O comércio segue como um dos principais motores da geração de empregos em Goiás. Segundo levantamento da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Goiás (FCDL-GO), com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor reúne atualmente 339.008 trabalhadores com carteira assinada, o equivalente a 21% de todos os empregos formais do Estado.

O contingente coloca Goiás entre os dez estados brasileiros que mais empregam no comércio. O segmento fica atrás apenas da prestação de serviços, que soma 681.378 trabalhadores, e à frente da indústria, com 326.410 empregados.

Apesar da relevância, o crescimento das vagas tem perdido ritmo. Entre maio de 2023 e maio de 2024, o número de trabalhadores no comércio aumentou 4,05%. No ano seguinte, a alta caiu para 2,98% e, entre maio de 2025 e maio de 2026, ficou em 1,42%.

Ao Jornal Opção, o vice-presidente da FCDL-GO, Christian Pereira, esxplica que o cenário não está relacionado à falta de oportunidades, mas à dificuldade das empresas em encontrar profissionais. “Hoje o mercado de trabalho mudou bastante. Antes eram as pessoas que disputavam as vagas. Hoje são as empresas que disputam os bons profissionais. São mais de 339 mil pessoas empregadas no comércio goiano, o que demonstra a força do varejo e sua importância para a geração de emprego e renda”, afirmou ao Jornal Opção.

Christian Pereira é vice-presidente da FCDL-GO | Foto: Arquivo Pessoal

Segundo ele, muitos processos seletivos permanecem abertos durante meses. “O maior desafio do comércio hoje não é a falta de vagas. É encontrar pessoas para ocupá-las. Muitas empresas mantêm processos seletivos abertos por muito tempo simplesmente porque não conseguem preencher todas as oportunidades disponíveis.”

Mercado de trabalho mudou

Na avaliação da FCDL-GO, a escassez de mão de obra é resultado de uma série de mudanças ocorridas nos últimos anos. ” trabalhador hoje possui muitas alternativas de geração de renda. Muitos migraram para aplicativos de transporte e entrega, outros abriram um MEI, passaram a trabalhar de forma autônoma ou preferem serviços temporários e pontuais em busca de mais flexibilidade”, explica Christian.

Ele afirma ainda que programas de transferência de renda exercem importante papel social, mas defende políticas que facilitem a transição para o emprego formal. “O que defendemos é que seja cada vez mais fácil para essas pessoas retornarem ao mercado formal sem receio de perder imediatamente esses benefícios. Uma política de transição permitiria manter o benefício por determinado período após a contratação, incentivando a formalização”, diz

Além da remuneração, fatores como qualidade de vida, oportunidades de crescimento, ambiente de trabalho e flexibilidade passaram a pesar mais na decisão dos trabalhadores. “Hoje o profissional não avalia apenas o salário. Ele observa perspectiva de carreira, benefícios, localização da empresa e qualidade do ambiente de trabalho. Por isso, as empresas estão investindo cada vez mais em treinamento e desenvolvimento de equipes.”

Empresas valorizam profissionais acima de 50 anos

Outro movimento observado pela entidade é o aumento das oportunidades para trabalhadores mais experientes. Em maio deste ano, 4,9% das contratações realizadas pelo comércio goiano foram de pessoas entre 50 e 64 anos.

Para Christian Pereira, essa mudança beneficia tanto empresas quanto novos profissionais. “As empresas passaram a valorizar mais essas pessoas justamente porque elas conseguem transmitir conhecimento para os mais jovens. O comércio sempre foi uma grande escola profissional, onde muitos brasileiros conquistaram o primeiro emprego e desenvolveram habilidades que levaram para toda a vida.”

Supermercados, farmácias e construção lideram contratações

Entre os segmentos que mais contratam atualmente estão supermercados, farmácias, lojas de material de construção e o varejo de forma geral.

Já as maiores dificuldades de contratação se concentram em funções operacionais e de atendimento. “As vagas mais difíceis de preencher hoje são para vendedores, operadores de caixa, balconistas, estoquistas, auxiliares de serviços gerais, gerentes, repositores, motoristas e entregadores”, afirma.

Segundo a FCDL-GO, a dificuldade de preencher essas funções afeta diretamente o desempenho das empresas. “Quando uma vaga permanece aberta, quem perde não é apenas o empresário. A empresa vende menos, atende pior, sobrecarrega os funcionários e acaba contribuindo menos para a economia. É um problema que impacta toda a cadeia produtiva”, conclui Christian Pereira.

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