Prefeitura prepara pacote bilionário de obras para transformar Goiânia até 2028
23 maio 2026 às 21h00

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A Prefeitura de Goiânia prepara um amplo pacote de obras voltado à mobilidade urbana, infraestrutura, saúde, educação e revitalização do Centro da capital. O anúncio foi feito pelo prefeito Sandro Mabel (UB) durante a posse de novos secretários municipais de Articulação Institucional e Captação (Secap), Danielle Gomes, e da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), Oldair Marinho., realizada em abril deste ano, no Paço Municipal.
Segundo o prefeito, a previsão é investir pelo menos R$ 1,5 bilhão por ano em obras a partir de 2026 e 2027, com recursos obtidos por meio de financiamentos e parcerias com organismos nacionais e internacionais. Somados, os investimentos podem chegar a R$ 4,5 bilhões até 2028.
“Não vai faltar nem projeto e nem dinheiro. O ritmo será bom”, afirmou Mabel ao detalhar o plano de investimentos da gestão.
Mobilidade e infraestrutura concentram maiores investimentos
Entre as principais prioridades anunciadas estão obras viárias para desafogar o trânsito em regiões estratégicas da cidade. A gestão prevê a construção de trincheiras, pontes, passagens e ampliações de corredores viários.
O prefeito citou intervenções na Avenida Perimetral Norte, a retomada de obras paradas, como a ponte da Castelo Branco, além da ampliação da Avenida Leste-Oeste em direção a Trindade e Senador Canedo. A proposta é transformar o eixo em um corredor expresso com sincronização semafórica para melhorar a fluidez do trânsito.
A reestruturação da Avenida Goiás Norte também aparece entre os principais projetos, incluindo duplicações e novas pontes. Segundo Mabel, bairros cortados por córregos, como Jardim América e Parque Amazônia, também devem receber pequenas pontes e passagens para reduzir congestionamentos nas vias principais.
São obras que irão melhorar significativamente o trânsito da cidade, disse o prefeito.

Saúde terá novas UPAs e modernização de unidades
A área da Saúde também aparece como prioridade no pacote anunciado pela Prefeitura. De acordo com Mabel, pelo menos oito novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) deverão ser construídas nos próximos anos, substituindo estruturas antigas consideradas inadequadas para reformas.
Além disso, unidades básicas de saúde passarão por modernização para ampliar a capacidade de atendimento à população. “A saúde vai ser meu foco muito forte”, declarou Mabel.
Educação e tecnologia
Na Educação, a gestão municipal anunciou a construção de oito novos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), além da ampliação de salas de aula e investimentos em tecnologia.
Segundo a Prefeitura, todas as salas da rede municipal já contam com lousas eletrônicas, enquanto cerca de 15 mil tablets estão sendo distribuídos para estudantes. A administração também afirma ter reforçado a qualidade da merenda escolar, com aumento da oferta de proteínas.
Revitalização do Centro
Outro eixo do plano envolve a revitalização da região central de Goiânia. A proposta inclui demolição de prédios abandonados, recuperação de fachadas históricas, melhoria da iluminação pública e incentivo à abertura de novos comércios.
O programa “Morar no Centro” pretende levar cerca de 3 mil famílias para a região, numa tentativa de estimular a ocupação urbana, aumentar a circulação de pessoas e fortalecer a economia local.
“O Centro é o maior hub de transporte coletivo e de internet de fibra óptica, mas está abandonado. Vamos levar gente para lá, e o consumo vai gerar segurança e desenvolvimento”, afirmou Mabel.

Novas licitações e busca por financiamento
Durante o anúncio, a Prefeitura informou que parte das obras já está em fase de preparação para licitação. Segundo Mabel, sete projetos devem entrar em processo licitatório dentro de um conjunto de 19 obras consideradas prioritárias.
Para viabilizar o pacote, a gestão trabalha na contratação de financiamentos junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), Fundo de Garantia e bancos internacionais.
Casa da Mulher, CRAS e UPAs estão entre prioridades da área social
Em entrevistas concedidas à reportagem, a vice-prefeita, Cláudia Lira, e o secretário municipal da Fazenda, Oldair Marinho, detalharam prioridades da gestão e projetos que devem ganhar força nos próximos meses.
Segundo Cláudia Lira, uma das principais obras em fase de retomada é a Casa da Mulher Brasileira, no Setor Goiânia II. O investimento previsto é de cerca de R$ 10 milhões.
“A gente acredita que vai retomar, porque esse é um importante equipamento. Principalmente para a política das mulheres e para a área social”, reiterou.
Ela explicou que a obra sofreu atrasos após problemas com a empresa vencedora da licitação, que abandonou os trabalhos. Agora, a Prefeitura passa pelos trâmites legais para convocação de novas empresas.

