Entenda como isenção do Imposto de Renda, escala 6×1 e Desenrola 2.0 impactam o país
25 abril 2026 às 21h00

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Desde o segundo semestre de 2025, o governo do presidente Lula da Silva (PT) passou a concentrar esforços em um conjunto de medidas que combina aumento de renda, ampliação do crédito e mudanças nas relações de trabalho.
A estratégia inclui a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, já em vigor, o envio ao Congresso do projeto que propõe o fim da escala 6×1 e a formulação de um novo programa de renegociação de dívidas com participação do Estado, chamado de Desenrola 2.0.
Apresentado como um pacote de estímulo ao consumo e de redução das desigualdades, o conjunto de iniciativas também é interpretado por analistas como uma tentativa de fortalecer a base social do governo em ano eleitoral. Economistas ouvidos pela reportagem divergem sobre os efeitos no médio e longo prazo.
A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda é a medida mais concreta até agora, com promessa de estimular o consumo de baixa renda e melhorar índices sociais. Contudo, deve gerar uma perda fiscal bilionária e elevar riscos macroeconômicos.
Em estimativas oficiais anunciadas pelo próprio ministro da Fazenda à época Fernando Haddad, a renúncia fiscal da isenção do IR é de cerca de R$ 27 bi a 28 bilhões/ano, cerca de R$ 5 bilhões inferior ao primeiro cálculo de R$ 32 bilhões, com a compensação de taxar em 10% lucros e dividendos acima de R$ 50 mil.
Segundo a própria Receita Federal, é insuficiente para cobrir integralmente a renúncia, já que, ainda segundo o órgão, a distribuição de dividendos não é uniforme ao longo do ano. Nos meses de janeiro e fevereiro, a cobrança de 10% de imposto retido na fonte sobre dividendos acima de R$ 50 mil pagos por empresas a pessoas físicas gerou arrecadação de R$ 121,7 milhões aos cofres públicos.
No mesmo período, a tributação também de 10% sobre dividendos enviados ao exterior somou R$ 35,2 milhões, segundo informações da Receita Federal à Reuters. Apesar disso, os dois valores representam uma fatia pequena do total que o governo projeta arrecadar em 2026 com a reforma do Imposto de Renda.
Ainda conforme a Receita, a concessão de isenção beneficia cerca de 16 milhões de contribuintes (cerca de 32% dos trabalhadores), correspondendo a um ganho médio de R$ 350 a R$ 550 mensais para famílias de baixa renda.
Dados oficiais recentes indicam incrementos recordes na arrecadação total, em parte graças a ajustes tributários de alta. Em janeiro/2026 a Receita Federal captou R$325,8 bi (recorde para o mês), alta real de 3,56% sobre jan/2025. Em fevereiro/2026 foram R$222,1 bi, +5,68% real sobre fev/2025. No acumulado jan–fev/2026 a arrecadação foi R$547,9 bi, 4,41% acima da de 2025.

Fim da escala 6×1
Aprovado na CCJ da Câmara nesta semana, o projeto do fim da escala 6×1 (reduzir jornada de 44h para 40h sem corte de salário) deve afetar cerca de 20 milhões de empregos (33% das vagas).
Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam queda potencial de até 2,6% do PIB (cenário imediato a 40h), apesar do argumento governamental de que o setor empresarial suporta o aumento de cerca de 4,7% na folha de pagamento.
A fim da escala 6×1 não gera despesa pública direta, mas elevaria custos trabalhistas. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) calcula +4,7% na folha salarial caso salários sejam mantidos.
O governo argumenta tratar-se de “um grito de liberdade do trabalhador” e acredita em aprovação rápida. Por outro lado, empresários e analistas alertam para custos e desemprego. O estudo da FGV de Daniel Duque simula que, no primeiro ano, o PIB cairia 2,6% (cenário 40h) ou 7,4% (corte a 36h), mesmo assumindo ganhos de produtividade.
Em cenários menos favoráveis, a perda de atividade poderia chegar a 3,3% (40h) e 8,1% (36h). Em suma, a medida reduz a exploração do trabalho, mas pode reduzir horas extras e renda de empresas.
Não há ganhos fiscais diretos: pode até haver maiores despesas se parte dos trabalhadores passar a receber horas extras por trabalhar “um dia a menos”. Em contrapartida, efeitos sociais positivos são esperados (melhora na saúde e no emprego formal).
Internacionalmente, já existe debate semelhante: por exemplo, Equador e Venezuela têm jornada legal de 40 horas, e países como Chile e México planejam reduzir para 40h; a maioria da América Central já usa 44h.
O Brasil (44h) fica em média acima dos vizinhos (Argentina, Paraguai, Peru 48h; países centrais 44–48h). A aplicação do estudo indica que, sem cortes salariais, o fim do 6×1 impõe maior custo de produção que precisa ser compensado por aumento de produtividade ou preços.
