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Economista Nathan Blanche sugere que 2015 pode ser “desastre” para o Brasil

Um dos mais experimentados estudiosos do País sustenta que o próximo governo terá de adotar o tripé de responsabilidade fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante para aumentar o crescimento da economia. Ele acredita que a inflação sem maquiagem chega a 9% e sustenta que é preciso acabar com o rombo do setor energético

Iris Rezende quer Vanderlan Cardoso fora da política de Goiânia

[caption id="attachment_18869" align="alignleft" width="150"]Vanderlan Cardoso não teme  e desafia pressão de Iris Rezende Vanderlan Cardoso não teme e desafia pressão de Iris Rezende[/caption] O ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende (PMDB) teria enviado três recados curtos e secos para o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PSB). Primeiro, não gostou de não ter recebido seu apoio para o governo no segundo turno. Segundo, Iris quer ver Vanderlan fora da política de Goiânia. O peemedebista avalia que a capital não é o segundo feudo do líder do PSB. O terceiro recado deriva do segundo. Se mesmo com a advertência, Vanderlan continuar dizendo que vai disputar a Prefeitura de Goiânia, em 2016, Iris pretende responder na mesma moeda. O peemedebista, no caso de Vanderlan transferir seu domicílio eleitoral para a capital, pretende lançar sua filha, Ana Paula Rezende, para prefeita de Senador Canedo. Há também a possibilidade de bancar seu genro, Frederico Peixoto, para prefeito. Peixoto está construindo um condomínio horizontal Jardins no município. O Jornal Opção ouviu dois aliados do empresário. Um deles disse: “Vanderlan é um dos sujeitos mais tranquilos do mundo e não teme qualquer tipo de ameaça. Vai ser candidato a prefeito de Goiânia — quer queira ou não Iris. Vanderlan não vai desperdiçar seu imenso capital eleitoral na cidade. É candidatíssimo. Por isso não quis apoiar o peemedebista no segundo turno”.

Os deputados Jovair Arantes e Heuler Cruvinel disputam a Secretaria da Agricultura

[caption id="attachment_18871" align="alignleft" width="420"]bas3 Jovair Arantes e Heuler Cruvinel, deputados federais por Goiás: terçando forças pelo comando da Secretaria da Agricultura[/caption] A Secretaria da Agricultura é mais poderosa pela influência do que pelos recursos financeiros — quase sempre contingenciados. Porém dá prestígio e, daí, força política. Como a base aliada dá como certa a vitória do governador Marconi Perillo, a temporada de caça à vaga de secretário está aberta. Consta que o secretário Antônio Flávio Lima irá para o comando da Agrodefesa, porque o atual titular, Antenor Nogueira, embora sério e competente, criou arestas demais para o governo. O deputado federal Jovair Arantes, na iminência de perder a Secretaria de Cidadania e Tra­balho para a deputada federal Flávia Morais, exige a Secretaria da Agricultura para o PTB. Pode levá-la. Mas o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) planeja ser secretário. Como o governador Marconi Perillo pretende mandar dois suplentes para Brasília, possivelmente Sandes Júnior, do PP, e José Mário Schreiner, do PSD, as chances de Heuler Cruvinel são altas. Sua ida para a Seagro abriria uma vaga para Sandes Júnior, o primeiro suplente. O governador teme a politização da Seagro, mas, como Heuler Cruvinel é ligado ao agronegócio e representa uma das regiões, o Sudoeste, onde a agricultura é muito forte, pode acabar se tornando um secretário qualitativo e técnico. E tem o perfil pretendido pelo tucano-chefe: é jovem e tem prestígio político. Sabe-se que Heuler Cru­vinel pretende ficar em Go­iânia, na Seagro, para ficar mais próximo de Rio Verde, pois pretende disputar a prefeitura em 2016. E, como secretário, se fortaleceria junto aos produtores rurais e empresários do Sudoeste. O deputado federal Roberto Balestra está de olho gordo na Secretaria da Agricultura. Para indicar alguém, não é muito forte. Porém, se quiser ocupar, ele próprio, a secretaria, aí se torna um postulante sólido. José Mário Schreiner é o preferido da Federação da Agri­cultura do Estado de Goiás (Faeg) para o cargo.

