Oxford inicia testes em humanos de vacina contra nova cepa do ebola em meio a surto na África
13 julho 2026 às 12h49

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A Universidade de Oxford deu início ao primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina desenvolvida contra a cepa Bundibugyo do vírus ebola, em uma tentativa de acelerar a resposta ao surto que atinge a República Democrática do Congo e Uganda. O estudo avaliará a segurança e a capacidade de resposta imunológica do imunizante em 50 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos.
Batizado de BD-Ebov, o estudo já iniciou o recrutamento de participantes, e a aplicação das primeiras doses deve ocorrer nas próximas semanas, após a autorização dos órgãos reguladores.
A vacina, denominada ChAdOx1 BDBV, foi desenvolvida por pesquisadores do Grupo de Vacinas e do Instituto de Ciências Pandêmicas da Universidade de Oxford. O imunizante utiliza a mesma plataforma de vetor viral empregada na vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Oxford em parceria com a AstraZeneca, tecnologia que ganhou projeção mundial durante a pandemia.
A produção das doses ficou a cargo do Instituto Serum da Índia, maior fabricante de vacinas do mundo. Segundo a instituição, cerca de 620 mil doses já foram produzidas em apenas duas semanas, das quais 4 mil serão destinadas ao estudo clínico inicial.
OMS priorizou vacina para combater surto
Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou que a vacina de Oxford fosse uma das prioridades para testes clínicos no enfrentamento do atual surto de ebola. Além dela, a entidade também selecionou outro imunizante experimental, conhecido como rVSV Bundibugyo, desenvolvido pela Iniciativa Internacional para a Vacina contra a AIDS (IAVI).
O desenvolvimento da nova vacina contará com um investimento inicial de até US$ 8,6 milhões da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), organização internacional voltada ao financiamento de imunizantes contra doenças emergentes.
Próxima etapa será realizada em Uganda
Além dos testes em Oxford, pesquisadores já preparam estudos clínicos em Uganda, que dependerão da aprovação das autoridades locais. A iniciativa envolve parcerias com o Conselho de Pesquisa Médica de Uganda, o Instituto de Pesquisa de Vírus de Uganda e a Unidade de Pesquisa da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.
Caso os resultados da primeira fase sejam considerados positivos, Oxford, o Instituto Serum e a CEPI pretendem avançar para estudos em larga escala, etapa necessária para solicitar autorização de uso emergencial ou aprovação definitiva da vacina.
O objetivo dos pesquisadores é garantir que o imunizante possa ser disponibilizado rapidamente aos países afetados pelo surto, ampliando as ferramentas de combate ao ebola, uma doença altamente letal que provoca febre hemorrágica e continua representando uma ameaça recorrente em países da África Central e Oriental.
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