Frutas estrangeiras e exóticas ganham espaço entre produtores e consumidores goianos
11 julho 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
Frutas originárias de diferentes partes do mundo estão conquistando espaço no campo e no prato dos goianos. Espécies que até poucos anos eram pouco conhecidas pela maioria dos consumidores, como mirtilo, pitaya, atemoia, lichia, graviola, o mangostim ou mangostão, cherimoia e abiu amarelo, começam a diversificar a fruticultura estadual e abrir novas oportunidades de renda para pequenos produtores. Adaptadas ao clima do Cerrado por meio de pesquisas e do aperfeiçoamento das técnicas de cultivo, essas frutas vêm despertando o interesse de agricultores em diferentes regiões de Goiás.
O avanço ainda ocorre de forma gradual, mas já pode ser observado em municípios como Cristalina, Planaltina de Goiás, Goianápolis, Ouro Verde de Goiás, Gameleira de Goiás, Hidrolândia, Nerópolis e outras cidades do chamado Cinturão Verde. Além da produção para comercialização in natura, muitos produtores têm agregado valor ao negócio com a fabricação de geleias, polpas, frutas congeladas, mudas e até mesmo com iniciativas de turismo rural, ampliando as possibilidades de geração de renda.
A expansão dessas culturas acompanha o aumento do interesse dos consumidores por alimentos diferenciados, associados à alimentação saudável e ao alto valor nutricional. Embora muitas dessas frutas ainda sejam consideradas produtos de nicho, produtores, técnicos e comerciantes afirmam que a procura vem crescendo ano após ano, impulsionando novos investimentos na fruticultura goiana e consolidando espécies como mirtilo, pitaya, graviola, atemoia e lichia entre as principais apostas para diversificar a produção agrícola do Estado.
Apesar desse avanço, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) e a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) informam que ainda não possuem dados consolidados sobre a produção dessas frutas no Estado. Isso ocorre porque o cultivo permanece concentrado, em sua maioria, nas mãos de pequenos produtores, que comercializam a produção principalmente de forma local, diretamente ao consumidor, em supermercados, feiras ou ainda na própria propriedade, dificultando a mensuração oficial da atividade.

Mercado avança com crescimento gradual
A produção de frutas exóticas vem ganhando espaço em Goiás, impulsionada pela procura de consumidores e pelo interesse crescente de produtores rurais. Espécies como atemoia, graviola, lichia e mangostim começam a diversificar a fruticultura goiana, principalmente em municípios do chamado Cinturão Verde de Goiânia, região responsável por grande parte do abastecimento hortifrutigranjeiro do Estado.
Segundo o gerente técnico da Ceasa Goiás, Josué Lopes, a atemoia e a pitaya são as frutas que mais tem despertado o interesse dos produtores nos últimos anos. Embora ainda seja considerada uma fruta de nicho, a aceitação do mercado vem aumentando. “A atemoia está avançando bastante. O produtor percebe que existe demanda e vai ampliando a produção aos poucos. É o mercado quem dita esse crescimento”, afirma. Atualmente, o produto é cultivado em municípios como Goianápolis, Hidrolândia e Nerópolis, além de outras cidades do Cinturão Verde.
Josué Lopes destaca que a comercialização dessas frutas na Ceasa ainda é tímida, e poucos produtores oferecem esses produtos no entreposto, pois a produção no estado ainda é baixa. Além disso, muitos preferem comercializar diretamente com o consumidor final, supermercados ou compradores que adquirem a produção ainda na lavoura. No entanto, Josué avalia que esse mercado está em expansão e vem ganhando força em Goiás.
Josué explica que o crescimento ocorre de forma cautelosa para evitar excesso de oferta. Hoje, a fruta chega a ser comercializada por cerca de R$ 30 o quilo quando vem de outros estados, enquanto a produção local gira em torno de R$ 15 o quilo. “Não adianta produzir um caminhão de fruta se não houver consumidores suficientes. O crescimento precisa acompanhar a demanda”, ressalta. Segundo ele, supermercados e empórios concentram a maior parte das compras, enquanto o consumidor final ainda conhece pouco essas espécies.

