Depois de quatro meses consecutivos de retiradas, a caderneta de poupança voltou a registrar entrada líquida de recursos em maio. Segundo dados do Banco Central, o saldo positivo foi de R$ 2,6 bilhões, indicando uma retomada do interesse dos brasileiros pela modalidade de investimento mais tradicional do país.

Apesar do movimento, especialistas alertam que a segurança oferecida pela poupança não significa, necessariamente, preservação do poder de compra. Em um cenário de juros elevados e inflação ainda acima da meta, outras aplicações conservadoras podem oferecer rendimento significativamente maior.

Ao Jornal Opção, o especialista em finanças e investimentos Fellipe Rabelo avalia que a volta dos depósitos está relacionada ao comportamento mais cauteloso dos investidores diante do cenário econômico. “Com os juros em um patamar elevado, muitos investidores deixam ativos de maior risco e procuram aplicações consideradas mais seguras. A poupança acaba sendo a primeira lembrança porque tem liquidez diária, isenção de Imposto de Renda e faz parte da cultura do brasileiro”, explica.

Segundo ele, o retorno à caderneta não significa, porém, que ela tenha se tornado a melhor alternativa de investimento.

Rentabilidade fica abaixo de outras aplicações

Na avaliação de Rabelo, a principal limitação da poupança é sua rentabilidade. Com a taxa Selic acima de 8,5%, a remuneração da modalidade permanece limitada a 0,5% ao mês, acrescida da Taxa Referencial (TR), o que resulta em um rendimento anual próximo de 6% a 7%. “Esse retorno é muito inferior ao de aplicações como o Tesouro Selic. Enquanto a poupança rende algo em torno de 7% ao ano, o Tesouro acompanha a taxa básica de juros, hoje próxima de 14,25%.”

Fellipe Rabelo é especialista em finanças e investimentos | Foto: Arquivo Pessoal

Embora a inflação acumulada em 12 meses esteja em 4,72%, o especialista observa que o ganho real proporcionado pela poupança é reduzido. “O investidor até preserva parte do patrimônio, mas o ganho acima da inflação é pequeno. Existem investimentos igualmente seguros que oferecem praticamente o dobro da rentabilidade.”

Tesouro Direto aparece como principal alternativa

Para quem busca segurança, liquidez e simplicidade, Rabelo aponta o Tesouro Direto como uma alternativa mais eficiente. “Ele oferece praticamente o mesmo nível de segurança da poupança, liquidez diária e ainda acompanha a Selic. Hoje é possível investir com valores a partir de cerca de R$ 100.”

Segundo ele, a diferença de rendimento ao longo dos anos pode representar uma preservação muito maior do poder de compra do investidor.

Questionado sobre qual perfil de investidor ainda se beneficia da poupança, o especialista foi categórico. “Hoje, quem mais se beneficia da poupança são os próprios bancos, porque captam recursos a um custo baixo para financiar operações, principalmente imobiliárias. Para o investidor, existem alternativas mais vantajosas.”

Na avaliação dele, apenas uma eventual redução significativa da taxa Selic poderia tornar a caderneta novamente competitiva. “Se os juros caírem bastante no futuro, a poupança pode voltar a ganhar atratividade. Mas, no cenário atual, ela não é a melhor opção nem para quem busca investimentos conservadores”, continua.

Reserva de emergência deve ser prioridade

Para quem pretende começar a investir, Fellipe Rabelo recomenda que o primeiro objetivo seja construir uma reserva de emergência antes de buscar aplicações mais rentáveis. “A primeira preocupação deve ser montar uma reserva com liquidez diária, seja em Tesouro Selic, CDB de liquidez diária ou fundos conservadores. Depois disso, o investidor pode começar a diversificar conforme seu perfil”, afirma.

Segundo ele, a diversificação entre diferentes ativos continua sendo a principal estratégia para reduzir riscos no longo prazo.

O especialista acredita que o segundo semestre exigirá maior prudência dos investidores, especialmente por causa do ambiente eleitoral e das incertezas fiscais. “A tendência é de um período de maior volatilidade. Para quem está começando, o mais importante é manter a calma, construir a reserva de emergência e evitar decisões precipitadas. O investidor conservador deve priorizar liquidez e segurança enquanto acompanha a evolução do cenário econômico”, completou.

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