bombeiros.

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