O corte de jornada para 40h é comum em países desenvolvidos (por exemplo, a França tem 35h legais) e implantado gradualmente na região.

Desenrola 2.0
No caso da renegociação de dívidas, o programa em fase de estruturação promete descontos de até 80% para famílias endividadas (especialmente cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais), com garantia pública sobre parte dos financiamentos.
Isso aliviaria a pressão sobre a renda familiar (que já atinge um recorde de 80,4% das famílias endividadas, das quais cerca de 29,6% já com dívidas em atraso) e evitaria a inadimplência subir ainda mais.
Entretanto, tais iniciativas criam “contingências fiscais” difíceis de quantificar, caso não sejam compensadas por cortes ou receitas adicionais, podem desestabilizar as contas públicas.
Agências de risco, como Fitch, S&P, Moody’s, destacam que o Brasil terá em 2026 o maior déficit fiscal da América Latina e alertam que só superávits primários robustos podem reverter essa tendência (do contrário, o rating pode ser rebaixado).
Em síntese, a análise das fontes oficiais e independentes indica que, a curto prazo, o pacote de alívio fiscal ao trabalhador deve estimular o consumo das camadas inferiores (reduzindo desigualdade), mas a médio/longo prazo requer avaliação de compensações, ajustes fiscais ou crescimento maior para evitar piora no endividamento público e pressão inflacionária.
Entre as incertezas destacam-se a eficácia das contrapartidas propostas (tributação de rendas altas), o comportamento do Banco Central frente ao choque fiscal e o cenário político-eleitoral.
O programa de dívidas ainda não divulgou estudo de impacto fiscal, mas a motivação do governo é abater dívidas originadas em juros muito altos, como cartão de crédito, oferecendo perdão estatal parcial e crédito facilitado.
As famílias brasileiras estão altamente alavancadas. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 80,4% das famílias estavam endividadas em mar/2026, acima dos 77,1% em mar/2025.
Deste total, 29,6% tinham dívidas em atraso (mais de 90 dias) em mar/26, estável em relação a fev/26. Em média, 12,3% das famílias declararam não ter condições de pagar suas dívidas, levemente abaixo do nível do ano anterior.
A inadimplência concentra-se nas faixas de renda mais baixas. Estudo do IBGE/FGV revela que as famílias com renda até 2 salários mínimos detêm 18,2% do crédito pessoal total, mas 39,3% do crédito rotativo de cartão de baixo valor (juros altos).
A taxa de inadimplência é inversamente proporcional à renda: entre famílias de até 3 salários mínimos, 38,9% já tinham contas atrasadas em fev/26 (e 18,6% sem condições de pagamento), contra apenas 3 em cada 10 inadimplentes nas renda acima de 10 salários.
Nesse cenário, o alívio fiscal e o alargamento de crédito prometidos pelo governo visam especialmente quem vive no limite: “As faixas inferiores tendem a ganhar R$350 a R$550 mensais, em média”, prevê o Ipea.
Embora não haja tabelas oficiais detalhadas por renda, os números ilustram que o estímulo à baixa renda pode reduzir a inadimplência geral, mas a alta atual mantém os juros bancários no teto, limitando o efeito benigno.
Em entrevista, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, revelou que as instituições financeiras poderão ter garantia estatal sobre parte dos novos créditos renovados, ação comparada a um “Desenrola Brasil simplificado”.
Além disso, o governo menciona contrapartidas como educação financeira obrigatória e restrições a apostas/bingos dos beneficiários. O estímulo ao consumo vem da economia no pagamento: se uma família tira 80% de desconto em R$10 mil de dívida, a cada parcela ela pagará 20% daquele valor.
Isso libera renda futura, aumentando consumo. No entanto, o custo fiscal público não é desprezível: suponha 10 milhões de famílias renegociem em média R$5 mil cada, com desconto médio de 50%, a renúncia atinge R$ 25 bilhões.
As garantias do governo criam passivos contingentes equivalentes: se uma família quebrar o acordo, o Fisco paga ao banco restante da dívida. Até agora, a proposta está em negociação com bancos e fintechs. Não há tabela oficial de custo ou público alvo definido.
Bancos privados já criaram linhas próprias de parcelamento, mas essa iniciativa oficial sinaliza segurança para ampliá-las. Em ano de eleição, melhorar a percepção de crédito fácil e reduzido calote ajuda na popularidade do governo.
A perspectiva de crescimento modesto (<2% em 2026, segundo Fitch) combinado com despesas crescentes impõe pressão de longo prazo. A S&P Global mantém rating BB (estável), mas avisa que só superávits primários e reformas profundas evitarão rebaixamento.
