Goiás quer criar um “consultor financeiro por IA” para microempresas
13 julho 2026 às 10h34

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A inteligência artificial criada pela GoiásFomento para acelerar a concessão de crédito tem uma ambição muito maior do que reduzir a burocracia. Batizada de ZAIA, a plataforma deverá atuar como uma espécie de consultora permanente dos empreendedores goianos, monitorando indicadores do negócio mesmo após a liberação do financiamento e sugerindo ações para aumentar as vendas, corrigir falhas e evitar prejuízos.
A proposta foi detalhada pelo presidente da GoiásFomento, Rivael Aguiar Pereira, durante entrevista ao Jornal Opção. Segundo ele, o objetivo é substituir o modelo tradicional, em que a relação entre instituição financeira e empresário praticamente termina após a assinatura do contrato, por um acompanhamento contínuo baseado em inteligência artificial.
“A ZAIA vai continuar monitorando essa operação e acompanhando a evolução dele. Ela vai analisar cenários, identificar oportunidades de melhoria do negócio, de crescimento e até possíveis ameaças”, afirmou o presidente da agência.
Na prática, a ferramenta deverá cruzar informações econômicas, dados públicos, comportamento do mercado e indicadores do próprio empreendimento para auxiliar tanto empresários quanto técnicos da GoiásFomento.
IA poderá identificar oportunidades antes mesmo do empresário
Segundo Rivael, o conceito vai além da análise tradicional de crédito. A ideia é construir um sistema de “fomento ativo”, no qual a inteligência artificial passa a identificar demandas econômicas em diferentes regiões do Estado e orientar políticas públicas específicas.
Caso a ferramenta detecte, por exemplo, crescimento da demanda por determinado serviço em uma cidade, poderá sugerir a criação de linhas de crédito específicas, programas de capacitação ou consultorias voltadas ao setor.
Além da análise regional, a plataforma deverá acompanhar empresas individualmente. Se identificar que um estabelecimento possui boa reputação, mas baixa presença nas vendas pela internet, poderá recomendar estratégias de expansão digital. Em outro cenário, caso perceba aumento de reclamações em plataformas de avaliação, como o Reclame Aqui, a IA deverá alertar a equipe da GoiásFomento para que um consultor entre em contato com o empreendedor e identifique a origem do problema.
Atendimento humano continuará existindo
Apesar do protagonismo da inteligência artificial, Rivael afirma que a decisão final não ficará exclusivamente nas mãos da tecnologia.
Segundo ele, sempre que houver casos mais complexos ou quando a IA não tiver segurança suficiente para aprovar uma operação, um consultor da GoiásFomento assumirá o atendimento.
“O sistema foi construído para haver uma interação e uma colaboração entre a inteligência artificial e os funcionários humanos”, afirmou.
Ecossistema terá especialistas virtuais
A ZAIA também deverá funcionar como uma plataforma capaz de coordenar diversos agentes especializados em diferentes áreas.
Entre eles estão agentes voltados para análises jurídicas, contábeis, econômicas, climáticas, inovação, turismo, segurança da informação e monitoramento de redes sociais.
Segundo a GoiásFomento, todos esses sistemas trabalharão de forma integrada para oferecer recomendações mais precisas aos empresários e aumentar a eficiência das políticas de crédito.
A expectativa da agência é concluir a implantação completa desse ecossistema em aproximadamente um ano.
Meta é transformar crédito em instrumento permanente de desenvolvimento
Hoje, a maior parte das instituições financeiras limita sua atuação à concessão do financiamento e ao acompanhamento da adimplência do cliente.
A proposta apresentada pela GoiásFomento pretende ampliar esse modelo, utilizando inteligência artificial para transformar o crédito em uma ferramenta permanente de desenvolvimento empresarial.
Se a estratégia alcançar os resultados esperados, Goiás poderá se tornar um dos primeiros estados brasileiros a utilizar IA não apenas para acelerar processos bancários, mas também para acompanhar continuamente a evolução de micro e pequenas empresas financiadas com recursos públicos.