Além da atemoia, outras frutas exóticas apresentam potencial de expansão, como a graviola, valorizada pelo uso na alimentação e pelas propriedades medicinais atribuídas às folhas, sementes e polpa, além da lichia, cuja comercialização ocorre principalmente entre dezembro e janeiro.
O gerente destaca que a Ceasa incentiva os produtores a investir em qualidade, classificação, rastreabilidade e apresentação dos produtos para conquistar novos mercados. Ele também reforça a importância do Cinturão Verde, responsável por cerca de 80% dos hortifrutigranjeiros comercializados na Ceasa Goiás e essencial para garantir o abastecimento da região metropolitana, especialmente em períodos de crise, como ocorreu durante a greve dos caminhoneiros.
Produção de mirtilo cresce em Goiás, mas comercialização ainda é desafio
A produção de mirtilo começa a ganhar espaço em Goiás, especialmente na região de Cristalina e em municípios do entorno do Distrito Federal. Segundo a técnica de campo do Senar Goiás, Angelamar Mendes Ferreira, que acompanha produtores da cadeia da fruticultura, a cultura vem sendo desenvolvida principalmente por pequenos produtores, embora ainda ocupe áreas reduzidas.
“O mirtilo tem muita produção no Canadá e nos Estados Unidos. Aqui em Goiás, temos identificado produtores principalmente nos municípios do entorno do Distrito Federal. Muitos são pequenos produtores de assentamentos”, afirma.
De acordo com a técnica, a cultura está presente em Cristalina há aproximadamente cinco anos. A maioria dos produtores cultiva cerca de um hectare, embora alguns já tenham áreas maiores.
Um dos diferenciais do mirtilo é a rapidez na produção. “No primeiro ano já consegue ter fruto”, explica Angelamar. Ela destaca ainda que, com manejo adequado, é possível realizar mais de uma colheita por ano. “Isso depende da poda e da irrigação.”

Manejo exige acompanhamento técnico
Apesar de se adaptar bem ao Cerrado, o mirtilo exige cuidados específicos. A técnica explica que a planta é bastante sensível a doenças, principalmente causadas por fungos, tornando indispensável o acompanhamento especializado.
“O mirtilo é muito sensível às doenças, principalmente aos fungos. O produtor precisa fazer o acompanhamento da irrigação, da fertirrigação e realizar podas de manejo de acordo com a exigência da cultura.”
Segundo ela, o maior investimento está na implantação da lavoura. “As mudas são bem mais caras e o investimento inicial é alto, devido ao valor agregado da cultura.”
Angelamar ressalta que o acompanhamento técnico é essencial para evitar perdas. “Dependendo da doença, é preciso fazer poda drástica, isolar a planta e, em alguns casos, até erradicar e queimar a muda para evitar a disseminação.”
Clima favorece o cultivo em Goiás
Mesmo sendo uma espécie originária de outros países, o mirtilo apresentou boa adaptação às condições climáticas do estado.
“O clima de Goiás adaptou bastante. Não é necessário fazer nada extraordinário, como estufas ou iluminação especial.”
Ela explica que alguns produtores utilizam apenas sombrite branco para proteger os frutos dos pássaros. “É uma proteção mais contra os passarinhos do que por exigência da planta.”

Mercado ainda é o principal obstáculo
Embora a produção esteja evoluindo, a comercialização ainda representa o maior desafio para os produtores goianos.
“Eles têm produção, mas encontram dificuldade para comercializar o fruto in natura”, afirma.
Como alternativa, muitos produtores agregam valor ao produto. “Eles fazem geleias, congelam os frutos ou a polpa e vão comercializando aos poucos.”
Segundo Angelamar, o mirtilo possui maior valor de mercado em relação a frutas mais tradicionais, o que restringe o consumo e dificulta as vendas.
Produção avança para outros municípios
Além de Cristalina, a técnica cita a existência de produtores em municípios como Planaltina, Brazlândia e Formosa. Apesar de a maior parte da produção ainda ser de pequeno porte, algumas propriedades já alcançaram escala comercial. “Existem produções maiores que já conseguem vender para São Paulo, de onde o produto segue para exportação.”