Em comunicado recente, a agência diz que, sem reduzir “rigidez orçamentária”, incluindo eventual revisão de benefícios e despesas, haverá acúmulo de dívida mais rápido que o previsto. Moody’s chama atenção ao “fenômeno estrutural” brasileiro: juros altos para segurar inflação, porém déficits primários ainda grandes e déficit nominal pressionado pelo custo da dívida.
Esta combinação mantêm o “prêmio de risco” brasileiro elevado e devem frear cortes de juros futuros, pesando no crédito e no setor imobiliário. O Banco Mundial e o próprio Banco Central ainda não publicaram relatório específico sobre esse pacote, mas já enfatizam a importância de manter equilíbrio fiscal.
Pelo mundo, alguns governos já usaram renegociação em massa após crises. Nos EUA, houve programas de refinanciamento de hipotecas em 2008; na Europa, medidas pontuais de perdão foram feitas para alavancar consumo (por exemplo, perdão parcial de empréstimos estudantis nos EUA).
Líderes do PT defendem o pacote como “justiça social” e revés necessário à alta desigualdade. O Jornal Opção tentou ouvir os deputados federais por Goiás, Adriana Accorsi (PT) e Rubens Otoni (PT), sobre as medidas, mas não conseguiu retorno.

O que dizem os economistas?
Em entrevista ao Jornal Opção, a avaliação do economista Everaldo Leite é de que as medidas, especialmente em um contexto pré-eleitoral, tem potencial para estimular a economia no curto prazo, mas também levanta questionamentos sobre sua eficácia estrutural.
Segundo o especialista, as medidas não formam um bloco homogêneo de política econômica e devem ser analisadas separadamente.
Eu acredito que são três focos diferentes dentro dessa ideia de melhorar a situação do brasileiro. Duas delas têm a ver com a questão mais financeira, e uma delas pretende melhorar a vida do mundo do trabalho, afirmou.
No caso da ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, Leite aponta um efeito positivo sobre o consumo, ainda que limitado. “Essa isenção tem sua importância porque deixa à disposição do contribuinte um valor em dinheiro que pode ser gasto em consumo”, explicou.
O impacto agregado, segundo ele, pode chegar a R$ 25,4 bilhões. “Esse gasto praticamente entra no PIB e ajuda a manter o país em crescimento”, disse, destacando também o chamado efeito multiplicador na economia.
Apesar disso, o economista pondera que o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras pode reduzir significativamente esse impacto. “Você coloca R$ 25,4 bilhões na mão do contribuinte, mas a dívida de pessoas físicas hoje é de meio trilhão de reais”, alertou.
Para ele, a situação é comparável a “colocar água em um tonel que tem um grande vazamento”. Leite também relativiza o potencial de crescimento sustentado a partir dessas medidas.
“As pessoas vão ter um pouquinho a mais de dinheiro no salário, mas se esse dinheiro está sendo usado para pagar dívida, ele alcança pouco consumo”, afirmou. Segundo ele, o efeito tende a ser “substancial, mas não muito significativo” no longo prazo.
O economista chama atenção ainda para o grau de comprometimento financeiro das famílias. “Hoje, cerca de 80% das famílias estão endividadas”, disse, acrescentando que parte dessas dívidas envolve desde crédito tradicional até gastos com apostas.
“A pessoa se endivida no mercado financeiro em benefício da bet e em malefício da sua própria vida”, afirmou, citando impactos também na saúde mental. No que diz respeito ao novo programa de renegociação de dívidas, Leite destaca que a proposta de uso de até 20% do FGTS para quitar débitos pode aliviar a inadimplência, mas traz riscos.
“Você cria uma situação para salvar a pessoa endividada, mas ao mesmo tempo abre espaço para que ela se endivide novamente”, afirmou. Ele aponta o chamado “risco moral” como um dos principais problemas.
“Se você não resolve o problema real, que é o da renda, a pessoa pode voltar a se endividar”, disse. Para o economista, a medida pode beneficiar o sistema financeiro. “Os bancos vão se sentir mais prestigiados porque vão poder pegar esse recurso do FGTS”, avaliou.
Além disso, Leite critica o uso do fundo como solução imediata. “O FGTS é uma poupança forçada, uma garantia para o trabalhador em caso de demissão”, lembrou. Retirar esses recursos, segundo ele, pode fragilizar a proteção financeira do trabalhador no futuro.
O economista destaca ainda que o problema do endividamento no Brasil é estrutural e passa por renda e educação financeira. “A educação financeira é essencial para que a pessoa entenda que o custo de vida que ela tem é incompatível com a renda”, afirmou. Sem essa mudança de comportamento, “ela vai continuar se endividando, e isso vira uma bola de neve”.

