O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira, 17, que o Brasil atravessa um momento político delicado e classificou o ambiente no país como “um pouco perigoso” e “desagradável”. A declaração foi dada após ser questionado pela jornalista Bianca Rothier, da TV Globo, sobre sua conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a cúpula do G7, realizada em Évian, na França.

Questionado sobre a recente decisão do governo norte-americano de enquadrar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, além das tarifas adicionais que Washington pretende impor ao Brasil, Trump afirmou ter tratado do assunto com Lula e avaliou que o cenário político brasileiro está se tornando mais tenso.

“Conversei com ele. O Brasil está se tornando um país politicamente duro, um pouco perigoso. Está meio desagradável”, declarou o presidente norte-americano durante a coletiva.

No início deste mês, os Estados Unidos anunciaram a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida foi oficializada poucos dias após encontros do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro com autoridades norte-americanas, entre elas o próprio Trump e o secretário de Estado, Marco Rubio.

O governo brasileiro reagiu à decisão e afirmou que a classificação pode trazer impactos para a cooperação internacional no combate ao crime organizado, além de abrir espaço para possíveis interferências externas em assuntos internos do país. Lula criticou a medida e a classificou como uma ingerência na soberania nacional.

Durante a entrevista, Trump também se confundiu ao comentar a situação política brasileira. O republicano afirmou que “Bolsonaro Jr.” estaria sendo perseguido ou poderia ser preso, sem especificar a qual integrante da família Bolsonaro se referia.

A declaração misturou informações relacionadas a Flávio Bolsonaro, senador e apontado por aliados como possível candidato ao Palácio do Planalto, e Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que atualmente reside nos Estados Unidos. Segundo a Casa Branca, não haverá esclarecimentos adicionais sobre as falas do presidente norte-americano.

As declarações ocorrem em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, especialmente após a decisão norte-americana de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e discutir novas medidas comerciais envolvendo o Brasil. O tema tem gerado reações tanto do governo federal quanto de integrantes da oposição, ampliando o debate sobre soberania nacional, segurança pública e relações internacionais.

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