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O PPS de Porangatu, dirigido por um militar do Exército, faz críticas contundentes ao prefeito Eronildo Valadares. O peemedebista não estaria “dando conta” de administrar o município e, depois de um ano e quatro meses de gestão, não criou uma marca. É o que diz o PPS. Já tem gente pensando no inominável — colocar adesivo no automóvel com os seguintes dizeres: “Volta, Zé Osvaldo!” Um absurdo, é claro. Mas uma coisa é certa: Eronildo não é incompetente (como gestor) e, por isso, pode dar a volta por cima.
Stanley Kubrick ousou dizer que Kazan era “o melhor diretor que temos na América, capaz de fazer milagres com os atores que utiliza”
Pré-candidata a deputada federal, a empresária Magda Mofatto (PR) aposta na candidatura do empresário Joaquim Guilherme (PR), de Morrinhos, a deputado estadual. Com ampla estrutura, Joaquim Guilherme é o mais forte candidato de Morrinhos a deputado estadual. Se divulgar que vai mesmo disputar, o vereador Aluzair Rosa (PP) pode retirar sua pré-candidatura e apoiá-lo. O PMDB de Thiago Mendonça pode apoiar Joaquim Guilherme, ex-presidente do Sindicato do Leite (Sindileite).
No fim da semana passada, o prefeito João Gomes (PT) convidou os vereadores para uma reunião. A maioria –– 18 dos 23 –– atendeu ao chamado e foi à prefeitura. Em pauta estavam os pedidos feitos pelos vereadores em relação a problemas pontuais na cidade, como buracos provocados pelo período chuvoso, excesso de mato, etc. Pelo que consta, a reunião foi produtiva. O vereador Amilton Filho, do Solidariedade, partido da base do prefeito, diz que o relacionamento da Câmara com a prefeitura foi excelente nos últimos anos em muito devido à alta popularidade do ex-prefeito Antônio Gomide. Assim, até o momento, essa boa relação foi transferida para o atual prefeito. “Ainda estamos em lua de mel com o prefeito, pois ele manteve a equipe e o trabalho continua.”
Antes de se desincompatibilizar, Antônio Gomide (PT) enfrentava a questão de que era um prefeito muito bem avaliado –– provavelmente, o gestor com a melhor avaliação do país ––, mas que, num disputa para governador, precisaria ser conhecido fora de Anápolis. Essas pontuações vieram tanto daqueles que não o queriam como candidato como dos aliados, uma vez que, não sendo conhecido, Gomide tem margem para crescer. Lançado como o pré-candidato oficial do PT, Gomide então começou sua trajetória para se tornar conhecido. Além de encontros nas muitas cidades que tem visitado, o ex-prefeito tem marcado presença constante nos veículos de comunicação dessas cidades. A intenção é clara: mostrar a que veio para o povo. Além disso, Gomide tem estado ativo nas redes sociais.
Um dos fatores que causaram a queda das vendas no início deste ano é o fato dos bancos estarem limitando a liberação de crédito para financiar carros
O prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso (PTB), confirmada a candidatura de Joaquim Guilherme, seu arqui-inimigo, vai bancar um candidato a deputado estadual consistente — que pode ser Chiquinho Oliveira (PHS) ou Afrêni Gonçalves (PSDB). Ou os dois. Conta-se que, quando ouve o nome de Joaquim Guilherme, Troncoso tem urticária. O objetivo número um de Troncoso não é eleger um deputado estadual, mas sim derrotar Joaquim Guilherme. A preocupação número dois de Troncoso é contribuir para a eleição do aliado Célio Silveira (PSDB) a deputado federal.
O psicólogo e jornalista Gilberto Alves Marinho criou o Cineclube da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra-Goiás (Adesg). As atividades do Cineclube Adesg-GO terão início na sexta-feira, 2, no Teatro Goiânia, com a projeção do documentário “Razões Para a Guerra”. O intelectual Gilberto Marinho é o delegado regional da Adesg.
Se a direção nacional do PC do B não decretar intervenção em Goiás, bancando políticos sérios e éticos como Aldo Arantes, Fábio Tokarski e Luiz Carlos Orro, o partido, ao menos no Estado, certamente mudará o nome para Partido Capitalista do Brasil.