“Descompasso” entre indicadores e realidade
Leite avalia que há um descompasso entre os bons indicadores macroeconômicos do Brasil e a realidade financeira enfrentada pela população. À reportagem, ele afirmou que medidas do governo têm forte influência do calendário eleitoral e podem não resolver os problemas estruturais da economia.
Segundo Leite, apesar de dados agregados sugerirem estabilidade, o cotidiano dos brasileiros revela dificuldades. “Se a gente olhar para os números macroeconômicos, o Brasil está até bem. Mas os números microeconômicos, das finanças das pessoas, estão horríveis. Então, a economia não está bem, porque as pessoas não estão bem financeiramente”, afirmou.
O economista destacou que há uma diferença clara entre a percepção oficial e a experiência da população.
Você tem o que o governo fala e você tem o que o cidadão sente. São duas categorias diferentes, disse.
Para ele, esse contraste evidencia que o crescimento econômico não tem se traduzido em melhoria concreta na vida da maioria. Leite também apontou que o contexto eleitoral influencia a adoção de medidas econômicas.
“Eu acredito que existe um certo desespero em função de ser um ano eleitoral. E, em ano eleitoral, tenta-se fazer qualquer coisa para criar uma situação em que o governo fique bem”, afirmou. Ele pondera que, embora as iniciativas busquem aliviar o endividamento das famílias, o impacto pode ser limitado diante da situação financeira já fragilizada da população.
Para Leite, a revisão da escala de trabalho 6×1 exige discussão mais aprofundada e não deve ser tratada de forma generalizada. “Não houve uma discussão mais bem elaborada sobre a complexidade dessa situação no mercado de trabalho”, afirmou.
Ele ressalta que diferentes categorias seriam impactadas de formas distintas. Como exemplo, citou trabalhadores do setor de serviços, como garçons. “O garçom não quer que isso acabe, porque ele recebe em cima disso. Se reduzir o tempo de trabalho, vai reduzir a renda dele. O governo vai repor isso? Não vai”, disse.
Por outro lado, reconhece que há segmentos que poderiam se beneficiar da mudança, especialmente aqueles com jornadas intensas e pouco tempo de descanso. Ainda assim, defende que a análise seja feita por setor. “Tem que levar isso para o nível das categorias. Não é algo generalista”, afirmou.
Leite também chamou atenção para transformações recentes no mercado de trabalho, com crescimento de atividades informais e autônomas. Ele citou trabalhadores por aplicativo, diaristas e empregados domésticos como exemplos de categorias que não seriam diretamente contempladas por mudanças na legislação tradicional.
“O mundo do trabalho hoje é muito mais complexo e desvinculado da CLT. Muita gente trabalha por conta própria. Então, não dá para colocar todo mundo no mesmo bloco”, disse.
Para o economista, a falta de consenso sobre o tema no Executivo e no Legislativo reforça a necessidade de debate mais amplo. “Eu não tenho uma visão pronta e acabada para nada disso. Mas o governo também não tem, e o Congresso também não tem”, afirmou.

Efeito dominó na economia
Para Leite, embora haja críticas recorrentes do mercado financeiro, os impactos podem ser mais complexos, e até contraditórios, no médio prazo. Segundo ele, a perda de arrecadação com a isenção não deve, necessariamente, comprometer o equilíbrio fiscal.
“Uma parcela de contribuintes de altíssima renda vai cobrir esses R$ 25 bilhões que foram isentados. Então, eu acho que o equilíbrio vai se manter”, afirma. Ainda assim, reconhece que se trata de uma renúncia fiscal relevante, sobretudo em um cenário de pressão sobre as contas públicas.
O economista também critica a estrutura tributária brasileira, que, segundo ele, penaliza mais os mais pobres. “A nossa tributação é muito ruim. O imposto sobre consumo é muito maior do que deveria ser. Isso sobrecarrega o trabalhador e o consumidor”, diz.
Em contrapartida, ele aponta que, para os mais ricos, a carga tributária tem impacto reduzido. “Uma pessoa muito rica não está preocupada se paga 10% ou 50% de imposto.” Ao comentar os programas de renegociação de dívidas em discussão, Leite demonstra ceticismo quanto à eficácia de iniciativas lideradas pelo governo.
Ele lembra que mecanismos semelhantes já existem no setor privado. “O próprio comércio e os bancos já criam condições para renegociar dívidas, com redução de juros e multas”, explica. Por outro lado, ressalta que o governo historicamente oferece programas de refinanciamento, os chamados Refis, voltados ao empresariado.
“O governo faz isso há muitos anos para empresas que devem ao próprio governo. Mas quando a dívida é com banco, a lógica é outra”, afirma. Na avaliação do economista, medidas que envolvem recursos como o FGTS podem acabar beneficiando mais o sistema financeiro do que os devedores.
