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Em cartaz há quatro anos, peça teatral, em estilo stand-up comedy, discute questões do cotidiano
Estão na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), para análise e parecer, cinco medidas provisórias que tratam de modificações na carreira e subsídios de bombeiros e policiais militares do Tocantins. Entre os benefícios estão o acréscimo anual de 8% no subsídio, a partir de 1º de janeiro de 2016 até 2018, e a uniformização do escalonamento vertical, com destaque para o enquadramento da mulher policial. Uma das matérias dispõe sobre a data das promoções da PM, que foi transferida de 12 de outubro para 15 de novembro, data em que se comemora a Proclamação da República. Segundo o governo, a mudança se faz necessária para evitar conflitos com a legislação eleitoral, que proíbe a concessão de benefícios em anos eleitorais nesse período; assim, anualmente serão realizadas as promoções nos dias 21 de abril e 15 de novembro. Com as modificações, fica também instituída a promoção especial por tempo de serviço para praças da Polícia Militar. Assim, fica definido o período mínimo de 15 anos de efetiva atividade na corporação para que o soldado possa galgar promoção à graduação de cabo.
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Jornalista Paulo Francis | Foto: Reprodução/Livro Polemista Profissional[/caption]
Maristela Basso
Paulo Francis morreu em fevereiro de 1997, em Nova York, de um enfarte fulminante causado, em boa parte, pelo desgosto e sentimento de injustiça que corroeu sua alma e seu coração, e nos privou do cara mais chato e irremediavelmente brilhante e encantador que o Brasil já teve. Francis estava sob a enorme pressão resultante de um processo judicial ardilosamente proposto contra ele nos Estados Unidos por suposta calúnia contra a Petrobrás.
Pouco antes, no programa de TV a cabo do qual participava, o “Manhattan Connection”, transmitido pela GNT, à época, Paulo Francis sugeriu a privatização da Petrobrás e chamou atenção para o fato de que seus diretores desviavam dinheiro para contas na Suíça, e era preciso investigar. Contudo, Francis não tinha provas. Jornalistas geralmente não as têm. Suas fontes são, em geral, secretas. Elas dizem o que sabem, vivem e veem, e por temerem por suas vidas preferem ficar no anonimato. Nesses casos estamos diante das chamadas “provas diabólicas”: excessivamente difíceis de serem produzidas. A credibilidade de Francis e a solidez do programa deveriam ser suficientes para dar sustentação à denúncia e justificar a investigação no Brasil. O que não ocorreu, e tivemos que esperar até muito recentemente para que os mandos e desmandos da Petrobrás começassem a ser investigados.
Após a denúncia de Paulo Francis, os sete diretores da Petrobrás, liderados pelo então presidente, Joel Rennó, decidiram cobrar reparação judicial pelo suposto dano moral resultante da calúnia que alegaram ter sofrido e, para tanto, buscaram o Poder Judiciário dos Estados Unidos, conhecido pela receptividade desse tipo de ação e por fixar indenizações milionárias. Os diretores da estatal fizeram o que em Direito se chama de “forum shopping”, isto é, recorrer ao judiciário de um país cuja legislação é mais favorável e as decisões dos tribunais mais palatáveis ao caso que se pretende ver julgado.
E assim foi. A Justiça americana mandou Paulo Francis indenizar os diretores em 100 milhões de dólares, mais custas e honorários. Muitos brasileiros ilustres, em vão, bateram na porta do presidente Joel Rennó para que desistisse de cobrar de Francis — que não tinha os meios necessários. Francis, em seu calvário melancólico pós-sentença, começou por transferir sua dor moral para uma simples bursite e desta migrou, definitivamente, para uma bomba no seu coração. Lá se foi a figura agridoce mais extraordinária de todos os tempos e um “gentleman” como não se viu mais.
E como seguir agora sabendo que era tudo verdade? E, o pior: a roubalheira era muito maior e que não tão poucos por tanto tempo roubaram tudo que podiam.
