A corretora de imóveis Thauana Martins Machado, de 38 anos, fundadora do Clube do Litro, contou, nesta quarta-feira, 15, em entrevista ao Jornal Opção, como uma ideia despretensiosa se transformou em um movimento que reúne milhares de pessoas em busca de novas amizades e paqueras.

Tudo começou em novembro de 2024, quando Thauana publicou um vídeo no TikTok dizendo que queria montar um clube do livro, mas sem a obrigação de ler, apenas para beber Heineken. O post viralizou e, incentivada por um comentário, ela criou o grupo “Clube do Litro”.

No mesmo dia já havia 200 inscritos; na semana seguinte, 300. O primeiro encontro reuniu 80 pessoas em um bar de Goiânia. “Ninguém se conhecia. Foi muita loucura. E aí nasceu o Clube do Litro”, relembra.

Thauana Martins Machado, de 38 anos, fundadora do Clube do Litro | Foto: Acervo Pessoal

Hoje, o movimento conta com dois grupos em Goiânia, cada um com 1 mil integrantes, e outro em Brasília, também com 1 mil. “Em Brasília eu já juntei 350 pessoas num bar. Lá também é bem forte”, afirma.

A tentativa de expandir para Anápolis não teve a mesma adesão, mas Thauana sonha em levar o Clube para todas as capitais do país. Por enquanto, a expansão está limitada pela dificuldade de administrar os grupos e evitar problemas como golpes e fraudes. “Já teve todo tipo de coisa acontecendo. Precisa de administração para não virar bagunça”, explica.

Foto: Acervo Pessoal

O público que mais se identifica com o Clube do Litro, segundo Thauana, são pessoas em sua faixa etária, muitas recém-separadas ou recém-chegadas à cidade. “Fazer amigos não tem fórmula. Muita gente saiu de um casamento e ficou sem turma. Outros vieram de fora e não conheciam ninguém. Então o Clube virou esse espaço de acolhimento”, diz.

Foto: Acervo Pessoal

Ela própria viveu essa realidade, após se separar, morando no Paraná, percebeu a dificuldade de reconstruir laços. “Quando você está num relacionamento, os amigos são do casal. Depois da separação, não há acolhimento. É preciso novos amigos solteiros, mas não existe aplicativo que funcione como o Tinder para amizade. Aqui em Goiânia, o pessoal é da mesa de bar mesmo”, aponta.

Os encontros mensais já renderam momentos marcantes. Um dos mais lembrados foi o Luau dos Solteiros, realizado em parceria com o pub Canevas, em Goiânia. “Coloquei 286 pessoas na casa, numa quinta-feira. Deu fila gigantesca, lotação máxima. Foi bem marcante”, conta.

Foto: Acervo Pessoal

Em outro episódio foi no Vikings, também em Goiânia, quando um convite de última hora levou mais de 120 pessoas ao bar em plena terça-feira. “Isso mostra como há muita gente querendo fazer novos amigos depois de sair de um relacionamento”, afirma.

Apesar de alguns eventos terem uma pegada voltada para solteiros, Thauana faz questão de reforça nos grupos que não é bem assim também. “O grupo não é para relacionamento. É para fazer novos amigos”, conta.

Foto: Acervo Pessoal

Amizade, Paquera e o “Manual do Recomeço

A fundadora do Clube do Litro revelou como o projeto, que começou com encontros em bares e restaurantes, se transformou em uma rede de apoio social, afetiva e até amorosa para centenas de pessoas.

Thauana explica que o grupo nasceu com o objetivo de promover amizades, evitando que se tornasse apenas um espaço de cantadas. “Eu gosto de deixar muito claro que ali é para fazer amizade, para não virar um tom de só cantada, de homem ficar dando em cima de mulher no grupo. Então eu gosto muito de preservar isso, falar: ‘Ó, gente, não pode ficar chamando a pessoa no privado’. Você marca os encontros, vai até o lugar físico, no bar, no restaurante, e lá a paquera é liberada”, afirma.