Decurso de quedas

Em “Paisagem de Porcelana”, Claudia Nina dá voz a uma protagonista atacada por diversos níveis de opressão, que desmorona passivamente

“Prefeitura deve 400 milhões e Paulo Garcia não quis fazer ajustes para não prejudicar Iris Rezende”

[caption id="attachment_12083" align="alignleft" width="620"] Paulo Garcia: ex-secretário diz que é “arrogante, irônico e debochado” | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção Paulo Garcia: ex-secretário diz que é "arrogante, irônico e debochado" | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] A Prefeitura de Goiânia, na gestão do petista Paulo Garcia, tem uma dívida de 400 milhões de reais e um déficit de 30 milhões mensais. Quem é o pai e o padrasto da dívida? O Jornal Opção ouviu dois ex-secretários de Finanças do município e eles divergem a respeito da paternidade. Um frisa que a dívida foi gerada pela administração paulo-garcista. O outro sustenta que o ex-prefeito Iris Rezende é o pai de pelo menos 200 milhões da dívida e que Paulo Garcia é o padrasto de 200 milhões. “A responsabilidade deve ser dividida meio a meio.” O peemedebista-chefe contesta e garante que deixou a Prefeitura com um caixa positivo de 200 milhões de reais. A gestão de Paulo Garcia está engessada sobretudo por seu populismo no tratamento dos aumentos salariais do funcionalismo público, do qual se tornou refém. “Dos 240 milhões de reais da receita corrente [incluindo repasses federais], a Prefeitura de Goiânia gasta no mínimo 170 milhões com a folha dos servidores”, afirma um ex-secretário. Qual é a origem da dívida de quase meio bilhão de reais? “A prefeitura deve para fornecedores (por exemplo, de materiais de informática), prestadores de serviços (Ita Transportes, Tecpav e a empresa que coleta lixo hospitalar), locatários de imóveis. Também está devendo para a Celg e só de parcelamentos salariais atrasados, e exclusivamente para o pessoal da Educação, a dívida chega a 12 milhões de reais”, afirma um dos entrevistados. No lugar de concluir o Paço Municipal, Paulo Garcia prefere gastar 1 milhão de reais com aluguel. “É dinheiro jogado fora, mas é possível que se queira beneficiar algum aliado político”, sugere um ex-secretário, que avalia que o petista “não tem espírito de gestor. Ele gosta mesmo é de muita conversa e reuniões”. O ex-secretário afirma que, quando apresentava os problemas e as soluções, o prefeito sugeria conversar “outra hora”. “Ele me dizia que era preciso enrolar a população e a imprensa. Quando falassem que a cidade estava mal, era preciso contrapor e dizer que estava bem e que o governador Marconi Perillo estava ‘boicotando’ sua gestão. Quando eu disse que o problema da dívida era ‘nosso’, não havia sido criado pelo tucano, Paulo ficou irritado e afirmou. com ar de deboche: ‘Virou marconista?’. O prefeito é soberbo, irônico e não aceita críticas, nem mesmo as construtivas.” Há um receituário para recuperar a gestão da prefeitura? “Não há nenhum segredo: é preciso diminuir despesas, com urgência. Quando eu disse isto, Paulo sugeriu que aumentar o IPTU era a solução. Noutras palavras, ele quer que o goianiense pague a dívida que sua administrou criou. Sugeri também que era preciso reduzir as secretarias, não acrescentar aumentos para os servidores e cortar horas extras, incorporações, gratificações, pagamentos de quinquênios. Mas o prefeito sempre dizia: ‘Vamos esperar passar o período eleitoral’. Iris Rezende governava com 25 secretarias e Paulo aumentou para 40. É preciso gastar menos dinheiro com