Ernesto Roller, humilde e racionalista, não gosta de ser chamado assim, mas em Formosa até os aliados do prefeito Itamar Barreto o chamam de “rei do Entorno”. Roller (PMDB), que os eleitores de Formosa chamam de “prefeito”, já pensando em 2016, tende a ser o candidato a deputado estadual mais bem votado do Entorno de Brasília. Os eleitores de Formosa parecem ter uma dívida com Roller, porque não o elegeram prefeito em 2012.
Ao ler na edição online que o Jornal Opção lançaria um moderno e avançado portal, um jornalista, pesquisador na área de história e publicitário escreveu no Facebook: “O que já era bom vai ficar melhor”. O profissional tem razão: trata-se de uma, apesar do desgaste da palavra, revolução. Como diz a publicidade do automóvel Sentra, trata-se de outro portal — inteiramente novo. Não se fez uma plástica, uma mera mudança de design. O Jornal Opção está mais ágil, interativo e acessível. O analista de T. I. Hugo Wantuil, diretor da empresa Renovatio, o jornalista Carlos Willian, que atuou como consultor, e Patrícia Moraes Machado, diretora-editora do Jornal Opção — defensora da filosofia de que a informação deve ser livre e crítica —, são os principais responsáveis pelo projeto. O objetivo é ampliar aquilo que o Jornal Opção sempre faz bem: apurar e analisar os fatos com o máximo de rigor. Mas não basta isto — é preciso comunicar de maneira mais adequada e rápida com os leitores. O novo projeto facilita a vida dos jornalistas e, sobretudo, dos leitores. Pode-se dizer que o novo projeto é um presente para os leitores. Os que usam tablets e smartphones ficarão surpresos com as novas facilidades. “É um mundo novo, tão novo quanto as tecnologias da Apple e, entre outras, da Samsung”, compara Carlos Willian. Carlos Willian diz que o acesso ao jornal já era fácil — há jornais que nem os assinantes conseguem acessar sem certo esforço —, mas agora ficou muito mais fácil e intuitivo. Os leitores, ao assinarem o jornal — gratuitamente —, terão acesso integral a todas as suas páginas. Eles poderão receber as informações no seu e-mail. Quaisquer novas reportagens — ressalte-se que o Jornal Opção tem uma versão impressa, que é semanal, e uma versão online, que é diária, sempre atualizada e “furando” os jornais diários — serão comunicadas imediatamente, em questão de segundos, aos leitores cadastrados. E, com um click, os leitores poderão encaminhar os textos para as redes sociais. O novo layout do jornal aumenta a visibilidade de todas as reportagens e artigos — o que facilita o acesso, a navegabilidade. Mais do que um site comum, trata-se, de fato, de um portal — similar, guardadas as proporções, a outros grandes portais do País. “Nós usamos a plataforma WordPress, sistema de gerenciamento de conteúdo que também é utilizado pelo maior jornal dos Estados Unidos, o ‘New York Times’, pela CNN e pela revista “Forbes’”, afirma Carlos Willian. “É o que há de mais moderno, interativo e intuitivo.” O Jornal Opção está cada vez mais “cosmopolita e universal”, anota Carlos Willian. “O portal do Jornal Opção é um dos mais modernos do País e, seguramente, é o mais moderno de Goiás, e possivelmente do Centro-Oeste.”
Enquanto o prefeito de Formosa vai de “ih tá mar a pior”, desanimado e sempre reclamando de uma dívida faraônica deixada pelos antecessores (e é um fato), os prefeitos de Cristalina, Luiz Carlos Attié, e de Luziânia, Cristovão Tormin, estão dando a volta por cima. Eles são do PSD do deputado federal Vilmar Rocha.
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Jorge Curi e Waldir Amaral: os dois principais narradores esportivos da era de ouro da Rádio Globo. Fotos: Agência O Globo[/caption]
Entre as décadas de 1960 e 1970, embora o País já estivesse mesmerizado pela televisão, a audiência do rádio esportivo era certamente alta. Nas cidades do interior de Goiás, ao menos até 1970, o rádio, sobretudo a Rádio Globo, era dominante. As pessoas ficavam em volta do rádio, quase sempre um gigante, ouvindo tanto notícias quanto jogos de futebol. Jorge Curi, Waldir Amaral, Antônio Porto e José Carlos Araújo eram os craques da narração esportiva. Mario Vianna —“com dois ‘enes’”, frisava — era o comentarista de arbitragem. Sem papas na língua, dizia, se necessário: “Ladrão!” Era empolgante.
