Em entrevista ao podcast Direto de Brasília, do jornalista Magno Martins, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, detalhou sua estratégia para 2026 e reiterou o tom que deve ter sua campanha ao Palácio do Planalto.

Caiado destacou resultados de sua gestão, sobretudo na segurança pública, e comentou tanto a possibilidade de composições com outros nomes da direita quanto o desafio de romper o atual cenário político polarizado.

A aliança com Romeu Zema

Um dos pontos da entrevista foi o questionamento de Marcelo Tonhose, jornalista do Poder360, sobre a viabilidade de uma chapa conjunta com o ex-governador mineiro Romeu Zema. Tonhose destacou que ambos possuem gestões bem avaliadas e são “ficha limpa” e perguntou: “O que que está faltando para vocês se entenderem e montarem uma chapa para ganhar a eleição?”.

Caiado respondeu pregando cautela e respeito à autonomia partidária de Zema: “Eu tenho que respeitar um colega ex-governador que também fez uma boa gestão no seu estado e que tem um partido e como tal leva a sua candidatura à presidência da República… essa aí eu eu diria a você que esta liberdade em continuar a sua caminhada na campanha eleitoral é algo que depende muito mais de uma decisão de fórum pessoal”.

Ele revelou ainda que, em conversas privadas, o mineiro mantém sua pretensão de disputar a eleição: “Às vezes que eu tenho conversado com ele ele tem deixado claro que quer levar a sua campanha até a o final do primeiro turno… não houve nenhum avanço nesse sentido”.

A declaração de Caiado vem após o próprio Romeu Zema dizer que não descarta uma aliança com Caiado ainda no primeiro turno. Em um evento com investidores nesta terça-feira, 26, em São Paulo, o mineiro disse que pretende levar sua sua pré-candidatura e campanha “até o final”, mas que está aberto para uma composição com o ex-governador goiano.

“Me dou muito bem com o Caiado […]. Eu gosto dele. No meu governo, criamos um consórcio, com sete governadores, e me dei muito bem com todos, inclusive com o Tarcísio. Goiás e Minas são quase estados gêmeos, com uma semelhança muito grande”, disse.

No entanto, questionado se ele pode ser o vice de Caiado, Zema brincou: “Não pode ser o contrário?”.

O desafio de romper a polarização

O jornalista Euler de França Belém, editor-chefe do Jornal Opção, questionou o ex-governador sobre a dificuldade de consolidar uma alternativa ao atual cenário: “Por causa do Banco Master o pré-candidato Flávio Bolsonaro do PL caiu nas pesquisas… No entanto a polarização entre ele e o presidente Lula da Silva persiste. O que fazer para romper essa polarização?”.

Caiado enfatizou que sua principal tarefa é tornar-se conhecido nacionalmente e provar que tem experiência prática: “Eu tenho vários desafios: primeiro lugar, eu tenho que caminhar muito, trabalhar muito, dar entrevistas como esta… para poder demonstrar que não se governa aprendendo a governar na cadeira da presidência da República… se governa com experiência de resultados”.

O goiano defendeu que o eleitor buscará quem oferece soluções reais contra o crime e a corrupção: “E você vê que em toda a pesquisa quais são os dois primeiros itens que estão lá? … Violência e narcotráfico e o segundo corrupção. E o terceiro aí entra saúde. Então é isso aí, Goiás é um exemplo para dizer que esse modelo pode ser copiado para o Brasil todo”.

Segurança pública e críticas ao governo federal

Mais uma vez, como em outras entrevistas, a segurança foi apresentada como o principal trunfo de sua trajetória. Caiado disse que terá rigor absoluto contra facções criminosas se eleito presidente: “Hora que a mão pesada do Caiado chegar na presidência da República, bandido vai ver que não vai ter espaço dentro do meu governo. Eu vou fazer uma política de que não vou conviver com que bandido faccionado comande nem um metro de terra nesse território brasileiro”.

O ex-governador de Goiás também voltou a criticar presidente Lula da Silva, a quem chamou de conivente com práticas ilícitas: “Presidente Lula é corrupto na essência, na formação, na origem, no método, na maneira de governar, no dia a dia da sua vida”. Para Caiado, a centro-direita deve manter a unidade e respeitar o espólio político de Jair Bolsonaro para garantir a vitória no segundo turno em 2026.

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