Goiânia recupera crédito e prioriza equilíbrio fiscal antes de novos empréstimos, afirma secretário
13 abril 2026 às 17h53

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Em entrevista ao Jornal Opção, o secretário de economia e planejamento de Goiânia, Oldair Marinho, detalhou, nesta segunda-feira, 13, o processo de recuperação da nota A na Capacidade de Pagamento (Capag) junto ao Tesouro Nacional, após o município ter caído para a nota C em 2024. A mudança reflete um esforço intenso de austeridade e reorganização fiscal que marcou o último ano.
Segundo Oldair, a perda da nota foi consequência da má gestão financeira anterior. “A gestão financeira do município, quando a nota diminui, significa que não está boa. Não foi boa naquele período. Portanto, não teve uma gestão com responsabilidade fiscal. Isso ficou muito claro quando assumimos em janeiro e nos deparamos com toda aquela estrutura de débitos”, afirmou.
Ele explicou que, com medidas de contenção de gastos e qualificação da despesa, o balanço de 2025 conseguiu reclassificar Goiânia novamente para a nota A. “Buscou-se ao longo de 2025 restabelecer o equilíbrio fiscal das contas públicas”, completou.
O secretário destacou que as dívidas eram diversas, mas principalmente ligadas à saúde e ao Instituto Municipal de Assistência à Saúde (Imas), além da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). “Dívidas no geral, principalmente na área da saúde, do Imas. Comurg tem uma negociação forte que nós tivemos, reaplicamos um plano e hoje não é mais aquela Comurg de outrora. Tanto é que o prefeito vai estar falando amanhã numa agenda sobre a nova Comurg”, disse.
Com a recuperação da nota, Goiânia voltou a ter crédito e condições de renegociar débitos. “Agora Goiânia recuperou o seu crédito. Isso atrai investimentos para a cidade, investimentos de empreendedores particulares e também nos possibilita trabalhar de forma mais confortável na realização de serviços públicos”, explicou.
Ele ressaltou que, embora haja grande demanda por empréstimos, ainda não há operações de crédito em andamento. “Demanda tem demais, principalmente na área de macrodrenagem da cidade. Ainda não se falou em operação de crédito, mas, se for necessário, hoje Goiânia tem crédito e espaço fiscal para isso. Coisa que há pouco tempo atrás não tinha. É igual o nosso Serasa, nós tínhamos o Serasa ruim, então não tinha possibilidade de fazer nenhum tipo de empréstimo”, apontou.
Os resultados já aparecem nos números. “Você deve ter visto o nosso relatório resumido da execução orçamentária do primeiro bimestre. Crescemos mais de 500% em investimento comparado com esse período do ano passado. Já é um reflexo de todo o trabalho feito nos últimos 12 meses. Agora passa a ser um ano de entregas, de obras estruturantes, de investimentos”, afirmou.
Ele reforçou que, mesmo com a melhora dos indicadores, a gestão seguirá com cautela. “Não é porque agora estamos com uma nota boa, com outros indicadores bons, que vamos abrir a guarda. De maneira alguma. É fazer investimento e controlar os gastos com responsabilidade fiscal”, disse.
O secretário lembrou que o processo foi marcado por austeridade. “Muito austeridade. Comitê de controle de gasto instituído, trabalhando forte, Decreto de Calamidade Financeira que foi importante no processo”, finalizou.
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