Paulo Francis merece ter sua memória recomposta. Sem lhe fazer justiça estamos fadados e nos igualar aos seus algozes. É o mínimo que podemos fazer por ele. Para tanto, é preciso que seus herdeiros e sucessores voltem ao Poder Judiciário americano com uma ação de recuperação da imagem e erro judicial — frente às provas de que dispomos agora. É preciso responsabilizar a Justiça americana da morte de Francis, haja vista que nenhuma sentença pode ser proferida sabendo-se que o condenado não teria os meios de pagar — e que seu cumprimento o levaria à ruína. É preciso que a Justiça americana reconheça que foi usada como “forum shopping” por litigantes de má-fé que deveriam ter ingressado com a ação na Justiça da cidade do Rio de Janeiro, sede da Rede Globo de Televisão, responsável pelo programa “Manhattan Connection”, e local onde os diretores da Petrobrás viram e sentiram os efeitos e prejuízos (se houve) do que foi dito por Francis. A Rede Globo também pode tomar essa iniciativa, afinal de contas o programa era e é dela.
Errou a Justiça americana. Deixou-se usar à época. Mas os tempos mudaram lá e cá. Não há que se preocupar com a prescrição. Esta não atinge a nova demanda nos EUA por justiça a Francis. Fatos novos apareceram e com eles um mar de provas. Sem falar que crimes contra os direitos humanos não prescrevem e aqueles do colarinho branco abrem um corredor direto para a prisão nos Estados Unidos.
Entretanto, até que isso aconteça, fica a sugestão de buscarmos consolo em uma discreta risada (mesmo sem ninguém ver) em homenagem a Paulo Francis, pois ele tinha razão.
Maristela Basso é professora de Direito Internacional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco). O artigo foi extraído do site www. http://justificando.com/
Daniel de Castro, do UOL, é um jornalista experiente, competente e sério. Deve ter boas fontes na Globo, pois consegue publicar reportagens (notas) exclusivas, muito raramente desmentidas. Porém, quando se trata dos jornalistas William Bonner, apresentador e editor-chefe do “Jornal Nacional”, e Patrícia Poeta, ex-apresentadora do “JN”, fica-se com a impressão de que não está traduzindo exatamente o que está acontecendo. Ou, então, está traduzindo à perfeição. O colunista relatou que Patrícia Poeta não está na grade de programação da TV Globo para 2015. Comenta-se, nos bastidores — Daniel de Castro estaria ecoando vozes internas da rede de televisão —, que nenhuma equipe estaria preparando o programa de variedade que a jornalista pretende apresentar no próximo ano. Porém, ao contrário do que disse o repórter, a Globo informou que está se preparando para produzir o programa que será apresentado por Patrícia Poeta. Talvez seja o caso de, ao menos provisoriamente, deixá-la em paz.
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Diretor Orlando Loureiro[/caption]
Faça-se justiça. Demorou, os repórteres cometeram erros, mas o diretor Orlando Loureiro está conseguindo ajustar o telejornalismo da TV Anhanguera. As reportagens sobre lixo em Goiânia, mostrando que o problema não é apenas a prefeitura não recolhê-lo, mas também a falta de colaboração da população, são bem feitas.
Espera-se, apenas, que a “parceria” entre a emissora e a prefeitura seja jornalismo e não produto de acordo comercial. Ainda assim, as reportagens têm interesse público e indicam que, finalmente, Orlando Loureiro acertou a mão.
No início, talvez por considerar Goiás como uma província, a equipe de Orlando Loureiro tentou folclorizar o Estado e suas autoridades. Deu errado e, habilmente, o diretor de jornalismo mudou o foco.
Não tenho dados recentes sobre audiência, mas possivelmente, com os ajustes, deve ter subido.