Graviola se adapta bem ao Cerrado, mas exige manejo rigoroso
O técnico de campo do Senar Goiás, Yuri Gabriel Azevedo Batista, que atua na cadeia da fruticultura, afirma que a graviola está bem adaptada às condições do Cerrado e apresenta demanda crescente no mercado goiano. Atualmente, ele presta assistência técnica a uma produtora do município de Gameleira de Goiás, onde a cultura é explorada em escala comercial.
Segundo Yuri, a propriedade possui cerca de 130 pés de graviola. Inicialmente, o pomar contava com aproximadamente 150 plantas, mas parte delas foi perdida em razão do ataque da principal praga da cultura, a broca.
“A graviola é adaptada à nossa região do Cerrado. Em muitas propriedades é comum encontrar um pé aqui e outro ali. Na propriedade que acompanhamos são cerca de 130 pés. Antes eram 150, mas houve perdas causadas pela broca, que é a principal praga da cultura.”

O técnico explica que a broca perfura o tronco da planta, favorecendo a entrada de fungos, bactérias e outras doenças. Outro problema é uma espécie de abelha preta que perfura os frutos para formar colônias, provocando perdas significativas na produção.
Para reduzir os prejuízos, o Senar orienta o uso de proteção individual nos frutos ainda em desenvolvimento. “Quando o fruto está com cerca de cinco centímetros, colocamos um pano de TNT para protegê-lo do ataque dos insetos. Esse manejo tem dado bons resultados.”
Além do controle de pragas, Yuri destaca que a irrigação constante durante o período de estiagem e a adubação periódica são fundamentais para manter a produtividade. Na propriedade assistida, o pomar tem cerca de quatro anos e recebe adubação a cada dois meses com fertilizante 20-0-20, rico em nitrogênio e potássio.
“O nitrogênio estimula a brotação e o desenvolvimento da planta, enquanto o potássio ajuda no enchimento dos frutos. Em uma das últimas visitas pesamos um fruto com 2,8 quilos, mostrando o potencial da cultura quando o manejo é bem-feito.”
O acompanhamento técnico também é importante para o controle de doenças, como a cercosporiose, que reduz a área foliar da planta e compromete a fotossíntese, afetando diretamente a produção.
“É uma cultura que exige investimento e muito cuidado. Sem acompanhamento, o produtor pode ter prejuízos com pragas e doenças.”
De origem na América Tropical, especialmente na América Central e nos vales peruanos, a graviola encontrou boas condições de desenvolvimento no Cerrado brasileiro.
Para Yuri Gabriel, a procura pela fruta vem aumentando em Goiás, tanto que a produtora atendida pelo Senar não consegue suprir toda a demanda do mercado.
“A produção de graviola está crescendo em Goiás. A procura é grande e a produtora que acompanhamos relata que não consegue atender todos os pedidos.”

Mirtilo ganha espaço e se torna alternativa de alta rentabilidade
A produtora Marlene Mendes, de Planaltina de Goiás, apostou no cultivo de mirtilo em 2022, logo após a pandemia, e transformou uma pequena plantação em um empreendimento que reúne produção, processamento, turismo rural e comercialização de mudas. Atualmente, a propriedade conta com cerca de 10 mil plantas e continua em expansão.
Segundo Marlene, a decisão de investir na cultura surgiu após uma longa pesquisa e um planejamento detalhado.
“Começamos em 2022, logo após a pandemia, quando vimos a necessidade de empreender. Compramos duas mil mudas antes mesmo de encontrar a propriedade. Hoje reinvestimos todo o lucro no negócio e já chegamos a dez mil plantas.”
Além da produção do fruto in natura, a propriedade comercializa mudas, frutas congeladas e produtos derivados, como geleias, chás e gelados.
“Acredito que somos a única produtora da região que trabalha toda a cadeia, desde a produção das mudas até o produto final. Estamos descobrindo a enorme versatilidade e o alto valor agregado que o mirtilo oferece.”