Além da Casa da Mulher Brasileira, a gestão também pretende investir na reforma e reestruturação de unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS).
“São unidades muito antigas, muito mal conservadas, e a gente pegou esse desafio com recurso muito escasso. Então precisamos buscar alternativas rápidas e viáveis”, afirmou.
Cláudia também citou problemas herdados de contratos anteriores envolvendo obras da assistência social que não chegaram a ser executadas.
“Parte desse valor tinha sido repassado para a Comurg, mas a obra não tinha sido iniciada”, declarou.
Na saúde, a vice-prefeita confirmou que a Prefeitura pretende iniciar ainda neste ano obras de duas das oito novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) previstas para a gestão.
“A saúde já foi sinalizada como prioridade pelo prefeito Sandro Mabel”, ressaltou.
Ela ainda comentou sobre os estudos para implantação de novos equipamentos voltados ao atendimento de mulheres vítimas de violência, semelhantes aos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAMs).
Existem demandas do Ministério Público para que Goiânia tenha estruturas voltadas especificamente para essa atenção à mulher, alegou.

Drenagem, Marginal Botafogo e mobilidade estão entre focos do pacote
Sobre as obras de macrodrenagem, Cláudia Lira destacou que a Prefeitura trabalha em soluções para minimizar os recorrentes alagamentos na Marginal Botafogo.
“O grande problema é que toda a água é direcionada de forma muito rápida para o Córrego Botafogo, que não comporta. A ideia é fazer obras para minimizar esse escoamento muito forte”, explicou. Ela citou a possibilidade de implantação de piscinões como parte das intervenções planejadas.
Prefeitura busca financiamentos
Já Oldair Marinho afirmou que a melhoria da nota de Capacidade de Pagamento (Capag) do município abriu espaço para novas operações de crédito e financiamentos internacionais.
Agora têm aparecido muitos parceiros, inclusive entidades internacionais, afirmou.
Segundo ele, bancos como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal demonstraram interesse em financiar projetos da capital. “Nós estamos escolhendo quem oferece a melhor taxa, melhor prazo de carência e amortização”, explicou.
O secretário confirmou que o pacote de obras projetado pelo prefeito é considerado viável pela equipe econômica. “Esse número que ele tem colocado é factível. Vai ser realmente investido em torno de R$ 1 bilhão por ano”, declarou.
Entre os principais eixos do pacote estão obras de infraestrutura, macrodrenagem, saúde e mobilidade urbana.

Obras devem atingir trânsito, Centro da cidade, Marginal Botafogo e Leste-Oeste
Oldair citou como prioridades intervenções em corredores viários e obras travadas há anos na capital. “A Leste-Oeste é foco do prefeito, especialmente em trechos da Vila Viana e Nova Vila e o viaduto da Castelo Branco”, afirmou.
Ele também confirmou que obras na Marginal Botafogo seguem entre as principais preocupações da gestão. “Isso está em todas as reuniões. É um problema histórico que precisa de solução definitiva”, disse.
O secretário destacou ainda projetos ligados ao programa Morar no Centro, que prevê revitalização urbana da região central de Goiânia. “Não é só levar população de volta para o Centro. Envolve revitalização, arquitetura e melhoria das condições de vida”, afirmou.
Segundo ele, também estão previstas intervenções em parques e espaços públicos, como a revitalização do Lago das Rosas.

Parte das obras deve contar com recursos do Novo PAC
De acordo com Oldair Marinho, parte dos investimentos previstos deverá receber recursos do Novo PAC. “Nós fomos contemplados com projetos na educação e saúde. Tem UPA e policlínica dentro dessas propostas”, explicou.
Ele ressaltou que várias licitações já estão em andamento e que algumas obras menores já começaram a ser executadas. “Agora é o momento de intensificar. Primeiro foi preciso organizar a casa e elaborar projetos no começo da gestão”, destaca.
Lago das Rosas terá revitalização ampla
A Prefeitura iniciou um projeto de revitalização do Lago das Rosas, um dos parques mais tradicionais da capital. As obras incluem recuperação urbanística, ambiental e estrutural, com novos espaços de convivência, playgrounds, academias ao ar livre, pet places, melhoria da pista de caminhada, reforço da iluminação, drenagem e acessibilidade.
O investimento previsto é de R$ 2,7 milhões, dividido em duas etapas.
O projeto também prevê recuperação de estruturas históricas em estilo Art Déco, reorganização de quiosques e intervenções ambientais, como podas preventivas e substituição de árvores comprometidas. A expectativa da gestão municipal é fortalecer o parque como espaço de lazer, esporte e turismo na região central da cidade.