“Quando o governo direciona recursos para os bancos, está agradando os bancos”, critica. Ele sugere que bancos públicos, como a Caixa e o Banco do Brasil, poderiam ter papel mais ativo na reestruturação dessas dívidas, mas reconhece entraves.
“Seria uma alternativa, mas há limitações regulatórias e riscos envolvidos”, pondera. Leite chama atenção para um problema estrutural: a cultura de endividamento da população brasileira, agravada pela facilidade de acesso ao crédito.
“As pessoas não têm educação financeira. Elas veem espaço para se endividar e se endividam”, afirma. Ele destaca o caso do crédito consignado, especialmente entre servidores públicos. “O funcionário público está sempre de olho para saber se pode pegar outro consignado. Ele vai se enterrando em dívidas, mesmo ganhando bem”, diz.
O economista também menciona situações extremas, como trabalhadores que pedem demissão para escapar de descontos em folha. “Há casos de pessoas se demitindo para não pagar consignado, porque não sobra nada do salário”, relata.
Apesar de medidas que, à primeira vista, podem estimular o consumo, Leite alerta para riscos de médio e longo prazo. Segundo ele, o aumento da inadimplência pode desencadear um efeito em cadeia negativo na economia.
“Se a inadimplência se torna grave, você tem uma redução brusca no crédito e aumento dos juros”, explica. Esse movimento, segundo ele, impacta diretamente o consumo. “O brasileiro depende muito de crédito. Sem crédito, o consumo cai.”
A retração do consumo, por sua vez, afeta os investimentos e a arrecadação pública. “Se você tem queda no investimento, tem queda na receita do governo e no crescimento do PIB. É um efeito dominó”, afirma.
Para o economista, o principal risco está justamente nesse efeito sistêmico. “Estamos falando de um problema de inadimplência que pode afetar toda a economia”, conclui.

Presidente do Corecon-GO
O Jornal Opção também ouviu a presidente do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon-GO), Adriana Pereira de Sousa. Para ela, as medidas não configuram, necessariamente, uma estratégia plenamente integrada, mas sim um pacote com efeitos distintos.
À reportagem, Adriana explicou que as iniciativas têm objetivos variados e impactos diferentes tanto para a sociedade quanto para as contas públicas. “Cada ação, algumas vão provavelmente fazer vínculo entre si, vai ter gerado resultado sobre a outra. Porém, são ações com objetivos diferentes”, afirmou.
Segundo ela, parte das medidas pode gerar efeitos positivos imediatos para a população, enquanto outras tendem a pressionar a arrecadação governamental. A economista também alertou para o risco de estímulos de curto prazo sem sustentação no longo prazo.
Ao comentar mudanças como a redução da escala de trabalho, ela apontou possíveis distorções no mercado. “Podemos ter um efeito de aumento de emprego e renda, porém, se isso não tiver uma compensação do ponto de vista do resultado do empresário, pode acontecer dessa elevação de atividade econômica ser reduzida logo na sequência”, disse.
Sobre a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, Adriana avalia que a medida tem impacto positivo para o consumo. “Do ponto de vista da população é benéfico, porque você acaba liberando valor para a circulação na economia”, afirmou.
No entanto, ela pondera que o efeito fiscal depende da capacidade do governo de compensar a perda de arrecadação. “Se não houver uma compensação num padrão que cumpra essa abertura de mão da receita, poderá acontecer uma redução da arrecadação.”
Segundo a presidente do Corecon-GO, ainda é cedo para medir os impactos concretos da medida. “A gente só vai ter esse resultado de fato a partir do ano que vem”, explicou, destacando que os efeitos completos aparecerão no próximo ciclo de declarações do imposto.
No debate sobre equilíbrio fiscal, Adriana ressaltou que a renúncia de receitas exige ajustes do lado das despesas. “Quando você abre mão de receita, automaticamente, para manter o equilíbrio, você tem que reduzir alguns gastos”, afirmou.
Ela lembra que a isenção pode representar uma perda anual significativa. “O valor gira em torno de R$ 35 bilhões por ano.” A economista também destacou que o debate fiscal não pode ser dissociado da política monetária, especialmente do nível de juros.
“Grande parte do nosso gasto orçamentário é com os juros da dívida”, disse. “Quando há uma redução da taxa de juros, o governo automaticamente reduz também o seu gasto.” Outro ponto abordado foi a proposta de ampliação de programas de renegociação de dívidas.
Para Adriana, a iniciativa pode aliviar a situação das famílias altamente endividadas e evitar impactos mais amplos na economia. “A gente tem um aumento recorde de endividamento. As pessoas estão muito endividadas”, afirmou.