A produtora destaca que o mirtilo é considerado um “superalimento” devido às suas propriedades nutricionais e à crescente procura por consumidores que buscam uma alimentação saudável.
“É um fruto rico em nutrientes, associado à melhora da circulação, da imunidade e da saúde cerebral. Muitas pessoas procuram o mirtilo pelos benefícios à saúde e pela qualidade de vida.”
O cultivo começou depois que o marido encontrou informações sobre variedades adaptadas ao Cerrado brasileiro. A partir daí, o casal buscou capacitação técnica antes de iniciar o plantio.
“Quanto mais pesquisávamos sobre o mirtilo, mais nos encantávamos. Procuramos uma consultoria especializada, fizemos um planejamento e decidimos apostar no potencial da cultura.”
Originário da América do Norte, o mirtilo passou por um processo de adaptação ao clima do Cerrado desenvolvido por instituições de pesquisa. “Essa adaptação foi feita pela pesquisa brasileira, o que tornou possível produzir o mirtilo com excelente produtividade aqui em Goiás.”
Logo na primeira safra, a produção surpreendeu. “No primeiro ano colhemos duas toneladas em apenas dois mil metros quadrados, um resultado acima do esperado. Hoje estamos na quarta safra e mantemos uma produção em torno de uma tonelada por ano, enquanto ampliamos a área cultivada.”

Manejo exige investimento e tecnologia
Marlene explica que o cultivo do mirtilo exige técnicas diferentes das culturas tradicionais. As plantas são cultivadas em bolsas de 40 litros preenchidas com casca de arroz, sem contato direto com o solo, e recebem irrigação e adubação por fertirrigação.
“É uma cultura que exige mais investimento e tecnologia. Toda a irrigação é automatizada e os nutrientes chegam à planta pela água.”
Outro diferencial é que toda a colheita é manual, o que torna a cultura especialmente adequada para pequenas propriedades e agricultura familiar. “O mirtilo é ideal para o pequeno produtor. Em uma área reduzida é possível obter boa rentabilidade, mas a colheita é totalmente manual e depende da mão de obra da família.”
Após o plantio, a planta leva entre sete meses e um ano para iniciar a produção. Durante a safra, a colheita é realizada semanalmente por um período de quatro a seis meses.
Mercado aquecido e produção insuficiente
Apesar do crescimento da cultura, Marlene afirma que ainda há poucos produtores de mirtilo em Goiás e a oferta não acompanha a demanda.
“Hoje praticamente tudo o que produzimos é vendido. Muitas vezes preciso comprar frutos de parceiros para atender meus clientes.”
A comercialização é voltada principalmente para Brasília, onde a venda direta ao consumidor oferece maior rentabilidade. “Ainda não consigo atender toda a demanda. Nosso mercado principal é Brasília e tudo o que produzimos encontra comprador.”
Segundo ela, a produção goiana ainda é pequena e bastante dispersa entre municípios como Goiânia, Goianésia, Ceres, Piracanjuba, Posse e Planaltina de Goiás.

Turismo rural fortalece o negócio
Além da produção, a propriedade investe no turismo rural com um passeio guiado durante a época da colheita. A experiência inclui café da manhã, visita ao viveiro, caminhada pelo pomar e colheita dos frutos diretamente da planta.
“As famílias colhem o mirtilo no pé, experimentam a fruta e conhecem todo o processo de produção. É uma experiência que aproxima as crianças da natureza e tem feito muito sucesso.”
Planos de expansão
Sem esconder o entusiasmo com o negócio, Marlene afirma que pretende ampliar a produção e, no futuro, participar do mercado internacional. “Não me arrependo de ter investido no mirtilo. Pelo contrário, temos planos de expansão e o sonho de, um dia, exportar nossa produção.

