O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 28, a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) em sua lista de organizações classificadas como terroristas globais. A decisão foi divulgada pelo Departamento de Estado e integra uma série de ações voltadas ao enfrentamento de grupos criminosos com atuação internacional.

De acordo com a nota oficial, assinada pelo secretário de Estado Marco Rubio, a medida entra em vigor imediatamente e abre caminho para que as duas facções também sejam enquadradas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho.

Na avaliação das autoridades americanas, PCC e Comando Vermelho exercem influência além das fronteiras brasileiras e mantêm estruturas capazes de movimentar recursos, drogas e integrantes em diferentes países da América Latina. O documento destaca ainda que os grupos são associados a episódios de violência contra agentes públicos, forças de segurança e civis.

A classificação permite que o governo dos Estados Unidos amplie mecanismos de sanção econômica e financeira contra integrantes das facções e contra pessoas ou empresas que mantenham relações consideradas de apoio às organizações. Entre as medidas previstas estão bloqueio de ativos sob jurisdição americana e restrições a transações financeiras.

O anúncio foi acompanhado de um discurso mais amplo da administração do presidente Donald Trump sobre o combate ao crime organizado transnacional. Segundo o Departamento de Estado, a intenção é dificultar o financiamento de grupos envolvidos em atividades ilícitas e ampliar a cooperação internacional contra redes criminosas que atuam em diversos países.

As duas facções estão entre as maiores organizações criminosas em atividade no Brasil. Com origem em São Paulo, o PCC expandiu sua presença para praticamente todo o território nacional e também para países vizinhos. Já o Comando Vermelho, criado no Rio de Janeiro, mantém forte influência em áreas dominadas pelo tráfico de drogas e possui conexões com rotas internacionais do narcotráfico.

A decisão dos Estados Unidos representa um novo capítulo na pressão internacional contra organizações criminosas brasileiras e pode gerar impactos em investigações financeiras e operações de cooperação entre autoridades de diferentes países.

Leia também: Sancar, empresa alvo de operação no TO, quer gerir pátios do Detran-GO