energia, água, telefone, combustível e aluguel. Urgente”, sugere um dos ex-secretários. Para pagar a dívida, qual é a solução imediata. “Como a prefeitura é um sorvedouro de recursos financeiros, só há uma saída: aumentar a receita com a captação de recursos, como empréstimos a longo prazo junto ao BNDES ou ao Bird”, propõe uma das fontes. Um ex-secretário que sabe tudo sobre a prefeitura afirma que queria “zerar o déficit mensal para depois discutir a dívida. Propus que se contraísse um empréstimo a longo prazo para pagar a dívida e se adotasse medidas duras de contenção de gastos, pois, assim, aos poucos a prefeitura iria se recuperando. Paulo Garcia concordou no início, mas depois achou que o remédio era muito ‘amargo’, sobretudo em ano eleitoral, e mataria o ‘paciente’. Ele dizia que não queria ‘prejudicar’ Iris Rezende. Quer dizer, priorizou Iris, mas não os interesses da cidade”. Com o Programa de Parcelamentos de Impostos (PPI), segundo uma das fontes, “a prefeitura arrecadou cerca de 40 milhões. É uma quantia razoável, mas insuficiente, dado o valor da dívida”. Paulo Garcia tem dois anos e dois meses pela frente, nesse tempo, terá condições de colocar a casa em ordem? Uma das fontes avalia que não: “Em dois anos, Paulo não vai resolver o problema, exceto, como eu disse, se contrair um empréstimo ou se conseguir algum dinheiro ‘novo’ junto ao governo federal. Só uma ajuda externa, de bancos ou do governo federal, pode contribuir para recuperar as finanças da prefeitura. Agora, se não pagar, a dívida vai crescer e, aos poucos, vai tornar a gestão de Paulo totalmente inviável. O secretário de Finanças, Jeovalter Correia, está espantando com o ‘papagaio’ que recebeu e, segundo um empresário da construção civil, está prestes a pedir o ‘boné’ para assumir um cargo noutra gestão, fora de Goiás. O que posso dizer, por conhecer Paulo, é que vai deixar a dívida ‘incubada’. Tenho dó do próximo prefeito, daquele que assumir o governo em 2017”. Quando um dos secretários assumiu, disseram-lhe que havia um caixa positivo de 20 milhões de reais. “Era tudo falso e não sei se o prefeito Paulo Garcia, que nada entende de finanças e contabilidade, tem informações precisas sobre a dívida. O que sei é que não aprecia discutir problemas reais mas adora bater-papo com os amigos e aliados. Quando eu disse que a dívida era de 400 milhões e expliquei pacientemente o significado disto, pareceu ficar ‘alarmado’, mas, depois, me disse: ‘Você é catastrofista’”. Uma das fontes afirma que a situação é tão dramática que a prefeitura não tem sequer certidão negativa junto à Receita Federal. “As certidões têm de ser batalhadas caso a caso. Mesmo que queira ajudar o prefeito Paulo, a presidente Dilma Rousseff vai esbarrar em questões legais. O que posso dizer é que Paulo está completamente ‘perdido’ e governando, se se pode dizer assim, com uma equipe de ‘amadores’ e ‘palpiteiros’. Descobri, a duras penas, que Paulo é prefeito, mas não é gestor, não tem interesse pela gestão. Parece que se diverte é fazendo política e visitando o escritório e o apartamento de Iris Rezende. O que mais me deixou assustado é que parece acreditar mais na palavra de um marqueteiro, que o acompanha como se fosse um ‘rabo’, do que nos verdadeiros gestores.” Sobre a elevação do IPTU, o ex-secretário mais comedido afirma que é importante, mas pode aumentar o índice de inadimplência. “A prefeitura quer arrecadar 300 milhões de reais por ano. Porém, como a renda do ‘contribuinte’ não aumenta, ele não terá como pagar rapidamente o imposto.”