Pitaya se consolida como alternativa rentável para pequenos produtores
O produtor Antônio Alves, de Ouro Verde de Goiás, apostou no cultivo da pitaya há cerca de dois anos e meio e já vê a fruta como uma das atividades mais promissoras para pequenos produtores rurais. Segundo ele, a decisão de investir na cultura foi motivada por pesquisas que apontavam o potencial econômico da fruta.
“Fizemos pesquisas e concluímos que era um produto economicamente viável. Hoje acredito que, para o pequeno produtor que tem água e uma boa terra, é difícil encontrar outra cultura que dê uma rentabilidade como a pitaya.”
Antes de iniciar o cultivo, Antônio trabalhava apenas com uma pequena criação de gado em sua chácara de cerca de 20 alqueires. Atualmente, possui aproximadamente 30 mil pés de pitaya, cultivados em sistema de espaldeiras com postes de concreto, tecnologia que garante maior durabilidade e produtividade.
“Optamos pelo sistema de espaldeiras com postes de cimento. É uma estrutura que pode durar mais de 30 anos e oferece melhores condições para a produção.”
A colheita ocorre durante aproximadamente seis meses por ano. No entanto, o produtor explica que, com iluminação artificial, seria possível produzir praticamente o ano inteiro, aproveitando o período de entressafra, quando os preços são mais elevados.
“Se tivermos energia elétrica para fazer iluminação, conseguimos produzir praticamente o ano todo. Hoje ainda enfrentamos dificuldades para ligar esse sistema, mesmo depois de um alto investimento.”
Originária de países como Colômbia e México, a pitaya se adaptou muito bem às condições climáticas do Cerrado goiano. “A adaptação aqui foi excelente. O clima quente favorece muito a cultura e Goiás é uma região muito boa para produzir pitaya.”

Alto investimento, mas retorno promissor
Embora considere a atividade altamente rentável, Antônio destaca que o cultivo exige investimentos elevados em infraestrutura, irrigação e implantação do pomar.
“É um investimento alto. Para implantar um alqueire com estrutura completa, irrigação e galpão, investi cerca de R$ 1,7 milhão.”
Mesmo com pouco tempo de produção, os resultados já são positivos. Na primeira safra comercial, a propriedade colheu, em média, 10 toneladas de frutas por mês, durante seis meses. “Já tivemos lucro no primeiro ano de produção, embora ainda estejamos recuperando o valor investido.”
A produção é comercializada principalmente nos mercados atacadistas de Goiânia, Anápolis e Brasília, com preço médio de aproximadamente R$ 10 por quilo. “Toda a produção é vendida para atacadistas. O mercado absorve bem a fruta.”
Consumo cresce e mercado ainda tem espaço
Para Antônio, o consumo de pitaya vem aumentando em Goiás, embora muitas pessoas ainda não conheçam a fruta. “O mercado está em expansão. Muita gente ainda nunca experimentou pitaya, mas quem conhece gosta da fruta e procura novamente.”
Além do sabor, ele ressalta que a pitaya também vem ganhando espaço pelos benefícios à saúde. “É uma fruta muito saborosa e rica em nutrientes. Muitos médicos recomendam seu consumo, principalmente pelos benefícios ao funcionamento do intestino.”
O produtor já planeja ampliar a produção. Parte do pomar ainda é jovem e deverá entrar em plena produção no próximo ano, o que deve praticamente dobrar o volume colhido. “No próximo ano esperamos dobrar a produção. A expectativa é passar de cerca de 10 para até 20 ou 25 toneladas por mês durante a safra.”
Apesar dos planos de expansão, Antônio afirma que pretende continuar investindo exclusivamente na pitaya. “Meu foco continuará sendo a pitaya. É uma cultura que apresenta excelente potencial e ainda tem muito espaço para crescer em Goiás.”

