O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que, se eleito presidente da República em 2026, pretende encaminhar ao Congresso Nacional um amplo pacote de reformas logo nos primeiros meses de governo. Durante encontro com representantes da indústria, Caiado defendeu mudanças estruturais na economia, criticou o que considera falta de planejamento de longo prazo no país e disse que o próximo presidente terá uma janela curta para reorganizar o Brasil.

Segundo ele, a experiência acumulada no Congresso Nacional o convenceu de que governar depende da capacidade de construir diálogo e maioria política para aprovar medidas relevantes. Caiado lembrou sua trajetória como deputado federal e senador e afirmou conhecer o funcionamento do Parlamento.

“Eu conheço o Parlamento brasileiro, eu vivi o Parlamento brasileiro. Sempre gostei do Parlamento. Ali são discutidos e analisados os temas mais importantes do país. A gente aprende muito com o Parlamento brasileiro”, afirmou.

Para Caiado, uma das principais lições da vida pública é compreender que o presidente não governa sozinho. Segundo ele, é necessário construir pontes permanentes com deputados e senadores para viabilizar mudanças estruturais.

“Você tem que compreender que é apenas um entre 513 deputados e um entre 81 senadores. Isso dá a você uma capacidade única de diálogo. Não pode faltar diálogo”, declarou.

O ex-governador afirmou que o Brasil perdeu oportunidades históricas por não ter adotado políticas permanentes para setores estratégicos da economia. Na avaliação dele, faltaram projetos de longo prazo voltados para indústria, mineração, tecnologia, inovação, energia e agronegócio.

“O Brasil perdeu todas as janelas até agora. Nós precisamos de uma política plurianual para a indústria, para a mineração, para o agro, para a tecnologia e para a inovação”, disse.

Caiado também argumentou que o país dispõe de vantagens competitivas únicas, como a capacidade de produção de alimentos, a disponibilidade de recursos minerais estratégicos e a matriz energética diversificada. Segundo ele, o problema não está na falta de potencial econômico, mas na ausência de liderança e planejamento.

“Não existe outro país que compete conosco em riqueza natural. Não existe outro país que tenha um clima tropical como o nosso. O que falta é liderança para projetar o futuro do Brasil”, afirmou.

Durante o discurso, Caiado disse que um eventual governo precisaria agir rapidamente para evitar o agravamento da situação fiscal. Segundo ele, existe uma janela de apenas 18 a 24 meses para promover mudanças profundas.

“Só temos um prazo de 18 a 24 meses. Por isso, eu não encaminharia apenas uma reforma para o Brasil. Encaminharia todas as reformas necessárias logo no início do governo”, afirmou.

O ex-governador também fez críticas ao atual cenário econômico. Segundo ele, o alto endividamento público, os juros elevados e a insegurança jurídica prejudicam investimentos e dificultam a competitividade da indústria brasileira.

Caiado citou ainda o aumento da carga regulatória e da burocracia como fatores que elevam o chamado custo Brasil. Para ele, a falta de previsibilidade afasta investimentos e compromete a capacidade de crescimento do país.

“Cada hora aparece uma nova regra. Isso aumenta custos e dificulta a vida de quem produz. O Brasil precisa voltar a oferecer segurança jurídica e estabilidade”, declarou.

Ao encerrar a participação, o ex-governador defendeu que o próximo presidente pense além do calendário eleitoral e priorize medidas capazes de produzir resultados duradouros.

“Governar é projetar o futuro. Não se governa pensando na próxima eleição. Governar exige coragem para tomar decisões que garantam o crescimento do país nas próximas décadas”, afirmou.

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