Pacote pode ajudar Mabel, mas aumenta pressão por entregas, avalia especialista
O anúncio do pacote de obras é visto pelo professor e consultor em comunicação e marketing político, Marcos Marinho, como uma tentativa estratégica de recuperar a imagem da atual gestão. Apesar disso, ele avalia que a iniciativa também aumenta a pressão sobre o prefeito para entregar resultados concretos até 2028.
Segundo Marinho, Mabel enfrenta desgaste provocado principalmente pela forma como conduz as relações políticas e sociais desde o início do mandato.
O primeiro impacto foi muito pesado, muito beligerante, e isso gerou uma indisposição com relação à imagem do prefeito. Então iniciar esse processo agora é o que pode dar a ele a condição de ser reavaliado pela população afirmou.

Relação desgastada
Na avaliação do consultor, o prefeito acumulou dificuldades tanto no relacionamento com a Câmara Municipal quanto com diferentes setores da sociedade.
“Há um descontentamento generalizado e uma falta de interlocução clara com os agentes políticos e os grupos sociais. Agora ele precisa tentar reverter isso já entrando na segunda metade do mandato”, disse.
Para Marinho, o anúncio de obras estruturantes pode funcionar como uma tentativa de deslocar o foco dos problemas enfrentados pela gestão e projetar uma perspectiva mais positiva para os próximos anos.
É uma jogada estratégica no nível da comunicação para tentar resgatar um pouco do brilho do nome do Sandro Mabel. Mas isso também o coloca sob uma lupa. Se ele não entregar essas obras até a eleição, a cobrança vai chegar, ressaltou.
Obras como vitrine política
O especialista destaca que grandes investimentos em infraestrutura costumam ser usados por gestores para melhorar a percepção popular, especialmente em áreas que impactam diretamente o cotidiano da população.
“Todo agente político quer investir onde dá visibilidade. Melhorar trânsito, transporte, saúde e educação é o que chega na percepção do eleitor”, afirmou.
Segundo ele, a expectativa criada durante a campanha eleitoral elevou o nível de cobrança sobre a atual administração. “O Mabel prometeu muito para ser eleito e levantou muito o sarrafo. Até então, ele não está conseguindo corresponder à expectativa que ele gerou.”

Estratégia de sobrevivência política
Marinho também avalia que antecipar o anúncio das obras faz parte de uma estratégia de recuperação de imagem diante da sequência de desgastes recentes enfrentados pela Prefeitura, incluindo a paralisação de servidores da Educação.
“Anunciar obras com tanta antecedência é para gerar um holofote positivo. Ele está vindo de uma sequência de desgastes. Mas isso traz mais responsabilidade. Se não conseguir entregar, a oposição vai explorar isso fortemente”, pontuou.
Na avaliação do consultor, o pacote não deve antecipar o debate eleitoral de 2028, já que as eleições de 2026 devem concentrar a atenção do eleitorado. “Ele pode tentar aproveitar o holofote para se projetar para 2028, mas não vai sequestrar a pauta política de 2026. O eleitor estará focado em deputado, senador, governador e presidente.”
Popularidade em queda
Marinho afirma que a principal dificuldade de Mabel não está apenas na execução administrativa, mas na forma como conduz sua relação com a população e com o meio político.
A indisposição da população com o Sandro Mabel é por conta do comportamento dele. Se ele não melhorar a atitude com relação às pessoas, ele vai continuar sendo mal visto, por mais que entregue alguma coisa.
O consultor destaca que obras públicas costumam provocar transtornos temporários, o que pode ampliar o desgaste caso não haja uma boa comunicação com a sociedade.
“As pessoas convivem com o desconforto das obras. E o comportamento do prefeito não vem sendo acolhido porque ele não busca esse acolhimento da população e nem dos grupos políticos.”

“Hoje é sobrevivência”
Para o consultor, o momento vivido pelo prefeito é mais de recuperação política do que de consolidação de um projeto de reeleição.
“No caso do Mabel, hoje é sobrevivência, não é projeção. Ele precisa melhorar muito a aceitação dele para chegar mais forte lá na frente”, avaliou.
Marinho concluiu afirmando que, sem mudanças na postura política e no relacionamento com a sociedade, mesmo grandes investimentos podem não ser suficientes para reverter o cenário.
O mais grave do Mabel é o relacional. Ele não soube fazer política, não soube trazer a população e a classe política para o lado dele. Se ele não mudar a conduta, vai ser difícil ter carisma suficiente para chegar forte em 2028.
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