Raquel Teixeira é o nome número 1 para a Secretaria da Educação do quarto governo Marconi

20140113120843_Lp_06_-_Regulamentação_da_profissão_de_psicopedagogo_está_pronta_para_ser_analisadaA ex-deputada Raquel Teixeira, principal executiva do Instituto Jaime Câmara, é cotada para ser a próxima secretária do governo de Marconi Perillo, se este for reeleito. Localizada em São Paulo, disse que, no momento, “o mais importante é ganhar a eleição. Fico satisfeito com as manifestações, mas, até agora, não recebi nenhum convite”. Na verdade, está sendo discreta. O tucano-chefe espera que ela retorne à Secretaria da Educação. Tem o perfil adequado.

Thomas Mann e um grito de alerta antifascista

O mundo criado pelo nazifascismo era ao mesmo tempo antigo e novo, “revolucionário” e retrógrado. Nele os valores ligados à ideia do indivíduo, verdade, liberdade, direito, razão, ficariam inteiramente debilitados e rejeitados, assumindo um significado totalmente diferente do que tiveram nos séculos precedentes

Poesia em estado de graça

“Uma Voz e o Silêncio” é um livro que fala das várias faces do amor — entre esposos, entre pais e filhos, entre irmãos, entre cristãos — e fala também do sofrimento. Mesmo diante das vicissitudes, a poetisa não abandona a esperança, âncora que lhe dá firmeza e não a deixa à deriva

Secretário da Indústria será de Anápolis. Se não for, pode ser o deputado eleito Jean Carlo

O secretário da Indústria e Comércio do governo de Marconi Perillo, se este for reeleito, será indicado pelos empresários e políticos de Anápolis. Pode ser Alexandre Baldy ou um nome novo. O deputado estadual eleito Jean Carlo (PHS), embora de Itaberaí, tem sido citado. Ele é ligado ao empresário José Garrote, amigo do governador. Se indicado, abriria uma vaga na Assembleia Legislativa para Elismar Veiga, de Anápolis e da Assembleia de Deus.

Prefeito Juraci Martins e deputado Heuler Cruvinel estão de relações cortadas

Um radialista de Rio Verde conta que o prefeito Juraci Martins e o deputado federal reeleito Heuler Cruvinel, ambos do PSD, estão com as relações políticas praticamente cortadas. O parlamentar, que pretende disputar a prefeitura em 2016, teria dito a um interlocutor, que teria passado a história adiante, que Juraci faz uma gestão “fraca” e “inoperante”. Se o pessedista falou isto mesmo ao menos não está faltando com a verdade. Do homem mais pobre ao homem mais rico do município não há uma pessoa que avalie a gestão do prefeito como positiva — exceto ele próprio e alguns de seus secretários mais “puxa-tudo”. Durante a inauguração da duplicação do trecho da BR-060 entre Rio Verde e Jataí, com a presença do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, Juraci e Heuler se mantiveram distantes. “Heuler cumprimentou Juraci, mas sem graça e de cabeça baixa”, afirma o radialista. Juraci deve reformar o secretariado, o que é um recado para Heuler. Um líder do PSD de Goiás disse ao Jornal Opção que conflitos momentâneos não levam a rompimentos definitivos. “Juraci e Heuler são aliados e voltarão às boas brevemente. Eles se gostam e se respeitam”, garante.

José Paulo Loureiro deve ir pra Secretaria da Fazenda. Se estiver disposto a dizer mais não do que sim

[caption id="attachment_18864" align="alignright" width="150"]José Paulo Loureiro estaria disposto a perder a imagem de “golden boy”? José Paulo Loureiro estaria disposto a perder a imagem de “golden boy”?[/caption] Um dos mais influentes aliados do governador Marconi Perillo, eleito deputado federal, afirma que o executivo José Paulo Loureiro tem tudo para ser um dos homens fortes do quarto governo do tucano-chefe — ao lado do presidente da Agetop, Jayme Rincon. “Mas há, claro, uma condição. Zé Paulo precisa despir-se da imagem de ‘golden boy’, de homem mais simpático do mundo, para ser aquele gestor que diz ‘não’ sem pestanejar. Governos sempre precisam de alguém durão, que saiba e tenha coragem de dizer ‘não’. Zé Paulo é eficiente e é moderno, mas resta saber se, no comando da Secretaria da Fazenda, estará mesmo disposto a ‘jogar pesado’. Marconi aprecia deixar a máquina bem enxuta, para recuperar a capacidade de investimento, e, nos momentos da ‘vacas magras’, ter recursos suficientes para que o Estado não fique paralisado. Por isso precisa de um secretário que tenha coragem de peitar a estrutura pantagruélica do governo.”