Ela explica que o elevado comprometimento da renda limita o consumo e pode afetar toda a atividade econômica. “Se a população está endividada e não consegue manter sua atividade econômica normal, vai chegar um momento em que as empresas não têm para quem vender.”
Apesar de ver potencial na política de renegociação, Adriana faz uma ressalva: “Existe uma possibilidade de dar certo, porém teria que ter, junto com essa solução, algumas medidas para que essas pessoas não voltem a se endividar novamente”.
A presidente ainda avalia que as medidas podem gerar efeitos colaterais relevantes na economia brasileira. A economista destacou riscos como o aumento do chamado “risco moral”, distorções no mercado de crédito e pressões inflacionárias.
Segundo Adriana, programas de renegociação, como o Desenrola, podem alterar o comportamento dos consumidores ao criar a expectativa de socorro estatal em momentos de endividamento. “A economia é movida a expectativas. Pode gerar na população a percepção de que, quando as dívidas ficarem muito intensas, o governo vai atuar e amenizar a situação”, afirmou.
Para ela, esse cenário reduz o receio de contrair novas dívidas e pode estimular o endividamento contínuo. A economista ressalta que esse fenômeno, conhecido como risco moral, tende a impactar diretamente o custo do crédito.
“Se há uma tendência de que as pessoas vão se endividar e não vão honrar os pagamentos, o crédito fica mais caro. E isso distorce o mercado”, disse. Nesse contexto, ela defende que políticas de renegociação sejam acompanhadas de medidas complementares.
“É necessário vir junto alguma forma de educação financeira mais sólida ou até mecanismos que desestimulem novas dívidas sem necessidade real.” Adriana também chama atenção para o perfil do endividamento no país.
“Muitas vezes são dívidas de cartão de crédito que não são exatamente necessárias. Falta base de educação financeira, de entender orçamento, receita e gasto”, afirmou. Sobre a proposta de redução da jornada de trabalho, a presidente do Corecon-GO reconhece que experiências internacionais apontam ganhos de produtividade.
“As pessoas tendem a produzir mais quando estão mais descansadas. Isso melhora a produção por tempo”, disse. Apesar disso, ela reconhece a preocupação do setor produtivo com o possível aumento de custos.
“Os empresários questionam a possibilidade de incorrerem em maiores custos sem efeito prático equivalente”, explicou. Para Adriana, o impacto depende da capacidade de adaptação de cada setor. A economista também critica a cultura de valorização da presença física no trabalho.
“Às vezes não interessa se o funcionário está produzindo, desde que esteja dentro da empresa. Há casos em que ele resolve o necessário em menos tempo e depois fica ocioso”, afirmou. Segundo ela, mudanças de mentalidade são essenciais.
“É possível trabalhar menos horas e produzir mais, mas isso exige ajustes tanto de empresários quanto de trabalhadores.” Ao analisar o conjunto das medidas econômicas, Adriana alerta para o risco de pressão inflacionária.
“Mais dinheiro na mão da população pode impulsionar a inflação para cima”, afirmou. Ela pondera, no entanto, que nem toda inflação responde à política de juros. “Quando a inflação é de custo, ou seja, ligada ao aumento do custo de produção, juros altos não resolvem, porque não é o consumo que está pressionando”, explicou.
Como exemplo, citou os impactos de conflitos internacionais sobre o preço do petróleo. “Quando há guerra, o preço do petróleo sobe no mercado internacional. Isso afeta diretamente o Brasil e encarece toda a cadeia produtiva”, disse.
Nesses casos, segundo ela, trata-se de um efeito externo. “O juro elevado não combate esse tipo de inflação, porque é um fator exógeno.” Ainda assim, Adriana reforça que a combinação de fatores, aumento de renda disponível e choques externos, pode dificultar o controle inflacionário. “Somado a isso, o aumento de consumo pode, sim, pressionar ainda mais os preços”, concluiu.

A visão da ciência política
Na visão do cientista político Jorge Lima, em entrevista ao Jornal Opção, as medidas têm potencial de influenciar o comportamento do eleitorado, mas também levantam dúvidas sobre seus efeitos estruturais na economia brasileira.
Segundo ele, políticas com apelo direto à população de menor renda historicamente impactam eleições no Brasil. “O comportamento do eleitor é influenciado principalmente por quem depende diretamente dessas medidas, que é justamente a classe que elege qualquer governante”, afirma.
Lima destaca que o uso de políticas com viés populista não é novidade no país. Ele cita como marco histórico a eleição de Eurico Gaspar Dutra, impulsionada por medidas trabalhistas herdadas do governo de Getúlio Vargas. “Ali é o primeiro desenho de medidas populistas para poder eleger”, diz.
