Bolsonaro chama Flávio de “porta-voz” e pede união da direita em carta lida pelo filho
11 julho 2026 às 16h29

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Em meio à crise que expôs publicamente um racha na família Bolsonaro e dividiu aliados do PL, o ex-presidente Jair Bolsonaro fez neste sábado, 11, um gesto para tentar unificar o grupo político. Em uma carta lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro declarou apoio ao filho como pré-candidato à Presidência da República, classificando-o como seu “porta-voz” e pedindo que a direita deixe as divergências de lado.
No texto, o ex-presidente afirma que Flávio representa a “melhor opção” para combater a corrupção, a violência e o que chamou de empobrecimento do país.
“O momento é de arregaçar as mangas e deixar de lado possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento”, escreveu Bolsonaro.
Na sequência, o ex-presidente reforça que confia no filho para conduzir o projeto político do grupo.
“Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e prosperidade.”
Ao comentar a carta, Flávio agradeceu a confiança do pai e afirmou que a escolha dele como porta-voz ajuda a evitar mensagens contraditórias dentro do bolsonarismo.
“Muitas pessoas parecem que estão boicotando até a candidatura, esperando o momento certo para vestir a camisa do Bolsonaro e ir para a rua para resgatar o Brasil. Quero agradecer por estar me colocando como seu porta-voz. Isso é muito importante para evitar que existam falas conflituosas ou direções diferentes”, afirmou.

Carta é divulgada após crise com Michelle
A manifestação de Jair Bolsonaro ocorre poucos dias depois de uma das maiores crises públicas envolvendo a família desde o início do movimento bolsonarista.
No fim de junho, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais relatando ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio durante discussões sobre decisões políticas do PL. Segundo ela, o senador teria dito que ela não deveria interferir nas definições partidárias.
O episódio abriu uma disputa interna pelo comando político do grupo e provocou forte repercussão entre apoiadores. Depois da publicação, Flávio divulgou um vídeo pedindo desculpas e afirmou que nunca teve a intenção de ofender Michelle.
Dias depois, um novo atrito surgiu quando Michelle compartilhou um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho sobre supostas festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Flávio reagiu dizendo que a madrasta estava “completamente desinformada”.
Em meio ao desgaste, Michelle deixou a presidência do PL Mulher após acordo com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
Tentativa de unificação
Nos bastidores, dirigentes do PL admitem que a crise provocou desgaste entre diferentes alas do partido, principalmente entre o eleitorado feminino e evangélico, base em que Michelle mantém forte influência.
Na semana passada, Valdemar Costa Neto confirmou que Michelle e Flávio deixaram de se falar após a troca de acusações e defendeu que o partido encerre os conflitos internos antes da convenção nacional da legenda, marcada para 25 de julho.
A carta divulgada neste sábado é interpretada como uma tentativa de Jair Bolsonaro de reafirmar a liderança de Flávio na disputa presidencial e reduzir as disputas internas que vêm marcando a pré-campanha do PL para as eleições de 2026.
Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar após ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
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