Academia Goianiense de Letras recebe Ana Cristina di Oliveira e Patrícia Gabriel como membros correpondentes no Projeto Patronos
23 junho 2026 às 12h35

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A cultura goiana viverá um momento especial no próximo dia 24 de junho de 2026, às 9 horas, na Casa de Bariani Ortêncio, situada na Rua 82, nº 565, Praça Cívica, em Goiânia, quando a Academia Goianiense de Letras realizará mais uma edição do Projeto Patronos, iniciativa voltada à preservação da memória literária e ao fortalecimento dos vínculos entre o legado dos grandes nomes das letras goianas e as novas gerações de intelectuais.
A solenidade integra as atividades do Ano Cultural Desembargador Luiz Cláudio Veiga Braga e reunirá acadêmicos, escritores, pesquisadores, educadores, artistas e representantes da vida cultural do Estado.
Na ocasião, as escritoras Ana Cristina Di Oliveira e Patrícia Gabriel serão oficialmente recebidas como Membros Correspondentes da Academia Goianiense de Letras, vinculadas, respectivamente, à Cadeira nº 66, cuja patrona é a poetisa e escritora Irany Wolney Aires, e à Cadeira nº 67, cuja patrona é a escritora Alice Espíndola.
A apresentação das homenageadas será realizada pelo juiz de direito, jornalista e escritor Abílio Wolney Aires Neto, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, da União Brasileira de Escritores de Goiás, da Academia Goiana de Letras e da Academia Dianopolina de Letras.
A participação de Ana Cristina Di Oliveira possui significado especial por sua vinculação à cadeira patronímica de Irany Wolney Aires, importante nome da literatura regional, cuja produção contribuiu para a valorização da cultura e das tradições do antigo norte goiano. O momento adquire dimensão ainda mais simbólica pelo fato de Irany Wolney Aires ter sido mãe de Abílio Wolney Aires Neto, responsável pela apresentação das novas integrantes correspondentes da Academia.
Ana Cristina Di Oliveira construiu uma trajetória que reúne literatura, educação, filosofia, saúde e inclusão social. Professora, poeta e pesquisadora, possui graduação em Fonoaudiologia, Letras e Pedagogia. Também cursou Filosofia até o terceiro ano e encontra-se em fase de conclusão da graduação em Biomedicina. É Mestre em Letras, com estudos voltados para Crítica, Arte e Literatura.
Sua formação inclui especializações em Audiologia Clínica, Fonoaudiologia Hospitalar, Análise do Comportamento, Neuropsicopedagogia, Formação de Professores em Libras e Braille, além de capacitações nos métodos Denver e ABA, reconhecidos internacionalmente no atendimento a pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento. Complementou seus estudos por meio de residência especializada na Universidade Integrada do Brasil.
Na área acadêmica, lecionou disciplinas ligadas à linguagem e à comunicação na Pontifícia Universidade Católica de Goiás e na Universidade Salgado de Oliveira, contribuindo para a formação de profissionais da educação e da saúde.
Sua experiência profissional também merece destaque. Durante quinze anos atuou como fonoaudióloga no Hospital São Lucas, dedicando-se ao acompanhamento de pacientes em situações clínicas complexas. Atualmente realiza atendimentos especializados em UTIs domiciliares, acompanhando pacientes traqueostomizados, pessoas com comprometimentos neurológicos severos, indivíduos com transtornos mentais graves e idosos que necessitam de cuidados contínuos.
Essa convivência permanente com os desafios humanos reflete-se em sua produção literária. Sua obra mais conhecida, Lampejos de Amor, apresenta uma escrita marcada pela sensibilidade, pela espiritualidade e pela reflexão sobre os grandes temas da existência. Publicado pela Edições Conscientecidas, o livro revela uma autora que compreende a poesia como instrumento de encontro humano, esperança e autoconhecimento.
