Os pedidos de internação por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) cresceram 80% em Goiás nos quatro primeiros meses de 2026, chegando a totalizar a 5.224 solicitações de leitos. Ao todo, foram 1.006 em janeiro, 1341 em fevereiro, 1.811 em março e, até a manhã desta sexta-feira, 17, já foram registradas 1.068 solicitações, número que supera o total de janeiro, por exemplo. .

A pressão das solicitações sobre o sistema público de saúde já leva unidades a operarem com 100% de ocupação, com picos de até 112 solicitações em um único dia. Em Goiás, mais de 155 pessoas morreram em decorrência das síndromes respiratórias.

A maior demanda de pedidos se concentra nos municípios mais populosos: Goiânia (1.125), Aparecida de Goiânia (708), Anápolis (404) e Rio Verde (257).

Diante do cenário, o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), protocolou na última quarta-feira, 15, decreto de emergência em saúde pública.

Secretário de saúde Rasível | Foto: Rafael Messias / Jornal Opção

Segundo o secretário de Saúde, Rasível Santos, o principal risco é a saturação dos leitos, o que compromete o atendimento de casos graves. Ele destacou a redução recente da capacidade instalada, com perda de 14 leitos de UTI e 40 de enfermaria clínica.

Na pediatria, a situação é ainda mais sensível. A capital perdeu 22 leitos, sendo 10 de UTI pediátrica no Hospital das Clínicas, seis na rede municipal de Goiânia e seis no Igope. No Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), dos 13.279 atendimentos realizados, 1.618 resultaram em internações — uma taxa de 12,18%. “Esses leitos fazem diferença. Considerando uma permanência média de 9 a 10 dias em UTI, são cerca de 50 crianças graves por mês que poderiam ser atendidas com essa estrutura”, afirmou o secretário.

De acordo com a SES, a antecipação do decreto busca preparar o sistema para o pico sazonal, historicamente registrado em maio. Em 2025, a medida foi adotada apenas em junho, já sob forte pressão assistencial.

Diante do cenário, será reativado o Centro de Operações de Emergências em Saúde. A estratégia inclui ampliar a rotatividade e a remuneração de leitos, além de mobilizar hospitais municipais e filantrópicos para expandir a oferta. “O objetivo é que essas unidades disponibilizem mais leitos e ajudem a reduzir a sobrecarga do sistema”, disse Rasível.

O decreto também orienta os municípios a manterem salas de vacinação abertas em horários estendidos, inclusive em feriados, para elevar a cobertura vacinal, atualmente em apenas 16% entre os grupos de risco.

A subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, recomenda o uso de máscara por pessoas com sintomas gripais e grupos vulneráveis. “Além do uso de máscara, lavar as mãos é fundamental. Outra orientação é evitar levar crianças doentes à escola, pois podem transmitir o vírus para outros menores e adultos”, afirmou.

Segundo a SES, cerca de 70% dos pacientes internados no ano passado não estavam vacinados. As complicações se concentram principalmente nos extremos de idade — crianças de 6 meses a 6 anos e idosos —, além de gestantes.

Entre os principais vírus em circulação estão o rinovírus, o vírus sincicial respiratório (VSR) e a Influenza A (H3N2), responsáveis pela maior parte das internações.

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