Dois vereadores em exercício da Câmara Municipal de Goiânia foram presos em pouco mais de um mês. A primeira prisão foi a de Fabrício Rosa (PT), em abril, por desacato à Polícia Militar durante um protesto do MST. A segunda, a do vereador Zander Fábio (Podemos), suspeito dos crimes de associação criminosa e corrupção passiva.

No dia 17 de abril, Fabrício acompanhava uma manifestação do MST em Santa Helena de Goiás quando, segundo sua assessoria, foi detido pela PM “com uso de violência e de forma arbitrária”.

Na ocasião, a equipe do parlamentar declarou que “não houve qualquer situação que levantasse a suspeita de desacato”, conforme alegado pela polícia. “O que se vê é o uso de força por parte dos policiais, que tentaram jogar o vereador no chão, agredi-lo e tomar o celular de suas mãos, ação que resultou, inclusive, em lesão nas costas de Fabrício Rosa”, disse a assessoria do vereador.

Já a PM argumentou que Fabrício teria “reiteradamente descumprido ordens legais”, tentado romper o isolamento policial e proferido ofensas contra militares. Por isso, foi preso em flagrante pelos crimes de desobediência e desacato.

O vereador foi liberado no mesmo dia, após prestar depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Santa Helena de Goiás.

Já o vereador Zander Fábio foi preso nesta terça-feira, 26, em uma operação da Polícia Civil contra um esquema de desvio de recursos públicos oriundos de contratos municipais. O ex-secretário municipal, inclusive, deve passar por uma audiência de custódia amanhã, quarta-feira.

O procedimento é a ferramenta jurídica para atestar a legalidade da prisão que, segundo a defesa de Zander, foi “desnecessária e ilegal”.

“Essa prisão temporária é desnecessária. Uma prisão temporária, quando é decretada, tem como motivação garantir a efetividade da investigação. Tudo é comprovado no inquérito, que Zander não poderia oferecer nenhuma espécie de embaraço à investigação”, disse o advogado Kelvin Wallace, em entrevista ao Jornal Opção.

O defensor argumenta ainda que Zander possui todos os documentos capazes de atestar sua inocência. “Temos total claridade de que os fatos [narrados pela Polícia Civil] não são verdadeiros. Ele tem todas as justificativas e documentos da época em que era secretário de que não cometeu nenhum ilícito penal”.

Segundo a polícia, as investigações apontam para a existência de uma associação criminosa formada por particulares e agentes públicos que, ao longo de 2024, teria criado empresas de fachada e contas bancárias para desviar recursos públicos oriundos de contratações diretas, sem licitação, firmadas com a Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia.

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Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão, entre eles um contra o vereador em exercício Zander Fábio, que responde por quatro crimes: peculato, associação criminosa, corrupção passiva e lavagem e ocultação de bens.

Também foram presos Jean Jesus Magno, presidente do Instituto Vida, e Welton da Silva Nogueira. Conforme noticiado anteriormente pelo Jornal Opção, o Instituto Vida recebeu emendas parlamentares do ex-vereador Leandro Sena, cujo escritório também foi alvo de mandado de busca e apreensão nesta terça-feira.