Em Goiânia, a coleta de resíduos conta com uma infraestrutura tecnológica avançada, atualmente em fase de implementação. Essa integração de diferentes sistemas busca garantir maior qualidade, segurança e eficiência em todo o processo. Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Deivid Vieira, gerente de planejamento da empresa que presta o serviço na cidade, o Consórcio Limpa Gyn, detalhou, nesta terça-feira, 14, como funcionam os mecanismos que monitoram cada etapa da operação e reforçam a credibilidade do serviço prestado pelo consórcio.

Deivid Vieira aponta que são 75 caminhões compactadores para coleta de resíduos sólidos urbanos, 24 caminhões destinados à coleta seletiva, 24 varredeiras mecanizadas e 59 caminhões basculantes para remoção de entulhos. Além disso, há 32 equipamentos entre pás carregadeiras e retroescavadeiras. No total, a operação conta com 718 coletores e 392 motoristas.

Segundo ele, os números da coleta diária chamam atenção. Goiânia recolhe em média 1.600 toneladas de resíduos orgânicos, 150 toneladas de recicláveis e 2.700 toneladas de entulhos, provenientes de mais de mil pontos de descarte irregular espalhados pela cidade. Somando todos os tipos de resíduos, são aproximadamente 4.453 toneladas coletadas por dia. A varrição mecanizada cobre 905 quilômetros de avenidas diariamente.

Sistemas de monitoramento

O Vfleets, sistema de monitoramento por câmeras, é responsável por comprovar a qualidade do serviço. Ele permite análises de denúncias, verificando se o lixo foi recolhido corretamente, além de análises gerais de sinistros em caso de acidentes.

O sistema também atua na prevenção de acidentes em rota, tanto para coletores quanto no trânsito, utilizando inteligência artificial para detectar fadiga, uso de celular durante a condução, ausência de cinto de segurança e outras situações de risco.

“A câmera voltada para o rosto do motorista identifica sinais de cansaço, distrações e até se ele está fumando. Se boceja, apita na hora. Se dá aquela pescada, o sistema alerta imediatamente”, explica Vieira.

O Vfleets também contribui para prevenir riscos relacionados à não utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs).

Já o Co.Urban é o sistema de monitoramento em tempo real. Ele acompanha a localização da frota, a velocidade de coleta em operação, o tempo gasto em rota e o tempo de parada dos veículos. Também registra os horários de chegada e saída, a distância percorrida, o tempo produtivo e improdutivo, além das ruas realizadas e não realizadas.

“Na nossa torre de controle, conseguimos ver ao vivo os caminhões, alternando entre setores e avaliando se o serviço está dentro do previsto. O sistema mostra a taxa de conclusão de cada setor via mapeamento das ruas da capital”, relata.

O trânsito é levado em consideração, já que em alguns trajetos o deslocamento pode levar até duas horas em horários de pico. Para evitar atrasos, mais de um caminhão é designado para o mesmo setor. “Segunda e terça são dias complicados, mas garantimos que o serviço seja feito”, afirma.

O LimpaApp, por sua vez, é o sistema de gestão de solturas. Ele garante a rastreabilidade dos colaboradores e veículos, registrando quem é o motorista que saiu em determinado veículo, para onde foi, quais colaboradores estavam a bordo, o horário em que pegou a chave, a saída da garagem, o retorno e o líder responsável pela liberação.

Também armazena o telefone do motorista em rota e o registro de todas as saídas de veículos e colaboradores dos serviços prestados pelo consórcio. “Com isso, conseguimos monitorar diariamente e por turno cada operação, avaliando paradas e garantindo que o serviço seja feito dentro da programação”, explica.

A produtividade é medida pela velocidade média de coleta, que varia entre 4,5 e 6 km/h, ritmo adequado para que os coletores acompanhem o caminhão. “Goiânia é plana, então essa velocidade é ideal. Em alguns setores é mais rápido, em outros mais lento”, afirma.

A taxa de conclusão das rotas é outro indicador essencial. O mínimo exigido é de 95%, mas a meta é sempre atingir 100%. “Não temos a escolha de não fazer. Se o tempo excede, mandamos apoio. Nosso desafio é entender os 5% que eventualmente ficam fora”, aponta.

Tecnologia

O gerente de planejamento detalha como a implementação de um sistema interno de rastreabilidade e gestão de colaboradores e veículos vem transformando a operação da coleta e serviços urbanos na capital.

Segundo Deivid, a operação não para e agora conta com um sistema integrado desenvolvido pelo próprio time interno. “Na hora que o caminhão vai sair, o líder já informa qual é a matrícula, quem é o coletor, quem é o motorista, para qual setor eles estão indo. Isso vai para nosso sistema online e conseguimos saber imediatamente o histórico do colaborador”, explica.

O sistema registra todas as saídas de veículos e colaboradores. “Todos os líderes entregam a chave para o motorista e já preenchem. Alguns fazem na prancheta, outros direto no aplicativo. Tudo vai para o sistema interno”, aponta.

Deivid destaca que cada saída ocorre com prévia autorização e que há encarregados e líderes específicos por turno e por serviço, varrição, remoção, seletiva e RSU, responsáveis por informar no aplicativo as equipes liberadas.

A implantação do sistema começou em novembro de 2025. “Em dezembro ele já estava funcionando full-time. Está em constante melhoria e estamos otimizando também a parte de manutenção, para registrar quando o caminhão quebra ou fura um pneu. Queremos transformar em um super app”, afirma.

A previsão é que até junho de 2026 as principais implementações estejam concluídas, em paralelo ao desenvolvimento de um sistema de atendimento ao cidadão (SAC).

Os impactos já são sentidos. “Ficou possível fazer um rastreio melhor para acidentes, investigações e denúncias. Estamos muito mais ágeis e rápidos para verificar se de fato aconteceu ou não. Antes, com papel, planilha Excel e mensagens no WhatsApp, muita informação se perdia. A automação é um caminho sem volta”, afirma.

O gerente ressalta que a eficiência não significa que antes o trabalho não era feito corretamente, mas que agora há provas concretas. “Antes ficava no achismo. Depois que você tem uma câmera mostrando se passou ou não, não tem mais argumento. Acredito que o time já estava engajado, mas agora conseguimos comprovar e nos defender. A câmera veio para respaldar e proteger todos”, explica.

Essa proteção vale tanto para os clientes quanto para os coletores. “Um acidente, uma denúncia de que o caminhão quebrou algo, nós verificamos. Se procede, resolvemos imediatamente. Se não procede, damos a devolutiva ao munícipe. Não temos o costume de mandar vídeo, mas respondemos e às vezes enviamos uma foto. O banco de dados guarda todos os registros para consulta futura”, conta.

Deivid destaca que o sistema garante mais transparência e segurança. “Qualquer solicitação é respondida. Se houver falha, acionamos a equipe mais próxima para resolver. Se não procede, retornamos explicando o que realmente aconteceu. Hoje conseguimos comprovar e dar respostas rápidas, tanto para o cidadão quanto para nosso time”, aponta.

Investimento

A iniciativa, segundo Deivid, integra telemetria, rastreamento, navegação e câmeras nos caminhões, algo ainda pouco comum no Brasil devido ao alto investimento necessário. Ele aponta que, embora cidades como São Paulo utilizem telemetria e rastreamento, a integração com câmeras embarcadas é pioneira e exige aporte financeiro significativo. “Não é qualquer capital que tem isso, não é qualquer lugar que tem isso não”, avalia.

Sobre os custos, o gerente explicou que não poderia divulgar valores exatos, mas garantiu que o investimento é elevado, envolvendo aporte inicial e manutenção mensal.

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