Chuvas, seca e mudanças bruscas no clima exigem atenção à saúde respiratória dos idosos, alerta especialista
29 setembro 2026 às 19h08

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A chegada das chuvas costuma ser vista como um alívio após os períodos de seca, mas as mudanças climáticas associadas a essa transição também podem representar riscos para pessoas com doenças respiratórias. Ao Jornal Opção, a fisioterapeuta intensivista e doutora em Ciências e Tecnologias em Saúde, Letícia de A. Morais, afirma, nesta terça-feira, 29, o problema não está na chuva em si, mas nas alterações ambientais que acompanham esse período.
A especialista explica que a elevação da umidade, a queda de temperatura e o surgimento de mofo e ácaros dentro de casa podem funcionar como gatilhos para sintomas respiratórios. “Não é simplesmente a chuva que faz mal; é essa mudança ambiental que pode favorecer sintomas em pessoas mais vulneráveis”, afirma.
De acordo com ela, pessoas com asma, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias podem sentir mais desconforto diante dessas variações.

Um erro frequente observado em idosos e cuidadores é aguardar que os sintomas se intensifiquem antes de buscar ajuda ou adotar medidas preventivas. A fisioterapeuta também alerta para o risco de interromper ou modificar medicamentos de uso contínuo sem orientação profissional, prática que pode comprometer o controle das doenças respiratórias.
A atenção aos cuidados básicos deve ser constante, especialmente em períodos de instabilidade climática. Segundo a especialista, muitos idosos sentem menos sede e podem perceber com mais dificuldade alterações no próprio estado de saúde. Por isso, hidratação adequada, boa alimentação, uso correto de medicamentos e observação dos sintomas respiratórios são medidas importantes.
Sinais iniciais de uma crise respiratória nem sempre recebem a devida atenção. Letícia explica que o aumento do cansaço pode esconder alterações mais relevantes. Ela explica que a falta de ar intensa ou repentina exige atendimento imediato.
“Falta de ar para realizar atividades que antes eram fáceis, respiração mais rápida, chiado, tosse que piora, dificuldade para falar frases completas ou uma queda da saturação são sinais que merecem atenção”, afirma.
A reabilitação pulmonar também desempenha papel importante na manutenção da autonomia dos idosos. Conforme explica a especialista, o trabalho não se limita à função pulmonar, mas envolve o fortalecimento da capacidade física, da musculatura, da tolerância ao esforço e da compreensão sobre a própria condição de saúde.
Segundo ela, o objetivo é preservar a independência e a qualidade de vida durante o envelhecimento. “No dia a dia, isso significa conseguir fazer atividades do cotidiano com menos cansaço, como tomar banho, caminhar, subir uma escada, fazer compras ou brincar com os netos”, explica.
Dentro de casa, medidas simples podem contribuir para a proteção da saúde respiratória ao longo do ano. A recomendação inclui manter os ambientes ventilados, evitar mofo e infiltrações, realizar a limpeza com pano úmido para não dispersar poeira e evitar a exposição à fumaça do cigarro. Nos períodos de baixa umidade, a hidratação também deve receber atenção especial.
O entendimento das informações sobre saúde é apontado pela especialista como uma ferramenta importante para prevenir complicações. Ela define o letramento em saúde como a capacidade de compreender orientações médicas e utilizá-las adequadamente na rotina.
“Não adianta entregar uma receita ou explicar um tratamento se a pessoa não compreendeu como utilizar aquela informação”, ressalta.
De acordo com a fisioterapeuta, quando o idoso e o cuidador sabem reconhecer sinais de alerta, utilizam corretamente os medicamentos e entendem o momento adequado para procurar assistência, as chances de evitar agravamentos e internações aumentam.
Às vésperas do Dia Nacional do Idoso, a principal mensagem da especialista é voltada à prevenção e à valorização da autonomia. Ela destaca que envelhecer não significa perder a capacidade de participar ativamente da própria rotina e dos cuidados com a saúde.
“Fazer acompanhamento de saúde, manter-se fisicamente ativo dentro das suas possibilidades, cuidar da alimentação, tomar os medicamentos corretamente e prestar atenção aos sinais que o corpo apresenta são formas de prevenção”, afirma.
Aos familiares, ela recomenda estimular a participação dos idosos nas atividades que ainda conseguem realizar. “Preservar a autonomia também é uma forma de cuidar”, conclui.
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