Após repercussão negativa, deputados goianos recuam sobre proposta que pode adiar fim da escala 6×1
24 maio 2026 às 11h25

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A repercussão negativa nas redes sociais e entre trabalhadores levou deputados federais de Goiás a recuarem do apoio a uma emenda que poderia adiar para 2036 o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. O movimento ocorreu após a proposta ganhar visibilidade nacional e provocar críticas de sindicatos, eleitores e parlamentares da oposição.
O deputado federal José Nelto (União Brasil-GO) afirmou ao Jornal Opção que a assinatura atribuída a ele na emenda ocorreu por um “erro do gabinete”. Segundo o parlamentar, ele não teria autorizado formalmente o apoio ao texto que amplia o prazo de transição das novas regras trabalhistas. Já o deputado federal Dr. Zacharias Calil (MDB-GO), que é pré-candidato ao Senado, também retirou a assinatura após a repercussão negativa do caso. Daniel Agrobom (PSD) também retirnou assinatura.
Procurados pelo Jornal Opção no dia que a proposta foi protocolada, os parlamentares não responderam aos questionamentos. O espaço segue aberto para manifestações.
A proposta foi apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS) dentro da PEC 221/2019, que discute alterações na jornada de trabalho no país. Entre os pontos da emenda estavam a criação de uma transição de dez anos para o fim da escala 6×1 e a possibilidade de ampliação da carga horária semanal para até 52 horas, além da redução de encargos trabalhistas pagos pelas empresas.
Nos bastidores políticos, aliados avaliam que o desgaste ocorreu principalmente porque o debate sobre redução da jornada ganhou forte apoio popular nas redes sociais, especialmente entre trabalhadores jovens e setores ligados ao comércio e serviços.
Em Goiás, apenas dois deputados federais assinaram originalmente a proposta ligada ao fim da escala 6×1: Adriana Accorsi (PT) e Rubens Otoni (PT), ambos favoráveis à discussão da PEC. Já parlamentares que apoiaram o adiamento da tramitação passaram a enfrentar pressão pública após a divulgação dos nomes.
O Jornal Opção tentou contato com outros deputados goianos que votaram a favor do adiamento da votação, mas apenas José Nelto e Glaustin da Fokus atenderam às ligações. O espaço segue aberto para manifestação dos demais parlamentares.
A expectativa em Brasília é que o deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA) apresente já na próxima segunda-feira (25) o relatório da comissão especial criada para analisar a proposta. Para que a PEC avance oficialmente na Câmara dos Deputados, são necessárias ao menos 171 assinaturas de parlamentares. Até o momento, o texto conta com 71 apoios.
O debate sobre o fim da escala 6×1 se tornou um dos temas trabalhistas mais discutidos do país nos últimos meses. Defensores da proposta argumentam que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, enquanto setores empresariais alertam para possíveis impactos econômicos e aumento de custos para empresas.
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