Incêndio causado por ação humana ameaça casas em Posse; fogo é controlado perto da cidade, mas segue no Cerrado
29 setembro 2026 às 19h04

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A frente do incêndio que ameaçava residências em Posse, no Nordeste de Goiás, foi completamente extinta nesta terça-feira, 29. Segundo o Corpo de Bombeiros, as equipes agora concentram o combate em uma linha de fogo no lado oposto da BR-020, em direção à divisa com a Bahia.
Em entrevista ao Jornal Opção, o prefeito Paulo Trabalho (PL) afirmou que o município enfrentava incêndios havia vários dias e que as chamas avançaram sobre áreas próximas a bairros residenciais.
“Tem bairros residenciais próximos à serra, próximos ao cerrado, vegetação. Então o fogo estava nessas zonas e colocando em risco a casa da população”, relatou.
Prefeitura contratou avião para reforçar o combate
Segundo o prefeito, equipes da prefeitura atuaram até por volta das 22h, utilizando caminhões-pipa em apoio ao Corpo de Bombeiros. A administração municipal também contratou uma aeronave Air Tractor, especializada no combate a incêndios florestais.
“Nós combatemos até 9, 10 horas da noite nesse combate com o caminhão-pipa, ajudando o Corpo de Bombeiros para não queimar as casas das pessoas”, afirmou.
Paulo Trabalho disse que a contratação da aeronave ocorreu diante da quantidade de frentes de incêndio e da necessidade de reforçar as equipes e os equipamentos disponíveis.
Fogo permanece no lado da rodovia voltado para a Bahia
O major Dias, do Corpo de Bombeiros, confirmou ao Jornal Opção que o incêndio no lado da BR-020 voltado para a cidade foi extinto.
“O incêndio que estava do lado esquerdo da rodovia BR-020, que é o que fica do lado da cidade, foi completamente extinto”, afirmou.
Apesar do controle nessa área, permanece uma frente ativa no lado oposto da rodovia. “Agora existe uma linha ativa do lado direito da BR-020, que é o lado que faz divisa com o estado da Bahia. A situação agora atual é essa”, explicou.
Segundo o militar, o volume de fumaça observado da cidade pode dar a impressão de que o incêndio é maior do que a extensão da linha de fogo. Ele atribuiu essa característica à vegetação atingida.
“A coluna de fumaça vista da cidade é uma coluna até, assim, bastante volumosa, mas é porque tem uma área de Cerrado e aí dá muita fumaça mesmo. Mas a linha não é uma linha tão extensa”, disse.
Calor e ventos dificultam o combate
As condições meteorológicas registradas em Posse nesta terça-feira dificultaram o trabalho das equipes. Segundo o major Dias, a temperatura ficou próxima dos 40°C, os ventos ultrapassaram 30 km/h e a umidade do ar estava muito baixa.
“Esse incêndio por vezes subiu e desceu esses morros aí com muita violência”, relatou.
O relevo também é um dos principais obstáculos para os combatentes. A frente de fogo que permanece ativa está em uma região íngreme e de difícil acesso.
“É uma região extremamente íngreme, de relevo bastante acidentado. E isso, assim, junta as condições meteorológicas que aqui hoje fez quase 40 graus, ventos de mais de 30 km/h e umidade baixíssima”, afirmou.
Questionado sobre o impacto do vento na propagação das chamas, o major foi direto: “Para nós, nessa época, quanto mais vento, pior é o combate.”
Helicóptero transporta equipes para áreas de difícil acesso
O apoio aéreo também é utilizado na operação. De acordo com o major Dias, o helicóptero empregado no combate tem como principal função transportar bombeiros especializados para pontos onde os veículos terrestres não conseguem chegar.
“O helicóptero tem sido utilizado principalmente para a colocação da tropa especializada no terreno. Então, locais onde a viatura terrestre não chega, ele tem lançado as nossas tropas nesses locais”, explicou.
A partir desses pontos, os militares seguem a pé para combater diretamente as chamas, inclusive no topo de morros e em vales inacessíveis às viaturas.
Prefeitura contratou avião de combate
Além do helicóptero empregado pelos bombeiros, a Prefeitura de Posse contratou uma aeronave Air Tractor para auxiliar na operação. Segundo o prefeito Paulo Trabalho, o avião tem capacidade para transportar 3 mil litros de água e foi utilizado principalmente em áreas de difícil acesso próximas às residências.
“É um avião que carrega 3.000 litros de água, tem uma comporta própria para o combate de incêndio”, explicou.
O prefeito afirmou que a aeronave tem valor estimado em R$ 23 milhões e que cada hora de voo custa cerca de R$ 20 mil. Segundo ele, a despesa é elevada para o município.
“O município não tem condição de estar sempre custeando esse tipo de operação. Mas a situação estava tão grave que a gente se viu obrigado a buscar essa aeronave”, disse.
Bombeiros apontam ação humana, mas não confirmam intenção
Segundo o major Dias, ainda não há elementos para afirmar se o incêndio foi provocado intencionalmente. O militar afirmou, porém, que o fogo teve origem em uma ação humana.
“Esse incêndio aqui foi por ação humana. Agora, se ele foi doloso ou culposo, se foi um fogo de quintal que saiu do controle ou doloso, a gente não tem condição de afirmar”, explicou.
O major alertou que, diante das condições climáticas e da vegetação seca, qualquer queima pode sair do controle e ganhar grandes proporções. A orientação é não utilizar fogo para limpar pastos, queimar resíduos ou reformar pastagens durante o período crítico.
“Não usar fogo de forma alguma. Porque um fogo de quintal que sai do controle, ele pode virar esse incêndio que virou aqui”, alertou.
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