O “Correio Braziliense” (domingo, 16) entrevistou Maria Elisa Costa, filha do arquiteto Lucio Costa, o “inventor de Brasília”. A arquiteta criticou duramente o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília. Se aprovado, o PPCub, a serviço da especulação imobiliária, vai descaracterizar a capital. Por isso, “o melhor seria” jogá-lo “na lata de lixo por decreto e começar de novo”. “O que importa é criar meios de controlar o uso e ocupação do solo no entorno da área tombada para não acabar o pobre ‘avião’ cercado por um paliteiro de prédios altos. O horizonte faz parte de Brasília”, afirma Maria Elisa Costa. A arquiteta acredita que o senador Rodrigo Rollemberg — ela é cunhada da mãe do governador eleito — “consertará” Brasília, ou melhor, terá condições de impedir que seja desarranjada.
A mostra “Kandinsky: tudo começa num ponto” está em cartaz no Centro Cultural Branco do Brasil (CCBB), em Brasília, até 12 de janeiro. A entrada é gratuita. São mais de 150 obras tanto do pintor russo quanto de alguns de seus contemporâneos. O “Correio Braziliense” publicou um suplemento especial sobre a mostra, com textos curtos, mas de qualidade, relatando que o notável artista plástico “saltou”, se se pode dizer assim, do impressionismo para o abstracionismo.
O “Pop” está publicando uma série de reportagens sobre a Operação Malavita, que investiga a aliança entre um grupo de policiais militares de Goiás com traficantes. Na edição de terça-feira, 18, o repórter Cleomar Almeida revelou, na matéria “Grupo queria dominar tráfico”, que policiais militares “disputavam o controle do tráfico na cidade de Anápolis”. Cleomar Almeida relata que um dos envolvidos é o capitão Fabiano de Borba Ferreira. Policiais de Goiás mantinham (ou mantêm) ligação com facção criminosa de Brasília.
O jornal “O Estado de S. Paulo” comete deslize ético e afirma que Marcelo Pires Perillo, ouvido pela Polícia Federal sobre acusação em Rondônia, é irmão do governador Marconi Perillo. Não é
Iúri Rincon Godinho
A história da música popular brasileira de raiz, com seus encantos e dificuldades. Assim poderia ser resumido “Inezita Barroso — Rainha da Música Caipira”, do jornalista Carlos Eduardo Oliveira, mas narrado em primeira pessoa por Inezita, com prefácio do cantor Daniel.
Uma das mais autênticas artistas da música brasileira, ela conta em detalhes os entraves para perseverar em uma área às vezes tão relegada pelo mainstream, como as canções de raiz — aquelas que dormem no limbo entre as breganejas das rádios e a MPB mainstream. Mais do que isso, a obra é uma peça de resistência de seu programa “Viola, Minha Viola” (TV Cultura), no ar desde os anos 80, sempre apostando em talentos regionais da autêntica música caipira.
Com uma vida dedicada à música, Inezita relata casos com Silvio Santos, o presidente Juscelino Kubitschek, Luiz Gonzaga, Cauby Peixoto, Mazzaropi e Hebe Camargo, dentre outros: inclui até a incrível história de como a dupla Roberto e Erasmo, nos tempos da Jovem Guarda, ao mesmo tempo destruíram a carreira e salvaram Inezita, que sobreviveu dando aulas de violão.
A artista, que trabalhou também em vários filmes, faz uma dura crítica à indústria fonográfica, afirmando que a pirataria sempre existiu. Certa vez ela comprou 100 discos para dar de presente e, no acerto com a gravadora, constava apenas a venda de 21 unidades. Sem falar nas coletâneas vendidas fora do Brasil e das quais ela nunca recebeu.
Parece que a história mais interessante não chegou ao livro. Aquela que contaria como uma mulher libertária sobreviveu no mundo caipira machista e povoado de homens nos anos 50 e 60. Talvez o maior mérito da obra seja ter sido editado pela goiana Editora Kelps, em uma edição que, se não encanta, também não fará feio nas livrarias.
Iúri Rincon Godinho é publisher da Contato Comunicação, escritor e pesquisador da história de Goiás.
