Felipe Cardoso
Felipe Cardoso

Walter White não morreu. Entenda por que “Breaking Bad” é uma série brilhante

Desde 2014, “Breaking Bad” está no Livro dos Recordes como a série de televisão mais bem avaliada do mundo

Foto: Divulgação

Faça o teste. Basta escrever “Breaking Bad” no Google e o mecanismo de buscas mostrará a seguinte informação: 96% gostaram desse programa de TV. E não poderia ser diferente. A série mais bem avaliada pela crítica de todos os tempos completou uma década de exibição no início deste ano e, apesar de tanto tempo no ar, continua liderando audiências no Brasil e no mundo.

A trama conta a história de Walter White, um frustrado professor de química – interpretado pelo ator Bryan Cranston -, que, após ter sido diagnosticado com câncer terminal, encontra em seu conhecimento uma forma de proporcionar um futuro digno a seu filho adolescente e a mulher, grávida de uma menina que ele sequer sabe se chegará a conhecer.

Mas vamos por partes. Walter White é um homem frustrado por n motivos. O primeiro deles está relacionado ao químico ter vendido, no passado, a troco de pinga, sua parte na sociedade de uma empresa que viria a valer bilhões de dólares anos depois. Também é preciso lembrar de sua vida monótona e mal remunerada. Em sala de aula, os alunos de Walter demonstram pouco ou nenhum interesse em entender sobre as reações químicas repetidas diariamente pelo docente.

A série produzida por Vince Gilligan possui episódios minuciosamente amarrados. A ligação entre os personagens se encaixam como peças de um quebra-cabeça. Isso pode ser comprovado com a participação de Hank Schrader, cunhado de Walter e interpretado pelo ator Dean Norris. Graças a ele, que é agente da narcóticos e vive se gabando por apreender grande quantidades de drogas em Albuquerque, no Novo México, Walter percebeu o valioso mercado da metanfetamina naquela região.

Pois bem, Walter uniu o útil ao agradável ao perceber que um de seus ex-alunos, Jesse Pinkman, estava envolvido com o tráfico de drogas naquela região. A partir disso, firmou uma parceria com o jovem na tentativa de levantar uma grana extra, se tornando mais tarde um produtor da substância amplamente desejada.

Apesar de muitas explosões e transformações de ambas as partes, a química entre eles não poderia ser tão perfeita. Jesse, apesar do traje maloqueiro e o estilo inconsequente, não passava de um garoto com coração de manteiga em busca de atenção. Já Walter, mesmo se autoafirmando ético, responsável, benevolente, e tudo mais que diz respeito aos bons costumes, permanece a todo tempo incapaz de perceber a tamanha monstruosidade que crescia dentro de si. Parece estranho, mas acredite: melhor dupla não há.

Foto: Divulgação

Eis que, a partir das primeiras experiências com a  produção da droga, Mr. White encontra na ilegalidade dois importantes combustíveis: fonte de renda e fonte de vida. O primeiro é autoexplicativo. Sobre o segundo, cabe uma reflexão. Sua nova rotina por baixo dos panos, além de quebrar os protocolos da vida inerte levada pelo docente à beira da morte, proporciona também novas preocupações, emoções, desafios, contatos, identidades, rivalidades, ocupações, ou seja, vida.

Muitos consideram a série revolucionária e não à toa. Inúmeras publicações já confirmaram que no decorrer das gravações, muitas adaptações foram realizadas, mas nem por isso Gilligan cedeu ao oportunismo de prolongar a história por interesses financeiros. O início, meio e fim da trama apresentada por “Breaking Bad” são claros e não precisam de muito para ser percebido.

Obviamente, esse não foi o único motivo para tanta aceitação popular. Se a ideia de Gilligan era realmente transformar seu protagonista em um antagonista, acertou em cheio. Ao mesmo tempo, os personagens se mantiveram em constante transformação ao longo das cinco fascinantes temporadas de maneira calma e sutil. O episódio final da série contou com mais de 10 milhões de espectadores sedentos pelo desfecho de Heisenberg – pseudônimo usado por Walter no mundo do crime-.

Como na química, a combinação perfeita dos elementos transformaram “Breaking Bad” no sucesso mundial dos últimos anos. A simplicidade e a complexidade se dialogam de forma absolutamente natural e sem artificialismo. Certamente, a obra-prima de Gilligan cravou marcos importantes na história do cinema. Mesmo sem muitas audácias, “Breaking Bad” conseguiu alcançar o que muitas séries, apesar de utilizarem de recursos inimagináveis para impressionar o telespectador, jamais conseguiram. Menos é mais e Gilligan provou isso.

Entre as inúmeras conquistas, podemos enumerar dezesseis Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Globos de Ouro e um Prêmio Escolha Popular. Sem contar que, desde 2014, “Breaking Bad” faz parte do Livro dos Recordes como o seriado mais bem avaliado de todos os tempos pela crítica.

A série tem feito falta não só pelo conjunto de fatores que foram citados anteriormente, mas também pelas inúmeras lacunas deixadas no final. Pinkman, por exemplo, acaba fugindo para uma vida que jamais descobriremos que rumo tomará. O destino da família White e de Marie Schrader também poderia ter sido explorado. Quanto ao velho Walter, sabemos que a história do cinema mundial jamais nos permitirá esquecê-lo. Sobre a figura do anti-herói mais aclamado de todos os tempos, uma coisa é certa: queiram ou não, Heisenberg permanecerá vivo por longas outras décadas. 

Todas as temporadas de “Breaking Bad” estão disponíveis na Netflix. Confira e tire suas próprias conclusões.

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