Para o cientista político, parte das propostas atuais tem caráter eleitoral, especialmente por serem discutidas em ano de disputa presidencial. “O fim da escala 6 por 1, até certo ponto, é uma medida eleitoreira. Ela está sendo debatida no contexto da reeleição do presidente”, afirma.
No entanto, ele pondera que nem todas as ações têm impacto imediato sobre a popularidade do governo. No caso da ampliação da isenção do Imposto de Renda, por exemplo, o efeito tende a ser limitado no curto prazo.
“A mudança aparece no contracheque, mas é pequena diante do tamanho do endividamento da classe trabalhadora. Não acredito que isso vá alterar muito a opinião pública”, avalia. Já programas de renegociação de dívidas, como o Desenrola, têm maior potencial de impacto político.
“Se atingir milhões de pessoas com mudança real na vida delas, aí sim o governo pode melhorar sua avaliação”, diz. Ele lembra que a primeira versão do programa beneficiou cerca de 15 milhões de brasileiros e movimentou bilhões em renegociações.
Apesar do apelo social, Lima alerta para possíveis efeitos negativos de algumas medidas. No caso do fim da escala 6 por 1, ele aponta riscos inflacionários e de desaceleração econômica. “Ela pode aumentar o custo da produção no Brasil e, segundo a Fundação Getúlio Vargas, reduzir o PIB em até 7%”, afirma.
Por outro lado, o cientista político reconhece que a redução da jornada pode gerar benefícios indiretos. “Hoje, cerca de 4% do PIB está ligado a custos com acidentes de trabalho e adoecimento. O fim dessa escala poderia representar economia nesse sentido”, pondera.
Ele também chama atenção para o peso de problemas estruturais ignorados no debate público. “O país poderia focar mais na corrupção, que custa cerca de R$ 85 bilhões por ano. Se somarmos isso aos custos de doenças ocupacionais, ultrapassamos 10% do PIB”, diz.
Na análise de Lima, o conjunto de medidas indica uma estratégia mais voltada ao centro político do que à base histórica da esquerda. “O governo alimenta o sistema financeiro durante o mandato e, no ano eleitoral, oferece alívio à população. Isso aproxima mais do centro do que da base tradicional do partido”, afirma.
Ele avalia que o próprio presidente passou por uma transformação ao longo da carreira. “O Lula se adaptou. Se tivesse mantido o discurso original, talvez nunca tivesse sido presidente”, diz, ao comparar o perfil atual com o de campanhas passadas.
Apesar das iniciativas, Lima vê um cenário desafiador para o governo. “Do jeito que a economia está, dificilmente o Lula ganhe uma reeleição. Qualquer adversário competitivo tem chances”, afirma.
Para ele, o sucesso político das medidas dependerá menos do anúncio e mais do impacto concreto na vida da população. “No fim das contas, o eleitor responde ao que sente no bolso. Sem mudança real, dificilmente haverá mudança no voto”, conclui.
De acordo com Lima, há uma continuidade histórica entre as estratégias atuais e aquelas adotadas nos primeiros mandatos do petista, especialmente no modo como dialogam com o imaginário do eleitor brasileiro.
Segundo Lima, essas medidas se conectam a uma expectativa recorrente da população por soluções rápidas para problemas estruturais. “O Lula sempre se apresenta com uma medida mágica para resolver problemas crônicos no Brasil”, afirmou.
Para ele, essa dinâmica já estava presente nas eleições de 2002 e 2006 e segue sendo explorada no cenário atual. O cientista político argumenta que esse fenômeno encontra terreno fértil em um histórico de distanciamento entre eleitores e o sistema político.
“O eleitor brasileiro está sempre esperando algum milagre acontecer”, disse. Ele associa esse comportamento à falta de confiança nas instituições e à percepção de que decisões políticas são tomadas por elites, independentemente do espectro ideológico.
Lima também destaca o papel da comunicação política de Lula como um diferencial. “Ele é um cara fascinante”, declarou, ressaltando a capacidade do presidente de criar conexões simbólicas com o eleitorado. “Ele é o cara da picanha e da cerveja que fez o brasileiro, numa eleição, sonhar.”
Ao analisar propostas como o fim da escala 6×1 e programas de renegociação de dívidas, Lima aponta que o ambiente eleitoral influencia diretamente o andamento dessas pautas no Congresso. “Em ano de eleição, todo mundo quer se posicionar. A chance de aprovar sem a discussão necessária é grande”, avaliou.
Por outro lado, ele afirma que há resistência estrutural a medidas que possam afetar interesses econômicos consolidados. “Toda proposta que pretende melhorar a vida das pessoas e dar impacto negativo para a elite financeira e empresarial brasileira, o Congresso esvazia e acaba com ela”, disse.