Editada pela jornalista Adevania Silveira, que passou pelo “El País”, a revista “The Book” (está no quarto número), além de belíssima, publica reportagens de qualidade. O repórter Rimene Amaral escreveu o melhor texto da edição, “Uma vida feita de páginas”, sobre o alagoano Samuel Soares da Silva. Ele tem um acervo de “aproximadamente 60 mil livros” e pretende, mas não consegue, doá-lo para uma instituição pública. Os livros estão num espaço no Setor Leste Vila Nova e podem ser consultados pelo público. Nasr Chaul, que está organizando a biblioteca do Centro Cultural Oscar Niemeyer, deveria dar uma olhada nos livros de Samuel Soares.
Quem aprecia poesia de qualidade tem duas minas de ouro a explorar: “Milton” (Nova Alexandria, 295 páginas, tradução de Manuel Portela), de William Blake, e “O Paraíso Reconquistado” (Cultura, 304 páginas, organizado por Guilherme Gontijo Flores), de Milton. “Paradise Regained” integra uma obra mais ampla, iniciada com “Paraíso Perdido”.
O que há de comum entre os escritores Jorge Luis Borges e Stephen King e o cineasta Guillermo del Toro? A paixão pela obra literária de H. P. Lovecraft. Para conhecê-lo vale a pena ler “A Vida de H. P. Lovecraft — O Grande Mestre do Terror” (Hedra, 446 páginas, tradução de Bruno Gambirotto), de S. T. Joshi.
Stephen King diz que Lovecraft “permanece insuperado como o maior expoente do horror clássico”.
Cthulhu, personagem de Lovecraft, é uma figura icônica. S. T. Joshi é considerado um dos maiores, senão o maior, especialistas tanto em sua obra quanto em sua vida.
A Hedra também publica “Os melhores contos de H.P. Lovecraft”.
Especialistas debatem futuro do Brasil no próximo ano. Expectativa é de ajustes na Economia, menos investimentos e baixo crescimento. Dilma deve fazer reformas
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Presidente Dilma Rousseff faz pronunciamento após vitória. Segundo mandato promete ser ainda mais conturbado (Foto: Cade Gomes)[/caption]
A reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no último mês pode ter agradado uma parte da sociedade brasileira. Foram quase 52% dos eleitores que garantiram mais quatro anos do Partido dos Trabalhadores no Poder.
No entanto, não só os eleitores do candidato derrotado Aécio Neves (PSDB) ficaram insatisfeitos com a continuidade da mandatária petista. O mercado financeiro vem dando claros sinais de que a política econômica atual precisa, urgentemente, de mudanças. Sob pena de problemas que pareciam tão distantes da realidade moderna do País baterem à porta dos cidadãos uma vez mais.
No último mês, dados do último relatório Focus divulgado pelo Banco Central mostram que o País deve crescer pouco mais de 0,2% em 2014 e 1% no próximo ano. Já pela previsão do Fundo Monetário Internacional, o crescimento brasileiro deverá ficar abaixo da média global, que está projetada em 3,3% em 2014 e 3,8% em 2015.
Também ficará abaixo das projeções para economias emergentes e em desenvolvimento -- 4,4% neste ano e 5% no ano que vem -- e para a região da América Latina e Caribe -- 1,3% em 2014 e 2,2% em 2015. O relatório destaca que "a fraca competitividade, baixa confiança empresarial e condições financeiras mais apertadas reprimiram os investimentos" no Brasil.
E este é o divisor comum dos três especialistas em Economia entrevistados pelo Opção Online. À convite do jornal, os professores e economistas Walter Chaves Marim, Jean Marie Lambert e Jefferson de Castro Vieira relataram suas apostas para os anos vindouros, bem como o que os brasileiros devem esperar no que diz respeito a situação econômica do País. Apesar de divergirem sobre a eficácia do segundo governo Dilma, o trio é categórico: "se mudanças não forem realizadas com certa urgência, o Brasil vai sofrer".
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Anos de incertezas estão por vir, afirmam especialistas Jefferson de Castro Vieira, Walter Marim e Jean Marie Lambert Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
Walter Chaves Marim, mestre pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e doutor em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), se diz esperançoso para os próximos anos. Apesar de analisar o primeiro mandato de Dilma como "pesado", com forte interferência ideológica na Economia, garante que 2015 não será um ano de "sufoco", mas, sim, de "ajustes".