Crescimento da demanda impulsiona produção de pitaya em Goiás
O produtor José Batista Moreira Júnior, de Goianápolis, começou a comercializar pitaya há cerca de cinco anos e, diante do aumento da procura pela fruta, decidiu investir na produção própria há aproximadamente três anos. Atualmente, além da produção na propriedade, ele trabalha em parceria com produtores de outros municípios goianos para ampliar a oferta da fruta.
“Começamos a comercializar a pitaya há cerca de quatro ou cinco anos. Como a demanda foi aumentando e a fruta ganhou espaço no mercado, decidimos investir na produção aqui na região.”
Além da produção em Goianápolis, José Batista mantém parcerias com produtores das regiões de Vianópolis e Nova Veneza, comercializando também a produção dessas propriedades. “Conseguimos formar um mercado. Temos parceiros em outros municípios que produzem e nós fazemos a comercialização da fruta.”
Hoje, a propriedade conta com aproximadamente 4 mil a 5 mil pés de pitaya, distribuídos em uma área entre um e dois hectares. A expectativa é produzir cerca de 50 toneladas por ano.
Segundo o produtor, a cultura acompanha o regime de chuvas do Cerrado. A floração começa no início do período chuvoso e a colheita se estende até o fim das chuvas, com novas floradas ocorrendo sucessivamente ao longo da safra. “A pitaya floresce com o início das chuvas e vai produzindo em ciclos. Depois de uma colheita, logo surgem novos botões florais, garantindo várias colheitas durante a safra.” Cada planta pode produzir entre 15 e 20 quilos de frutos por florada, dependendo do manejo e das condições de cultivo.

Mercado em expansão
Toda a produção de José Batista é destinada ao mercado regional, principalmente por meio da Central de Abastecimento (Ceasa) e de entregas diretas para supermercados. “Hoje comercializamos apenas no mercado local, principalmente pelo Ceasa e diretamente para os mercados.”
Consumo cresce rapidamente
De acordo com o produtor, a pitaya vem conquistando cada vez mais consumidores em Goiás. “Nos últimos dois anos, o consumo praticamente quadruplicou. A fruta está ficando cada vez mais conhecida.”
Apesar desse crescimento, ele explica que o preço ainda limita o consumo em determinados períodos do ano. “Na entressafra, a pitaya fica mais cara e acaba sendo consumida por um público de maior poder aquisitivo. Já durante a safra, com maior oferta, o preço cai e ela se torna acessível para praticamente todos os consumidores.”
José Batista lembra que a pitaya é cultivada em diversos países, tendo o Vietnã como um dos maiores produtores mundiais, além de países como Bolívia, Venezuela e Colômbia. Para ele, o crescimento da demanda indica que a cultura ainda tem grande potencial de expansão em Goiás e no restante do Brasil.

Produção exige dedicação e enfrenta dificuldades
Em Gameleira de Goiás, o produtor Renato Oscarino Oliveira Prado cultiva aproximadamente 1.300 pés de graviola. Segundo ele, a cultura exige cuidados constantes e apresenta grande variação na produtividade, principalmente em função das condições climáticas. Como o pomar não possui irrigação, a produção depende do regime de chuvas e normalmente se concentra entre o período chuvoso e o mês de junho.
Em anos favoráveis, a propriedade já produziu quase 30 toneladas de graviola, mas em períodos de estiagem a colheita caiu para apenas cinco toneladas.
Renato explica que a graviola exige polinização manual, realizada nas primeiras horas da manhã, além do ensacamento dos frutos para protegê-los contra insetos, fungos e outras pragas. Todo esse processo demanda mão de obra especializada, um dos principais gargalos da atividade. “Até hoje não conseguimos encontrar pessoas para trabalhar e nem treiná-las. Se tivéssemos mais mão de obra, conseguiríamos aumentar significativamente a produção”, relata.
Grande parte da produção é comercializada in natura, desde que os frutos apresentem boa aparência. Já aqueles com pequenas imperfeições são destinados à indústria para fabricação de polpas, sucos, sorvetes, cremes e outras bebidas. “A graviola tem uma boa aceitação e é uma fruta bastante versátil. O consumidor está descobrindo novos produtos feitos a partir dela”, destaca o produtor.

