O consumo de energia elétrica destinado à agricultura irrigada cresceu 11% nos últimos três anos em Goiás, segundo dados divulgados pela Equatorial Goiás. O avanço acompanha a expansão dos sistemas de irrigação no estado, que atualmente possui 5.486 pivôs centrais em operação, conforme levantamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).

A irrigação permite a manutenção da produção durante os períodos de estiagem, mas também aumenta a dependência do setor rural em relação ao fornecimento de eletricidade. Além dos pivôs, a energia é utilizada na pecuária, no armazenamento, no beneficiamento de grãos e em outras etapas da atividade agropecuária.

“A gente precisa de duas coisas para produzir: água e energia elétrica. Sem energia, você não faz nada. Ela é fundamental para a irrigação, para a pecuária, para a armazenagem e para toda a produção”, afirma o presidente da Associação dos Irrigantes do Estado de Goiás (Irrigo), Luiz Carlos Figueiredo.

Cristalina tem maior área irrigada no Estado

Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, concentra a maior área irrigada de Goiás, com mais de 74 mil hectares. O município é considerado um dos principais polos de agricultura irrigada do país e registrou crescimento de 14,3% no consumo de energia elétrica por irrigantes apenas em 2025, de acordo com a distribuidora.

Figueiredo mantém 2,6 mil hectares irrigados no município, onde produz café, soja, milho, aveia e sorgo, além de desenvolver atividade leiteira. Parte da produção é destinada ao mercado interno e outra parcela segue para exportação.

Segundo o produtor, a disponibilidade de energia para novos projetos deixou de ser o único problema do setor. O crescimento da demanda também passou a exigir a substituição de redes antigas e o reforço da infraestrutura já existente.

“As redes eram muito antigas e o crescimento da demanda exige muitos reforços. Hoje já percebemos uma evolução importante, mas a expansão da irrigação continua dependendo de investimentos constantes na infraestrutura”, avalia.

Obras na rede elétrica

Desde que assumiu a concessão do serviço no estado, em janeiro de 2023, a Equatorial afirma ter investido mais de R$ 7,1 bilhões na expansão, modernização e digitalização do sistema elétrico goiano. O valor, no entanto, corresponde aos investimentos realizados em todo o estado e não apenas na rede destinada à agricultura irrigada.

Em Cristalina, a empresa concluiu, em 2025, uma interligação de 5,2 quilômetros e um novo alimentador de dois quilômetros. A distribuidora também executa a construção e a modernização de outros 34,7 quilômetros de rede, com a substituição de estruturas antigas por equipamentos de maior capacidade.

A capacidade da Subestação Cristalina foi ampliada em 14%, segundo a concessionária. O reforço permite atender ao aumento de carga provocado pela instalação de novos pivôs, equipamentos de beneficiamento de grãos e empreendimentos industriais.

Na Subestação São Marcos, foram construídos 32 quilômetros de novos alimentadores de média tensão. Na Subestação Pamplona, a empresa implantou um alimentador com 20 quilômetros de extensão, modernizou equipamentos e instalou bancos de capacitores para aumentar a estabilidade da tensão fornecida às propriedades rurais.

O superintendente técnico da Equatorial Goiás, Roberto Vieira, afirma que a ampliação dos alimentadores permite redistribuir a carga e reduzir a quantidade de consumidores afetados quando ocorre alguma falha.

“Em um forte evento climático, por exemplo, conseguimos atuar com menos clientes impactados numa eventual falta de energia. Além disso, conseguimos fazer o rebalanceamento do sistema em momentos de sobrecarga”, explica.

Para 2026, estão previstas a construção de três alimentadores, que juntos terão 41 quilômetros de rede, e a implantação da Subestação Savana. A nova estrutura deverá permitir a transferência de cargas entre circuitos, o isolamento de trechos defeituosos e o restabelecimento remoto do fornecimento.

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