Audiência pública na Câmara Municipal denuncia despejos irregulares em ocupações de Goiânia
20 maio 2026 às 13h29

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A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Goiânia nesta quarta-feira, 20, discutiu despejos em quatro ocupações urbanas da Capital. Moradores relataram medo constante, insegurança e sensação de abandono diante de ações da prefeitura consideradas arbitrárias por movimentos sociais, parlamentares e entidades de direitos humanos.
Convocada pelo vereador Fabrício Rosa (PT), a audiência discutiu a situação de comunidades como Estrela D’Alva, Solar Ville, Vale Verde, Zumbi dos Palmares, Terra Prometida, Paulo Freire e Alto da Boa Vista. O encontro reuniu representantes da Defensoria Pública, movimentos populares, pastoral da moradia e moradores atingidos pelas notificações de despejo.
Durante a abertura, Fabrício Rosa criticou o modelo urbano de Goiânia e afirmou que a cidade foi construída historicamente a partir da desigualdade social e da especulação imobiliária.
“O tempo da especulação imobiliária, o tempo onde o aluguel social não chega ao povo, o tempo onde a prefeitura de Goiânia não possui política municipal de aluguel social, esse tempo está acabando”, afirmou. “Esse tempo será superado com a nossa união, com a nossa força e com a nossa luta.”
O vereador também defendeu a legitimidade das ocupações urbanas. “Eu ainda vejo gente falando invasão. Não é invasão. Nós temos direito à moradia, nós temos direito à terra, nós temos direito de ocupar a terra para plantar, colher e cuidar dos nossos filhos”, declarou.
O deputado estadual Mauro Rubem relacionou as ações recentes a um histórico de violência fundiária em Goiás e citou o caso do Parque Oeste Industrial. “O poder público tem toda disposição e raiva contra o povo trabalhador que ocupa algum lugar para morar”, afirmou. “Novos crimes estão em curso.”
Mauro Rubem também afirmou que os despejos administrativos representam um “escalabro” e reforçou apoio às comunidades ameaçadas. “Contem com o nosso mandato. Vamos firme nessa luta por uma cidade justa, uma cidade que inclua todos nós.”
Um dos relatos mais fortes da audiência veio do morador Aurélio Monteiro, representante da Ocupação Estrela D’Alva, que descreveu o clima de medo após notificações recebidas pela comunidade.
“Você escuta barulho de patrola, de caminhão, você não consegue dormir direito, você não consegue comer direito”, relatou. “O que preocupa a gente é sair um pouquinho e voltar sem ter mais casa, sem ter mais os animais esperando a gente.”
A defensora pública Carolina de Carvalho Birro afirmou que a Defensoria Pública conseguiu uma liminar suspendendo qualquer tentativa de desocupação imediata na Estrela D’Alva e criticou medidas sem contraditório.
“As obras não podem gerar pessoas em situação de rua”, afirmou. “A proteção do patrimônio público não pode ocorrer em detrimento do direito à moradia.”
Ela explicou que a Defensoria atuará para garantir mediação e ampla defesa antes de qualquer remoção.
“Independentemente se é área pública, privada ou de preservação ambiental, os direitos precisam ser equilibrados.”
Representando o Movimento de Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), Adriana afirmou que os despejos administrativos se tornaram rotina nas ocupações urbanas da capital.
“A única resposta que essas famílias recebem é violência”, disse. “É desumano receber polícia e patrola de madrugada derrubando a sua casa sem diálogo e sem aviso prévio.”
Ela também criticou o aluguel social pago atualmente pelo município. “R$ 300 ou R$ 600 não pagam aluguel em Goiânia. Isso não resolve a falta de moradia.”
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