Jorge Curi, Valdir Amaral, Antônio Porto e José Carlos Araújo (o único vivo) tinham a capacidade de tornar o jogo mais emocionante e, ao mesmo tempo, crível. Eles eram dotados de grande imaginação esportiva e comunicacional. Sabiam pôr o jogo na cabeça do ouvinte. Escutando-os, com suas vozes perfeitas — como se fossem cantores líricos —, ficava-se com a impressão de que se estava vendo o jogo e, até, participando dele. O quarteto não gritava — está na moda gritar e ser grosseiro — e falava de maneira cadenciada, com vozes e linguagem precisas.
Lembro-me que eu e meus amigos, crianças apaixonadas por futebol — cheguei a ser um atacante de relativa qualidade —, discutíamos com frequência sobre quem era melhor: Jorge Curi ou Waldir Amaral (confira a narração). Quase sempre dava empate. Porque os dois eram mesmo muito bons. Tinham domínio preciso da palavra e entendiam de futebol. Eram apaixonados e racionais. Pode-se dizer que, paralelo ao clássico disputado no campo, havia um clássico disputado no rádio.
A Rádio Globo era tão excepcional, com uma cobertura de tão alta qualidade do futebol carioca, que, às vezes, ficava-se com a impressão de que nos outros Estados não havia futebol — exceto em São Paulo, com a Rádio Bandeirantes, onde brilhava Fiori Gigliotti (“Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”), espécie de Graciliano Ramos da narração esportiva. Em Goiás, é claro, havia torcedores de clubes de São Paulo e Minas Gerais, para ficar em dois exemplos, mas não eram muitos. Eu era torcedor do Pelé Futebol Clube, opa, eu quis dizer Santos. Mas a maioria de meus colegas, dada a intensa cobertura da Rádio Globo, torcia, nesta ordem, para Flamengo — alguns diziam “Framengo” e os maliciosos riam —, Fluminense, Botafogo e Vasco. Aqui e ali, encontravam-se até torcedores do América. Embora o Santos fosse o time de minha devoção, eu torcia também para Fluminense, Atlético Mineiro e Grêmio — e nem sabia da existência do Goiás, hoje, ao lado do Santos, o time de minha devoção.
Vi a Copa de 70, aquela do “Pra Frente, Brasil. Salve a Seleção”, numa televisão preto e branco, na casa de João Borges e Iodete, amigos dos meus pais, na cidade de Porangatu, no Norte de Goiás. A residência foi transformada em cinema, com gente em todos os lugares, até nas janelas. A imagem não era perfeita — os “chuviscos” misturavam-se aos jogadores e à bola. Mesmo assim, era um avanço e todos nós, adultos e crianças, estavámos muito interessados, embora, às vezes, eu me lembrasse do “radião” da nossa casa e, sobretudo, das vozes encantadoras de Jorge Curi e Waldir Amaral — cada um narrava um tempo do jogo.
Li, na revista “Exame”, que Walterci de Melo, o sócio do Laboratório Teuto, começou a vida vendendo telas de vidro para colocar na frente das televisões. As telas retiravam o brilho excessivo e reduziam os “chuviscos”, deixando a imagem eventualmente mais nítida. Mas, em 1970, Melo ainda era um jovem e não mascateava pelas cidades do interior. Contentávamo-nos, então, com as tevês brilhantes. Mais tarde, com a televisão em cores, a imagem melhorou e o rádio, com seus fantásticos narradores esportivos, foi sendo esquecido ou pelo menos perdeu prestígio.
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Luciano do Valle e Galvão Bueno: na televisão, os dois substituíram as estrelas do rádio esportivo, com certa competência mas sem muito brilho. Fotos: Divulgação/ESPN e ESPORTV[/caption]
Os narradores do rádio permanecem, alguns são muito bons, como Edson Rodrigues e Oscar Ulisses Santos, mas perderam a hegemonia para os narradores de televisão, como Luciano do Valle, Silvio Luiz, Galvão Bueno, Osmar Santos (criativo, mas, por problemas de saúde, fora do mercado), Cleber Machado e Milton Leite. Durante anos, na Globo e. depois, na Bandeirantes, Luciano do Valle foi a estrela. Luciano do Valle, que morreu na semana passada aos 66 anos, era articulado, bem informado e narrava tão bem quanto comentava. Nos últimos anos, havia perdido um pouco o vigor. Tanto que “perdeu” o posto de principal narrador para Galvão Bueno. Este não é superior. Mas, como a Globo transmite os principais jogos do país, deixando as quirelas para as outras emissoras, como a Band, Galvão Bueno firmou-se como “o” narrador.