"Houve um despertar da sociedade nas últimas eleições, um posicionamento ideológico das pessoas, e a presidenta sabe disso. Ela irá realizar as reformas necessárias, como a Tributária e até a Política, caso contrário terá um mandato conturbado", sustenta o especialista.
De acordo com ele, o caminho para que as reformas saiam do papel é só um: o diálogo. "A perda de competitividade da Indústria se dá por dois movimentos, o primeiro, porque elas têm baixo poder no mercado internacional e vendem menos; consequentemente, importa-se mais. Como resolver isso? Negociando com os setores. Falta uma aproximação por parte do Governo Federal", afirma.
Marim toca em um dos calcanhares de Aquiles da presidente, que sempre foi duramente criticada por não conseguir estabelecer diálogo com o mercado. "Não é só enviar um projeto para o Congresso... Dilma precisa abrir as portas do Planalto, negociar, debater, achar soluções que agradem não só seus aliados políticos. Enfiar as coisas goela abaixo não funciona, principalmente, no setor privado", alerta.
O posicionamento do professor da PUC-Goiás Jefferson de Castro Vieira é ainda mais firme, destacando que o governo Dilma sofre por um equívoco básico cometido antes mesmo da ex-ministra chegar ao posto mais alto da nação. "A Economia nos ensina que é preciso fazer caixa, poupança, durante os tempos de bonanza. Quando o Brasil estava em franco desenvolvimento no governo Lula, não se preocuparam com o que poderia acontecer depois. Veio a crise, que, embora o governo negue, afetou o Brasil e culminou nos baixos índices dos últimos anos", apontou.
No entanto, Vieira ratifica que o novo governo é uma oportunidade para Dilma "corrigir" as falhas dos últimos anos. "Precisamos de um diálogo mais aberto, de uma reforma tributária, um novo Pacto Federativo, que ponham fim à guerra fiscal entre os Estados e à concentração de recursos no Governo Federal", acrescenta.
Problema fisiológico
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Jean Marie Lambert: “Dilma não vai tomar medida nenhuma. O governo atual vive disso e as falcatruas são o grande entrave para mudanças significativas. É um governo mafioso”[/caption]
Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Liège, na Bélgica, o economista Jean Marie Lambert, refuta a ideia de que alguma reforma possa evitar o fiasco econômico que aguarda o Brasil na "esquina 2015". Consultor em negócios internacionais, ele acredita que o governo do PT - e todos os ditos de esquerda - enxergam no empresariado uma "ameaça".
Em vez de se abrirem para o setor da Indústria e Comércio, relata, infligem complicações burocráticas, criando um ambiente de negócios "irrespirável". "A administração pública brasileira se tornou um obstáculo quase intransponível. Me parece que o Brasil ainda vive na Era Colonial, na qual a nação é colocada à serviço do Estado", critica.
Lambert acusa o famoso "jeitinho brasileiro" e a maneira de governar petista como culpados pelo atual cenário. "Pode-se mudar a casca, mas o conteúdo é o mesmo. Não vejo como reformas tributárias e políticas possam mudar o quadro, porque elas não vão acabar com o ativismo político dentro da administração pública. Ainda mais com o PT no Poder", advertiu.
Ao explicar os motivos da debandada de investidores internacionais, o estudioso alega que as obras sociais e os programas assistenciais de Dilma não convencem o mercado. "Não é só pela imbecilidade do sistema, que é extremamente burocrático para poder vender facilidades, mas, acima de tudo, porque se o empresário investe um centavo no Brasil e tem um centavo de retorno, ao passo que se ele investir um centavo na Malásia, ele terá dois de retorno, não há dúvidas de que ele não ficará aqui", arrematou.
