Curso de empreendedorismo capacitou 258 mil pessoas

Goiânia está em as 10 melhores capitais do Brasil para empreender

A dentista Andreia Portela atua num mercado pouco explorado em Goiânia: o atendimento domiciliar | Foto: Divulgação

O empreendedorismo no Brasil continua numa subida constante há muitos anos; surgem anualmente novos seminários e palestrantes motivacionais que arrastam multidões para aprender como fazer a empresa crescer mais e continuadamente.

A capital de Goiás, por exemplo, é a oitava mais favorável para empreender no País, segundo dados da Endeavor, uma ONG norte-americana. Os pesquisadores estudaram 14 capitais que possuem regiões metropolitanas com mais de 1% das empresas de alto crescimento no Brasil, aquelas que crescem 20% por três anos seguidos.

Goiânia recebeu nota 7,64 no quesito Ambiente Regulatório, que trata do tempo que se gasta para estruturar uma empresa e os custos para mantê-la aberta.

Diante dessa potencialidade em abrir e encontrar novos espaços no mercado empreendedor, a odontóloga Andréia Portela achou uma janela pouco explorada em Goiânia: a odontologia domiciliar, impulsionada por pacientes mais idosos com poucas condições físicas de se locomover até os consultórios.

A Noblesse Odonto, formalizada em janeiro deste ano, deu novas oportunidades para Andréia chegar a mais pacientes e, consequentemente, expandir seu faturamento mensal ao fugir do abarrotado mercado de consultórios abertos em cada esquina da capital.

O projeto do consultório móvel pairava sob as ideias da dentista há alguns anos, porém não encontrava a força necessária para sair do papel. “Vivia cansada nessa vida de consultório fechado, atendendo planos de saúde e obtendo poucos retornos financeiros”, conta Andréia.

Ao mudar drasticamente para o ramo que desejava seguir, Andréia abriu o consultório móvel, consolidou clientes e expande mensalmente a possibilidade de novos atendimentos.

O segredo para tirar os projetos do papel, de uma forma geral na vida, segundo Andréia, está na determinação pessoal e atitudes efetivas que levem ao fim desejado. A forma como abrir o negócio e as posturas corretas para adotar no crescimento da empresa vieram de um curso chamado “Empretec”, ministrado pelo Sebrae em turmas divididas durante o ano todo.

“O curso do Empretec mudou meu comportamento e me levou a pensar de forma diferenciada. Me ensinou a pensar lá na frente e como as minhas decisões iriam impactar no meu negócio”, explica Andréia Portela.

Leonardo Guerra, Diretor Superintendente do Sebrae em Goiás, diz que a participação das mulheres tem crescido bastante | Foto: Divulgação

Até o ano passado, a dentista possuía uma dívida de R$ 100 mil em dois bancos, que não era paga na data certa. Com o faturamento do consultório fechado, as contas não fechavam positivamente e as parcelas pesavam no bolso. As duas prestações somam R$ 4,3 mil mensais.

O novo modelo de negócio não só ajudou a dentista a pagar o empréstimo conforme o contrato, como deixou a profissional respirar um pouco mais aliviada com os atendimentos mensais.

Empretec

O Empretec é um seminário que proporciona ao participante despertar as atitudes empreendedoras e os motivam a ter visão empreendedora para aperfeiçoar habilidades de negociação e de gestão empresarial, segundo o Diretor Superintendente do Sebrae em Goiás, Leonardo Guerra de Rezende Guedes.

O curso parte da premissa de que quanto mais preparado o empreendedor estiver para enfrentar os desafios do dia a dia de um novo negócio, mais sucesso ele terá.

Segundo Leonardo Guerra, a maior parte das empresas, após participação no Empretec, registou conquistas significativas, como a melhoria no desempenho empresarial; mais segurança na tomada de decisões; ampliação da visão de oportunidades; aumento das chances de sucesso empresarial e, por consequência, reduzindo significativamente as possibilidades de fracasso.

Foram realizados 24 Seminários pelo Sebrae Goiás no ano de 2018, onde 212 empresários e 277 potenciais empresários (489 participantes) puderem desenvolver e aprimorar suas características e comportamentos empreendedores.

“Uma diferença expressiva percebida no público-alvo do seminário, a partir de 2005, é a faixa etária, em que a cada dia são encontrados empreendedores mais novos. Esse fato deve-se à redução, em nível mundial, da empregabilidade identificada nos países”, avalia o analista do Sebrae, Rodson Witovicz.

Satisfação

Segundo a última pesquisa de satisfação e impacto do Empretec, realizada em março de 2018, o participante típico do é um empresário (49,7%), do sexo masculino (63%), de 25 a 34 anos (39,4%), com grau de escolaridade elevado, sendo 43,2% com nível superior completo e 30,2% com pós-graduação. Ainda assim, parte expressiva do público é formada por não empresários (39,5%) que pretendem empreender rapidamente, 75,8%, sendo que 25% a curto prazo em até 2 anos.

A pesquisa mostrou que os empreendedores participantes registraram um acréscimo médio de R$ 24 mil por mês no faturamento de suas empresas. Mais de 90% dos entrevistados confirmaram o aumento dos lucros após a conclusão do seminário e que aplicaram imediatamente o aprendizado em seus produtos e serviços com base nos conhecimentos adquiridos.

“Faz parte da missão do Sebrae fortalecer o segmento que mais gera emprego, tem fôlego para vencer momentos críticos da economia e representa parcela significativa de tudo o que é produzido no Brasil”, diz Leonardo Guerra.

Rodson Witovicz do Sebrae diz que a maioria dos empresários são jovens de 25 a 34 anos | Foto: Reprodução

Como funciona
Durante o seminário, o participante se autoavalia, identificando seus pontos fortes e fracos, e é novamente desafiado a adotar uma postura que reforce suas potencialidades e corrija suas fraquezas.

Nesse contexto, o seminarista é desafiado em atividades práticas, cientificamente fundamentadas, que apontam como um empreendedor de sucesso age, tendo como características comportamentais a busca de oportunidade, iniciativa, persistência, correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, estabelecimento de metas, entre outros.

A metodologia, desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 34 países, é voltada para o desenvolvimento de características empreendedoras e para a identificação de novas oportunidades de negócios.

No Brasil, o curso é realizado exclusivamente pelo Sebrae há 20 anos e já capacitou 258 mil empresários e empreendedores em 11 mil turmas. Em Santa Catarina, por exemplo, foram mais de 25 mil participantes. A média por ano é de 10 mil participantes no seminário.

Os interessados no seminário podem participar das entrevistas para a quarta turma deste ano, entre os dias 8 a 12 de abril. O seminário acontece de 22 a 27 de abril. O investimento é R$ 1.470, que pode ser parcelado no cartão de crédito.

Conteúdo Programático
Durante o Seminário serão trabalhadas as dez Características do Comportamento Empreendedor dos participantes, que são: Busca de Oportunidades e Iniciativa; Exigência de Qualidade e Eficiência; Correr Riscos Calculados; Persistência; Comprometimento; Estabelecimento de Metas; Busca de Informações; Planejamento e Monitoramento Sistemático; Persuasão e Rede de Contatos e Independência e Autoconfiança.

História
A metodologia do Empretec foi desenvolvida nos Estados Unidos nos anos 60 e a ONU incorporou a metodologia em parceria com uma empresa americana nos aos 80. Logo criou o Seminário EMPRETEC. 

No Brasil, o primeiro curso oferecido foi em 1991 em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Sebrae conquistou a execução exclusiva do curso em 1993.

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