Ministro inaugura obra não concluída, é criticado e fica irritado em Rio Verde

Na semana passada, ao inaugurar o trecho duplicado da rodovia BR-060, entre Rio Verde e Jataí, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, ficou irritado com uma pergunta-crítica de um integrante da Associação Comercial e Industrial de Rio Verde. O membro da Acirv comentou que a duplicação da BR-060 — entre Goiânia e Rio Verde — caminha a passo de tartaruga. Frisou também que, apesar de não estar concluída, o governo da presidente Dilma Rousseff a “inaugurou”. Noutras palavras, o governo federal estaria inaugurando trechos como se fosse a obra toda. Irritado, Paulo Sérgio Passos disse que o governo de Dilma Rousseff está empenhado em melhorar a malha rodoviária do País. Veja-se como os tempos estão mudados. Na década de 1950, ao participar de um comício em Jataí, o candidato a presidente da República Juscelino Kubitschek anunciou que iria transferir a capital do País para o Planalto Central e cumpriu a promessa. Agora, quase 60 anos depois, e no mesmo Sudoeste, um ministro se irrita porque o governo federal está inaugurando uma obra que não está concluída. O Brasil piorou mesmo.

Mostre quantas pessoas moram dentro de você

Graça Taguti Especial para o Jornal Opção Desde a mais tenra idade se habituou a gostar de misturas e de contrastes no seu dia a dia iluminado de curiosidade. As manias, obsessões, compulsões renitentes não interessavam a essa menina-menino. Consi­derava as repetições de qualquer ordem sempre previsíveis e esvaziadoras de sentidos maiores da vida. As experiências, ahhh, sim, as experiências alquimizavam as cores do horizonte dela-dele trazendo nuances de rosa, tons pastel em degrades delicados, quando se punha a pintar aquarelas para decorar seu quarto de sonhos. Ainda na infância, o menino-menina brincava com bonecas diversificadas, algumas artesanais, de madeira ou de algodão, que seu paciente e talentoso tio fazia. Nada de brinquedos prontos. Nada de alegrias serializadas, com cheiro de indústria cega e fria. Nada de diversão comoditizada, com Barbies ou Falcons bocejando entediados nas prateleiras das lojas. Na hora das refeições, nossa personagem saboreava as delícias do tudo-junto-e-misturado. Arroz com feijão, pato com molho de laranja, doces e salgados entrelaçados, convivendo em placidez com as papilas e a gula de sua língua tão acesa. Eram muitos desejos morando dentro. Ela-ele desde cedo também descobriu que possuía hormônios mesclados em sua fisiologia e glândulas. Estrógenos, testosteronas e afins. Aí achou engraçado ao detectar sua energética determinação, proatividade e dinamismo no exercício de certas tarefas. Bem como observou seu olhar lânguido e contemplativo, debruçado sobre o passeio das nuvens em mutantes e transitórias formas, que lhe preenchiam de surpresas o teto maior, acoplado lá no firmamento, de sua sagaz existência. Ao crescer, ele-ela farejou outras demandas, que lhe atiçavam comichões nos neurônios. Estudar astrologia, ciências, dedicar-se a atividades ao ar livre, manter romances explícitos com as rajadas de vento e as lambidas dos raios de sol, deliciosamente tingindo sua pele de puro ouro. Eram muitos anseios morando dentro. Percebeu a paixão gradual pela literatura de todos os gêneros, a poesia, o levitar de sua alma inquieta e buliçosa. Caminhou suavemente pela mitologia, as histórias da medusa e as serpentes, o Cérbero, sátiro, centauro, cujas naturezas mesclavam frequentemente o humano, o monstruoso e o animal. Volta e meia, nossa personagem refletia sobre sua condição irisada, caleidoscópica, como se flagrasse sendo mais que uma criatura no planeta, um verdadeiro “risoto de pessoa”. Ele-ela dirigiu-se então, já na idade adulta, à esfera dos pensamentos e emoções. Todos importa sublinhar, turbulentos, contrastantes e paradoxais. Detectou logo de saída uma enorme bagunça na alma. Ódio e amor, Inveja e benevolência, mesquinhez e generosidade, individualismo e fraternidade, ciúmes e desapego, egocentrismo e solidariedade. Tantas emoções e sentimentos acotovelando-se apertados, entre uma e outra respiração entrecortada ou desabafos solitários. Eram muitas contradições morando dentro. De repente, deu-se conta de que, no laboratório de suas vivências, estes sentimentos não poderiam excluir-se mutuamente. Nem se desgarrar uns