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Walter Marim defende que “Dilma tem mais autonomia agora"[/caption]
Embora Walter Chaves Marim concorde com o colega quando este diz que há um sistema pesado e burocrático, ele se mostra mais flexível quanto à eficácia das reformas. "Dilma tem mais autonomia agora, pois quem foi eleita foi ela. Dependendo das decisões da presidenta, poderemos voltar a crescer e devolver a credibilidade ao mercado brasileiro, o que permitirá mais investimentos e a vinda de dinheiro para o Brasil", defende.
Lambert se mune dos escândalos de corrupção durante as gestões do PT para discordar veementemente: "Dilma não vai tomar medida nenhuma. O governo atual vive disso e as falcatruas são o grande entrave para mudanças significativas. É um governo mafioso".
Corrupção
Sobre o tema, Marim afirma que todas as denúncias envolvendo a Petrobrás e os escândalos das empreiteiras que dominaram a mídia nas últimas semanas têm uma grande importância para o Brasil. "Penso como a Dilma. Não dá para condenar a empresa, é preciso punir as pessoas, coibir a corrupção e efetivar uma legislação que condene os corruptores. Não dá para falar que partido A ou B é corrupto, os partidos e as empresas não são corruptos. As pessoas, sim", explica. Marim chega a caracterizar o momento pelo qual o Brasil passa como "feliz": "a Reforma Política tem que sair! Não adianta crucificar o País, é preciso pensar em maneiras de coibir a corrupção". Em resposta, "podem tentar construir a imagem que quiserem, polir o discurso político e falar do futuro de maneira 'otimista', mas não adianta... Os números mais cedo ou mais tarde aparecem e cobram os direitos", alfineta Jean Marie Lambert. Para ele, o déficit econômico, a balança comercial negativa, as contas públicas "catastróficas", o valor do dólar, a inflação e os juros altos compõem o pacote negativo que deve aterrissar nos próximos anos."E só isso mesmo que deve chegar ao Brasil, porque investimentos não vêm", completa. [caption id="attachment_21285" align="aligncenter" width="599"]
A corrupção não acabará com o PT no poder, afirma especialista Foto: Roberto Stuckert Filho/PR[/caption]
Neste sentido, o professor Jefferson de Castro Vieira lembra que ainda há uma conta alta a ser paga. "O Governo fez compromissos financeiros acima do que poderia pagar. As obras da Copa do Mundo, por exemplo, foram importantes, mas não havia dinheiro suficiente em caixa... Faltou planejamento", ressaltou.
Ao final, constata-se que os brasileiros devem se preparar para um 2015 arrochado, com a economia patinando e o futuro incerto. Pelo sim ou pelo não, o mais indicado é diminuir gastos, cortar despesas fúteis, fazer uma poupança e evitar o comprometimento do orçamento -- expressões repetidas pelos três especialistas, endereçadas ao cidadão e, principalmente, ao Governo Federal.
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Dilma Rousseff: no governo da presidente, montaram um processo corrupto na Petrobrás
Foto: Roberto Stuckert Filho / PR[/caption]
Surrealismo no governo: a presidente da República, Dilma Rousseff, ficou em Brisbane, na Austrália (após uma vilegiatura em Qatar), enquanto o incêndio na Petrobrás ia se alastrando.
Não existem mais dúvidas de que foi montada uma estrutura muito sofisticada para saquear a maior empresa brasileira. É fora de questão também que a estrutura era dirigida por elementos da diretoria da Petrobrás e elementos de cúpula dos partidos do governo.
A operação consistia em:
1) Fixar propina na assinatura de contratos de grandes empresas com a Petrobrás — Nível I (altos dirigentes políticos, diretores da Petrobrás e das empreiteiras).
2) Colher as quantias desviadas e passá-las por empresas de fachada, muitas vezes no exterior — Nível II (doleiros e elementos partidários).
3) Efetuar a distribuição para parlamentares e outras autoridades, ressalvadas as comissões dos operadores — Nível III (ainda doleiros, dirigentes partidários e congressistas).
O nível de sofisticação, os montantes desviados, além de indícios nas providências de governo relativas ao prosseguimento das obras objeto dos saques torna impossível na prática que o governo desconhecesse os desvios. Eles se tornaram metódicos, há anos.