Na visão do cientista político, o cálculo eleitoral frequentemente se sobrepõe à análise técnica. “A classe política não olha o que é bom ou ruim para a população, ela olha o que é bom ou ruim para o grupo político.”
Embora reconheça potenciais benefícios sociais, Lima alerta para riscos econômicos caso as medidas não sejam acompanhadas de planejamento adequado. “Se não houver amparo suficiente, principalmente para os pequenos, pode aumentar o desemprego”, afirmou.
Ele cita o aumento de custos para empresas como um dos principais desafios. “Se sou uma empresa pequena. Se tiver que contratar mais pessoas por causa da mudança, posso acabar fechando”, exemplificou.
O cientista político sustenta que, historicamente, mudanças estruturais no Brasil tendem a transferir custos para os segmentos mais vulneráveis. “Sempre o pequeno paga essa conta”, disse. Além das políticas públicas, Lima faz uma crítica mais ampla ao funcionamento do sistema democrático no país.
Para ele, o processo eleitoral é influenciado por narrativas e pelo poder econômico. “O voto não é um instrumento que realmente referenda a democracia. O custo de uma eleição é muito alto, e tende a ganhar quem manipula essas narrativas”, afirmou.
Ele também aponta uma polarização que, em sua visão, prejudica a população. “Se alguém perder, vai ser a gente que é pobre”, disse, ao comentar a divisão política no país. Ao final, Lima resume o dilema que, segundo ele, marca o cenário brasileiro: “Na dúvida, fique do lado dos pobres.”

Efeito limitado na popularidade
Na avaliação do cientista político Alberto Carlos Almeida, em entrevista ao Jornal Opção, as iniciativas tendem a ter impacto restrito sobre o comportamento do eleitorado. Para ele, a percepção do eleitor está diretamente ligada à avaliação geral do governo e à sensação concreta de melhora na vida cotidiana.
“Se as pessoas acham que estão consumindo mais, que a vida está melhorando, isso tende a impactar positivamente a avaliação do governo”, afirmou. No entanto, ele pondera que esse cenário ainda não se consolidou no país.
“Você tem inflação controlada e emprego, mas uma parcela importante da população não sente a vida melhorar economicamente.” Para o cientista político, há um elemento central na percepção popular: o acesso a novos bens e experiências.
“Eu sempre resumo assim: as pessoas querem ter acesso a alguma coisa nova, algo que nunca tiveram, ou ampliar o que já têm”, disse. Nesse sentido, ele avalia que as medidas anunciadas até agora não parecem suficientes para gerar esse tipo de mudança mais visível.
“Não tem nenhum sinal de que isso esteja acontecendo.” Almeida destaca ainda fatores que podem limitar os efeitos positivos das políticas, como o alto nível de endividamento das famílias. Ele cita, por exemplo, o crescimento das apostas online.
“Essa coisa das bets, as pessoas endividadas, isso dificulta a melhora da percepção econômica”, afirmou. De acordo com o cientista político, há evidências, tanto em pesquisas quanto em estudos acadêmicos, de que políticas de aumento de renda podem influenciar a popularidade de governos.
Ainda assim, ele considera que o impacto das medidas atuais deve ser modesto. “Pode haver uma pequena melhora de bem-estar, uma pequena melhora de renda, mas nada muito vistoso”, avaliou. Para ele, o cenário até as eleições tende a permanecer relativamente estável.
Entre as iniciativas anunciadas, Almeida vê maior potencial no programa de renegociação de dívidas. “Ajudar a pagar a dívida é, basicamente, colocar dinheiro na mão das pessoas. Com menos dívida, elas poderiam comprar alguma coisa nova”, explicou, embora ressalte que o efeito ainda é incerto. “Talvez leve a isso.”
Ao comparar o momento atual com os primeiros governos de Lula, Almeida aponta uma diferença significativa na capacidade de transformação do consumo. “Naquela época, as pessoas passaram a ter acesso a coisas que não tinham, como celular, viagens de avião, carro”, disse.
Segundo ele, esse movimento perdeu força. “Isso parou de ser ampliado. Mais gente viajou de avião? Sim. Mas quem nunca viajou passou a viajar? Não.” O mesmo, segundo ele, ocorre com outros bens. “Quem não tinha automóvel passou a ter agora? Não.”
Essa ausência de “novidade” no consumo, na avaliação do cientista político, reduz o potencial de impacto eleitoral das políticas atuais. “As pessoas não têm aquela coisa vistosa”, afirmou.
Almeida também avalia que a leitura das políticas econômicas tende a seguir a divisão política já existente no país. “Quem gosta do Lula vai dizer que é política pública boa. Quem não gosta vai dizer que é eleitoreiro”, afirmou. “Isso não tem relevância eleitoral.”

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