Apesar da boa procura em anos anteriores, Renato afirma que o cenário econômico reduziu o consumo da fruta. Segundo ele, muitos consumidores deixaram de comprar frutas consideradas diferenciadas em razão da perda do poder de compra.
O produtor reconhece o apoio técnico recebido do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), mas acredita que o fortalecimento da atividade dependerá da recuperação da economia, do aumento do consumo e da disponibilidade de trabalhadores qualificados para atender às exigências da cultura.
Novos sabores conquistam consumidores
*Com colaboração de Tiago Vechi
O consumo de frutas exóticas tem crescido nas feiras de Goiânia, impulsionado pela busca dos consumidores por novos sabores e experiências gastronômicas. Produtos como pitaia amarela, pêssego americano, nectarina, cerejas e variedades de uvas importadas passaram a chamar a atenção do público e conquistam espaço nas bancas.

A feirante e vendedora de frutas Cíntia Siqueira explica que a variedade de produtos importados aumenta conforme a disponibilidade de cada época do ano. Segundo ela, algumas frutas são consideradas exóticas principalmente pela origem e pelas características de sabor.
“Hoje comercializamos cereja fresca americana, pêssego americano e pêssego espanhol. Cada um tem um sabor diferente, e é isso que torna a fruta exótica. Como não estamos na época do pêssego nacional, ele precisa ser trazido de fora”, explica.
Entre as frutas com maior procura, Cíntia destaca a pitaia amarela como uma das preferidas dos consumidores. “A pitaia amarela tem bastante saída porque é bem docinha e tem um sabor diferente da pitaia tradicional”, afirma. A unidade da fruta chega a custar cerca de R$ 40, enquanto outras opções, como o pêssego americano, podem alcançar R$ 150 o quilo. A comerciante afirma ainda que a procura por essas frutas aumentou nos últimos anos. “Melhorou bastante de uns cinco anos para cá. As pessoas estão mais interessadas em experimentar frutas diferentes.”
Para a consumidora Renata Moraes, a qualidade e o frescor encontrados nas feiras são fatores que influenciam na escolha. “Os sabores são muito bons. A gente compra na feira porque a fruta vem bem fresquinha, e isso faz diferença”, relata. Entre suas preferidas estão o caqui, as uvas e o pêssego. “Eu gosto muito do caqui e das uvas. Também experimentei o pêssego e achei muito gostoso”, conta.
Já a consumidora Marília Camilo diz que a curiosidade por experimentar novos sabores é o principal motivo para incluir frutas diferentes na rotina. “O que me motivou foi o sabor e a vontade de experimentar novas experiências. As frutas são ótimas”, afirma. Ela conta que costuma comprar uma fruta diferente toda semana. “Não compro em grande quantidade, mas sempre levo uma ou duas para conhecer um sabor novo, sem esquecer das nossas frutas tradicionais, como o abacaxi e a banana, que também são maravilhosas.”

O aumento da procura mostra uma mudança no comportamento dos consumidores, que continuam valorizando as frutas tradicionais, mas também estão mais abertos a conhecer variedades de outras regiões e países.
Mudas de frutas exóticas atraem consumidores
O mercado de mudas de frutas exóticas tem ganhado força, impulsionado pelo interesse de consumidores que buscam espécies diferenciadas para cultivar em quintais, chácaras e até em apartamentos. Proprietária do viveiro Pé-de-Flor Garden, Adriana Ancelmo explica que a comercialização é voltada principalmente ao consumidor final e inclui variedades como jabuticaba variegata, amora paquistanesa, mirtilo adaptado ao clima quente, abiu amarelo e cherimoia. Entre os destaques está a jabuticaba variegata, considerada a muda de maior valor do viveiro, comercializada por cerca de R$ 1,5 mil.

Segundo Adriana Ancelmo, todas as espécies vendidas já são adaptadas às condições climáticas do Cerrado goiano, o que garante bom desenvolvimento e produção. “As pessoas compram e depois nos enviam fotos ou marcam o viveiro nas redes sociais mostrando as plantas produzindo. Todas as frutíferas que comercializamos são adaptadas ao nosso clima”, afirma. Ela acrescenta que, embora atualmente a maior parte das mudas seja de revenda, o objetivo é ampliar a produção própria, com foco em frutíferas do Cerrado e variedades raras.
Leia também:
Goiás já registrou mais de 150 terremotos desde 1826; veja qual cidade teve o maior abalo sísmico