Ao contrário do que sugerem alguns críticos, Galvão Bueno é um narrador competente, entende de futebol e tem noção exata do que é o meio televisão. O que lhe falta às vezes é capacidade analítica, discernimento crítico. Quanto à passionalidade, não há o que criticar, pois futebol é como o amor: exige paixão — ainda que, diferentemente do amor, exija, mais do narrador e do comentarista do que do torcedor, certo distanciamento para comparar e julgar as ações de jogadores, técnicos e árbitros com mais equilíbrio. Galvão Bueno quer ser um narrador-comentarista, o que não é. Sobretudo, é narrador, e dos bons. Foi um dos primeiros a entender que a narração da televisão não pode ser idêntica à do rádio e, portanto, precisa ser mais cadenciada e menos emocional — sem deixar de ser vibrante. Ele é mais detestado, especialmente por intelectuais, menos por si e mais por simbolizar a TV Globo.
Com a morte de Luciano do Valle, e com Galvão Bueno, o último dos moicanos, prestes a se aposentar, a narração esportiva começa a ficar cada vez mais técnica e didática. Está mais próxima de Parreira e Felipão do que de Telê Santana e Muricy Ramalho. Não há mais narradores-criadores, como Osmar Santos. Galvão Bueno talvez seja o último da estirpe. Os narradores jovens são mais “assépticos” e menos assertivos — o que, a rigor, não é defeito, e sim sinal de que entenderam os novos tempos. Eles se firmam como filhos da era da técnica, com a emoção mais controlada pela razão. Sempre vai aparecer um Neto e um Milton Neves, no campo do comentário esportivo, mas o estilo deles, passional e agressivo, está em decadência e sem nenhuma elegância.
Espetáculo estreado no conturbado ano de 1965 traz à capital goiana peça que resultou da reunião de diversos textos da época
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Emily Dickinson: a Walt Whitman de saia dos Estados Unidos. Foto: Wikipedia[/caption]
A “Cult” criou uma seção, “Torre de Babel”, para publicar traduções de poesias inéditas. Augusto de Campos inaugura a página com tradução de uma poesia de Emily Dickinson. O poeta pós-concretista captura bem o trabalho da poeta americana. Apesar de se apresentar como tradutor transcriativo, é bastante fiel ao conteúdo e à forma do poema da Walt Whitman de saia da América — inclusive no uso de sua pontuação estranha, com travessões que, digamos, “falam”, “cortam” e “acrescentam”. Mais: o travessão, se pontua, se cria uma pausa, não fecha necessariamente a questão, sugerindo mais continuidade, aberturas. Augusto de Campos, excelente no campo da tradução, é fiel também ao uso às vezes idiossincrático de maiúsculas, típico de la Dickinson, poeta do século 19 que parece ter escrito ontem, de tão vivaz e atual. As maiúsculas sugerem palavras que se tornam “sujeitos”? Talvez. A iniciativa da revista é excelente e espera-se que faça como a “Folha de S. Paulo”, que, depois de publicar poesias de vários autores no extinto suplemento “Folhetim”, reuniu-as e publicou um livro.
A minha Vida era uma — Arma —
À Espreita — até que um Dia
Passou o Dono — e Me levou
Em sua companhia —
E agora em Selvas Soberanas —
Caçamos em Terras estranhas —
E sempre que por Ele eu falo
Ressoam as Montanhas —
Sorrio, e a luz cordial que mana
Todo o Vale irradia —
Tal uma face Vesuviana
Fluindo de alegria
E quando à Noite — Ido o Dia —
Eu velo o Sono do meu Mestre —
É mais suave do que Pluma
A Cama que nos resta
Seu inimigo — é o meu —
Não ousa uma outra vez —
Quem meu Olho-luz viu
Ou meu Dedo desfez —
Embora eu possa — viver mais
Maior ainda é o Seu poder —
Pois tenho só o de matar,
Sem ter o de — morrer —