Segundo ela, o resultado já é visível. “Já tem pessoas que casaram por causa do Clube do Litro e já tem até neném. Eu mesma conheci meu namorado por causa do Clube do Litro e ele é de Brasília”, conta.

Foto: Acervo Pessoal

A história pessoal da fundadora também se mistura ao projeto. “O meu namorado era seguidor da minha página do Clube do Litro, respondeu falando que estava em Goiânia, porque ele é de Brasília, e que queria conhecer o Canela. Ele foi até o Canela e a gente se conheceu lá rapidamente, mas aí ele comprou o ingresso para uma festa que eu estava organizando em Brasília, que até vai ter uma edição este fim de semana da festa, que chama Barca Fantasia. Aí na Barca a gente se conheceu melhor, enfim, estou namorando com ele e já vou casar. Bem louco. Isso mesmo”, aponta.

Sobre relacionamentos após certa idade, Thauana reconhece que há desafios. “Depois de certa idade é sempre mais difícil tudo, porque nosso filtro aumenta, nossas exigências aumentam. Também a gente passa a frequentar só lugares determinados, casa, trabalho… principalmente o pessoal que já esteve num relacionamento muito tempo, às vezes eles não sabem por onde começar. É mais ou menos o ‘e agora?’. Então você entra no grupo e vai ver muitas pessoas passando pelo que você está passando”, revela.

Foto: Acervo Pessoal

O Clube do Litro, segundo ela, se tornou um espaço de nichos e afinidades. “Tem pessoas que vão correr na Ricardo Paranhos porque junta ali no grupo e vai, tem pessoas que fizeram o grupo do vôlei e vão jogar vôlei, aí tem os que gostam de forró, vão para o forró, tem os que gostam de pagode, vai para o pagode. Então assim, vai nichando dentro do próprio grupo”, diz.

Os encontros são frequentes e variados. “Aqui em Goiânia a gente virou mais assim: toda semana tem encontro. Não é oficial, mas todos os meses eu faço um encontro oficial desde novembro de 2024. Esse de Goiânia, dia 25 agora vai ter um, que vai ser num pagode. O último foi o Alvo dos Solteiros que foi no Canela. E a mesma coisa em Brasília. Uma vez por mês, fielmente, tem um encontro organizado por mim. Mas toda semana, todo dia quase, ontem tinha 30 pessoas no Vikings que foi para lá de última hora, por causa do grupo. Eles passam uma lista, o pessoal põe o nome e chega lá e fala: ‘Oi, eu sou novato e vim conhecer o Clube do Litro’”, conta.

Foto: Acervo Pessoal

A fundadora destaca que há encontros oficiais e os chamados “encontrinhos”. “A pegada é fazer novos amigos, conhecer gente nova e tipo, é como se fosse a minha página hoje, eu estou fazendo como se fosse um manual do recomeço mesmo. Eu não dou só dica de encontro, mas dou dica de Goiânia, essas coisas. Qual bar ir, você vai ter um encontro, vamos para tal lugar, dica de relacionamento, quem acabou de terminar”, aponta.

“Porque tem uma questão, as pessoas que ficaram muito tempo em relacionamento quando elas saem do relacionamento elas são muito enganadas, porque elas não sabem mais, elas não estão no mercado. Eu estou solteira há muito tempo, então eu já estou dando dica, mas é por experiência própria mesmo”, diz.

No Instagram e TikTok, a página do Clube do Litro se consolidou como referência. “É porque lá na página eu dou dicas de como começar de novo, o que você tem que fazer, os lugares que você precisa frequentar dependendo da sua faixa etária. Então eu dou esse tipo de dica de conteúdo e lá também tem memes, essas coisas”, conta.

“Tem várias pessoas divorciadas com gostos diferentes. Eu, por exemplo, gosto de sertanejo, mas frequento também o rock, mas tem gente que é nichado: ‘Eu só vou no rock’. Então eu vou dar três dicas de lugares de rock, três dicas de bares sertanejos…pessoas que acabaram de chegar em Goiânia, não sabem nem para onde ir. Então virou um painel de dicas mesmo”, finaliza.

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