O pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou que está disposto a conversar com a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e que aguardará o tempo que ela considerar necessário para que ela possa voltar à sua campanha. A fala ocorreu no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

O desentendimento teve início após divergências relacionadas à condução política no Ceará. Na ocasião, Michelle afirmou ter sido desrespeitada pelo senador.

Flávio retornava dos Estados Unidos, onde participou de uma audiência pública sobre o tarifaço norte-americano e fez um discurso de cerca de cinco minutos. “Eu estou sempre aberto aqui a conversar, né? Sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente pra ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim”, afirmou.

O senador também defendeu a união do grupo político para a disputa eleitoral. “Ninguém aguenta mais quatro anos de PT. O Brasil não aguenta mais quatro anos de PT, e no final das contas, tem que estar todo mundo junto para combater esse inimigo do Brasil, que é o atual governo”, disse.

A manifestação ocorre um dia após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarar que Michelle e Flávio não conversam desde a troca pública de acusações e defender uma reconciliação antes da convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho. Segundo Valdemar, o impasse precisa ser resolvido para que o partido avance na definição de sua estratégia eleitoral.

Vídeo publicado por Michelle

Em vídeo publicado no último dia 24 de junho, a ex-primeira-dama afirmou que foi apunhalada e humilhada pelo senador. O episódio, segundo Michelle, aconteceu devido a articulação que ela considerava incoerente dentro do PL com Ciro Gomes, no Ceará, que se apresenta como postulante ao governo do Estado.

Segundo ela, a decisão contrariaria os princípios defendidos por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e enfraqueceria uma candidatura que considera legítima dentro do campo da direita. “Não é questão de política, é questão de coerência. Eu não poderia ficar calada diante de uma aliança com Ciro Gomes no primeiro turno”, disse.

Michelle afirmou que que Bolsonaro havia determinado que Priscila Costa fosse candidata ao Senado e criticou qualquer tentativa de alterar esse entendimento. “Não honrar essa determinação do meu marido será um ato de traição contra Jair Messias Bolsonaro.”

Na publicação, ela relembrou que as declarações feitas por Ciro Gomes contra Jair Bolsonaro e sua família durante a pandemia. Para ela, o histórico de ataques do ex-ministro torna incompatível qualquer aproximação política antes de um eventual segundo turno. “Ciro Gomes foi o principal responsável pelo processo que levou à inelegibilidade do meu marido. Eu tenho o direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista.”

Michelle afirma que, após retornar a Brasília, viveu um episódio que classificou como uma grande decepção pessoal. “Durante o trajeto de volta aconteceu algo muito ruim. Algo que eu não esperava. Algo que doeu de um jeito que palavras custam descrever. Uma apunhalada.”

Após isso, ela disse que foi surpreendida com publicações feitas por Flávio Bolsonaro nas redes sociais em defesa da estratégia adotada no Ceará. Segundo ela, os irmãos do senador também se manifestaram de forma semelhante. “Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Pareceu combinado, premeditado. Procurei qualquer sinal de que ele tinha tentado falar comigo antes de falar para o Brasil. Não tinha nada.”

Michelle disse ainda que tentou contato com Flávio Bolsonaro após as manifestações públicas e afirmou ter sido tratada de forma ríspida durante uma ligação posterior.

Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou no telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço.

Ainda na gravação, Michelle relembrou a sua atuação no PL mulher, onde atua como presidente e que, após o episódio, optou por se afastar das discussões internas após o episódio. “Eu percorri o Brasil inteiro e instalei diretórios em todas as 27 unidades da federação. Ajudei a eleger 1.005 mulheres em 2024. Mas para ele e alguns que o cercam, eu não entendo de política. Eu me recolhi. E desde esse dia, ele não me procurou mais.”

A esposa de Jair Bolsonaro disse que “nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém.”

A ex-presidente do PL Mulher negou que as críticas tenham relação com interesses eleitorais pessoais e afirmou que sua prioridade atual é a família. “As tais fontes espalharam para a imprensa que eu teria ficado com raiva porque queria ter sido candidata. Minha prioridade agora é cuidar da minha família, do meu marido que está precisando de mim. Meu futuro político está nas mãos de Deus.”

Ainda na gravação, ela pontua que não não exige o rompimento de entendimentos políticos no Ceará, mas defende que uma eventual união entre grupos de direita aconteça apenas em uma segunda etapa da disputa eleitoral. Apesar disso, ela é categórica ao dizer que nunca apoiará Ciro Gomes.

“Não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adiem para o segundo turno. A coerência obriga que isso aconteça apenas no segundo turno. Ciro não terá meu apoio nunca”, completou.

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