dos outros. A fusão, a mistura de opostos tornava-se, no caso, imprescindível para a manutenção e fortalecimento de sua saúde mental. Abrindo um parêntesis, quantos de nós alijamos o que aparentemente nos enfeia e apodrece, como ódio cumulativo e rancores em profusão, erguendo suas soturnas moradas no desterro da inconsciência. Talvez seja perigoso ou danoso, imaginamos, agregarmos todos, a um só tempo, no mesmo laboratório, submetendo-os a transformações e metamorfoses substanciais. Fel e mel. Dor e Alívio. Amargura e Amar cura. Certa vez pegou-se na leitura de Orlando, de Virgínia Wolff obra na qual se observa a alternância dos gêneros masculino e feminino. Nossa personagem flagrara-se homossexual, bissexual, transexual talvez neste episódio? Não. Mas dispunha-se a acolher, a partir de então, as premências de aceitar, intimamente, a livre expressão de desejos sexuais amplos e diferenciados. Desejos, aliás, que nem sempre precisava externalizar ou colocar em prática. Como, por sinal, aquelas súbitas raivas e fúrias propulsoras de instintos assassinos. Você se pergunta neste instante: ele-ela tem um nome? — é a inquietação inevitável. Sim, pencas deles. Daniel, Joana, Flávia, Paulo, Ana, Rogério, você, eu e todos os iniciados por cada letra do alfabeto. O vizinho estranho da porta ao lado, seu pai, mãe e aparentados. É muita gente disputando espaço dentro de você. Enfim, cai a ficha: percebemos reunir em nosso psiquismo um vasto espectro de possibilidades e mosaicos mentais, emocionais e atitudinais. Mas nos dá medo, muito medo, admitirmos essa realidade e tentarmos conviver civilizadamente com nossos anjos e demônios. O mais cômodo e auto apaziguador é atirarmos uns nos outros, como em uma agitada partida de paint ball, tudo o que nos mancha, desagrada e até envergonha. Teimamos esconder essa bagagem maldita nos armários da dissimulação cotidiana ou sob as penumbras do tapete da nossa comportada sala de visitas social. Escondemos tudo. Nossos gritantes defeitos, hábitos perniciosos, falhas de caráter eventuais e permissivas faltas de ética. Afirmamos, porém, que tudo é lindo e maravilhoso. A harmonia existe, embora você duvide. O sol se casa com a lua, as alvoradas com os crepúsculos, Os eclipses com as estrelas. A proposta é deixar estas uniões acontecerem. Faz bem à nossa felicidade aceitarmos e aplaudirmos todo o tipo de sinergias que permeiam nossa personalidade. Uma provocação: que tal dispor-se a saborear, em sua próxima refeição, o eventual exotismo de um frango flambado na cerveja, um linguado ao molho de maracujá… Hum… Só falta fecharmos os olhos e entregarmos o corpo, o espírito e o paladar a deleites inusitados. Porque aí você já compreendeu que — deixando todos os receios e senões de lado — convém sentar-se à mesa com todas as pessoas que moram em você. Mas não para por aí. As sensações vão além e excedem qualquer expectativa para quem admite ser múltiplo. Creia. Há indescritíveis orgasmos à sua espera. Experi­mente oferecer-se a eles. Graça Taguti é jornalista e escritora. via Revista Bula

Kátia Abreu e José Mário Schreiner podem ser interlocutores de Marconi Perillo junto ao governo federal

A presidente Dilma Rousseff, se reeleita, pretende fazer uma reforma geral no governo. Não vai romper com sua base política, até porque não tem condições para fazer isto, mas em alguns setores quer ministros com o seu perfil. A senadora reeleita Kátia Abreu (PMDB), por exemplo, deverá ser indicada para o Ministério da Agricultura. Presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu tem sido sondada pela presidente há vários meses. Se assumir, pretende ser a primeira ministra a implantar uma política agrícola no País. A senadora pode levar o suplente de deputado federal José Mário Schreiner (PSD) para sua equipe. Aí os dois seriam interlocutores do governador Marconi Perillo junto ao governo federal. Mas o suplente Schreiner quer ser deputado federal.

Se Aécio Neves perder, Marconi Perillo pode ser o candidato do PSDB a presidente em 2018

Se Aécio Neves for derrotado, é muito provável que o PSDB banque um candidato fora do eixo São Paulo-Minas Gerais para presidente da República em 2018. O governador de Goiás, Marconi Perillo, ao obter sua quarta vitória, credencia-se para a disputa. O País parece um tanto cansado de integrantes da política do Café-com-Leite.