Participante ativa da vida cultural goiana, Ana Cristina tem presença constante em encontros literários, saraus e projetos voltados à valorização da literatura produzida por mulheres, contribuindo para o fortalecimento das letras contemporâneas em Goiás.
Também será recebida pela Academia a escritora Patrícia Gabriel, nome literário de Patrícia Nogueira Braga, autora, editora e incentivadora da formação de leitores e escritores.
Natural de São Miguel do Araguaia, cresceu próxima ao Rio Araguaia, à Ilha do Bananal e aos territórios indígenas Carajás, experiências que ajudaram a moldar sua percepção humanista e plural da literatura. Em seu discurso de ingresso na Academia, recorda que sua formação começou muito antes da publicação dos livros. Aprendeu a ler aos quatro anos de idade e guarda com carinho as lembranças das manhãs de domingo em que lia o jornal para seu pai. Segundo ela, antes da escritora existiu a leitora; antes da leitora existiu a ouvinte das histórias narradas pela mãe. Daí sua convicção de que toda literatura nasce da escuta.
Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás e em Gestão Empresarial pela Uni-Anhanguera, aprofundou seus estudos na Universidade do Livro da UNESP e em programas voltados às grandes obras da literatura universal.
Autora de romances, poesias e ensaios, possui textos publicados no Brasil e no exterior, além de participação em coletâneas e antologias luso-brasileiras contemporâneas. Sua escrita é orientada pela valorização das relações humanas, da cidadania, da inclusão e do diálogo entre culturas.
Entre os conceitos que marcam sua produção intelectual destaca-se a ideia das “Linhas sem Preconceito”, expressão que sintetiza sua defesa da literatura como espaço de acolhimento, respeito e pertencimento. Em seus textos, a palavra surge como instrumento de aproximação entre pessoas e realidades distintas.
À frente da P.G. Editora, desenvolve trabalho voltado à consultoria editorial, revisão textual, publicação de novos autores e democratização do acesso ao livro. Sua atuação ultrapassa a produção literária individual e alcança a promoção de projetos voltados à formação de leitores e ao incentivo à escrita.
Entre essas iniciativas destacam-se os projetos “Bate-Papo com Escritores” e “Literatura e Cidadania”, desenvolvidos em parceria com autores goianos e direcionados a estudantes da rede pública de ensino de Goiânia e da região metropolitana.
Patrícia também tem se dedicado à reflexão sobre autoria e inteligência artificial. Em ensaios recentes, sustenta que a formação do escritor não depende apenas dos livros lidos, mas igualmente das experiências vividas, das observações do cotidiano, dos encontros humanos e das inquietações que acompanham a existência. Embora reconheça a importância das novas tecnologias, defende que a criação literária permanece vinculada à imaginação, à sensibilidade e à singularidade de cada autor.
Sua atuação tem contribuído ainda para o fortalecimento dos vínculos culturais entre países da comunidade lusófona, especialmente Brasil, Portugal, Angola e Cabo Verde, reafirmando a literatura como instrumento de aproximação entre povos.
A vinculação de Patrícia Gabriel à cadeira cuja patrona é Alice Espíndola estabelece um diálogo natural entre duas escritoras que compreendem a palavra como ponte de comunicação, memória e construção cultural.
Ao receber Ana Cristina Di Oliveira e Patrícia Gabriel como Membros Correspondentes, a Academia Goianiense de Letras reafirma sua missão de preservar a herança literária do Estado e incentivar novas contribuições ao pensamento e à cultura goiana.
Mais do que uma solenidade acadêmica, o encontro do dia 24 de junho representa uma celebração da literatura, da memória e da continuidade de uma tradição que encontra nas novas gerações de escritores a garantia de sua permanência. Ao homenagear Irany Wolney Aires e Alice Espíndola e acolher duas autoras de destacada atuação intelectual e cultural, a Academia reafirma seu compromisso com a valorização da palavra, da educação e da cidadania, pilares fundamentais para a construção da identidade cultural de Goiás.



