“Se em agosto não tiver acontecido o que foi acordado, a greve retorna”, diz Bia de Lima sobre greve da educação
20 maio 2026 às 07h40

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*Colaboração de João Reynol
A greve dos servidores da educação em Goiânia foi suspensa após intensas negociações realizadas com o Tribunal de Justiça, Ministério Público, Secretaria de Educação, Secretaria de Desenvolvimento e Procuradoria da Prefeitura. A decisão foi tomada pela categoria em assembleia, que aprovou a suspensão com prazo definido para cumprimento das medidas acordadas.
Segundo a presidente lincenciada do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima (PT), ficou estabelecido um período de 30 dias para a construção do plano de carreira, que deverá ser encaminhado à Câmara Municipal e entrar em vigor já em agosto, refletindo na folha de pagamento dos servidores.
“Esse é o grande clamor de uma pauta que se arrasta há mais de três, quatro anos. A tabela hoje dos técnicos administrativos da educação é horrível. Conseguimos nesse processo definir prazos claros para que o plano seja implementado”, afirmou.
A dirigente destacou que a categoria compreendeu a importância da negociação e votou pela suspensão da greve, mas deixou claro que, caso o acordo não seja cumprido, o movimento retorna no início de agosto, impedindo o início do segundo semestre letivo. “Se em agosto não tiver rolado o que foi acordado, a greve retorna”, reforçou.
E entre os pontos garantidos, está a não aplicação de retaliações, como corte de ponto ou ameaças aos grevistas. Além disso, o acordo prevê a convocação dos aprovados em concurso, o pagamento do piso do magistério, a retomada das progressões e titularidades, e a valorização do período de 1 ano e 7 meses que havia sido congelado na gestão anterior. Esse impacto será discutido nas mesas de negociação durante o prazo estabelecido.
Sobre o retroativo do piso, Bia de Lima explicou que não houve inclusão no projeto de lei e que o tema será tratado judicialmente pelo Sintego. Já em relação às progressões de carreira, a dirigente afirmou que, até o momento, as ações têm sido individuais, mas que a expectativa é resolver a questão coletivamente nas negociações em andamento.
Categoria da Educação Suspende Greve Após Acordo Mediado pelo Tribunal de Justiça
A presidente do SINTEGO, Ludmylla Morais, afirmou que a suspensão da greve foi aprovada após uma mediação no Tribunal de Justiça, já que até então a prefeitura não havia apresentado propostas concretas nem mantido diálogo efetivo com a categoria. “A prefeitura está avançando e a categoria precisava assinalar uma espécie de bandeira branca. Então, nós votamos hoje a suspensão da greve”, declarou. Segundo ela, ficou acordado que, em até 30 dias, será apresentado um plano de carreira construído coletivamente por uma comissão oficializada por portaria, com previsão de implementação a partir de agosto. “Nesse mesmo período vão anunciar a data-base e vão anunciar como serão pagas as progressões. E o piso já está na Câmara”, destacou Ludmylla, acrescentando que haverá duas assembleias em junho para acompanhar o cumprimento do acordo.

A dirigente sindical ressaltou que a confiança da categoria não está diretamente na administração municipal, mas no acompanhamento do Tribunal de Justiça. “Eu não estou acreditando na administração. Estou acreditando no processo judicial”, afirmou. Ela lembrou que acordos firmados em 2023 e 2024 foram cumpridos e garantiu que, caso o pacto não seja respeitado, os trabalhadores estarão respaldados para retomar a greve em agosto. Ludmylla também criticou os baixos salários dos servidores administrativos da educação. “Os administrativos hoje recebem menos que o mínimo. Recebem complemento salarial para chegar no mínimo”, disse. Segundo ela, existe espaço fiscal para implantação do plano de carreira e a mobilização seguirá vigilante para garantir avanços concretos para a categoria.
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