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A já extensa Goiânia não precisa de mais uma expansão urbana

Se a capital fosse compactada no padrão de Buenos Aires, todos os goianienses poderiam viver (bem) em uma área oito vezes menor do que a do município atual. Mas tem muita gente interessada é em “espalhar” ainda mais a população da cidade. Isso não pode acontecermapa Conjunto Vera Cruz, região oeste de Goiânia, construído na década de 80; Setor Madre Ger­mana 2, na saída sudoeste, datado dos anos 90; Residencial Orlando de Morais, região norte, dos anos 2000; e Jardins do Cerrado, também região oeste, consolidado na segunda década do século. Em comum, entre todos esses bairros residenciais, o fato de terem sido erguidos, cada um à sua época, em loteamentos a quilômetros de distância da então última zona habitada da cidade. Na época em que “nasceram”, por assim dizer, tanto Vera Cruz como Madre Germana eram totalmente isolados de qualquer bairro. Eram vizinhos do nada. Do mato e do nada. Da mesma forma com que ocorre hoje com Orlando de Morais e Jardins do Cerrado, ainda separados do perímetro urbano. São apenas alguns dos muitos exemplos. Observando o que vai se sucedendo, parece que tudo é apenas sinal do progresso e do crescimento de Goiânia: afinal, é a metrópole avançando, “os equipamentos públicos chegando de forma integral aos mais longínquos recônditos da periferia” — uma frase rebuscada, que certamente ficaria muito bonita em qualquer discurso de político, para dizer que os habitantes daquele local escanteado pelo poder finalmente estavam tendo acesso, de fato, à cidade. Para ter ideia da falta de dignidade da situação, somente agora os dois últimos bairros citados no primeiro parágrafo estão sendo pavimentados, na nova leva de obras tocada pela Prefeitura. Foram anos ou até mais de década esperando para ganhar as mesmas condições de infraestrutura de que os demais habitantes da cidade já usufruíam. Tudo mascarado pelo “sonho da casa própria”, como se ter uma moradia fosse algo que desse salvaguarda à negligência dos demais direitos. Não é o caso de falar de um pretenso populismo de programas assistenciais, como o Minha Casa Minha Vida, mas de se questionar: “dar” a residência — na verdade, facilitar a aquisição, com valor financiado com juros bem mais módicos do que os cobrados pelo sistema convencional — absolve um detentor de mandato de buscar praticar uma política pública que inclua de modo efetivo aquele contingente no seio da cidade? A resposta é não. E um “não” ainda maior na atual gestão de Goiânia. Ora, se todo o plano de governo que conduziu Paulo Garcia (PT) à reeleição gira em torno do slogan de campanha “cidade sustentável”, nada mais óbvio do que fazer as tomadas de decisões caminharem nesse rumo. Nesse sentido, é bom observar que o Paço dá sinais de que não vai permitir o surgimento de outros casos similares de confinamento de moradores em um canto qualquer da cidade, disfarçados sob o nome bonito de “expansão urbana”. Pelo menos foi o que indicou Paulo César Pereira, titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável (Semdus), em recente reportagem do Jornal Opção (edição 2085). Questionado sobre a movimentação de certos setores por mais uma expansão urbana na capital, Paulo César respondeu de forma categórica: “Não é uma pauta prioritária para a Prefeitura.” E completou: “Embora não queira entrar no mérito do que foi aprovado para parcelamentos como Jardins do Cerrado e Orlando de Morais, é correto citá-los como exemplos negativos para apontar preocupações com relação à expansão urbana sem critérios técnicos.” A Prefeitura pode não querer, mas há setores fortes da sociedade, economicamente falando, que querem porque querem. Nenhum tão interessado quanto o ramo imobiliário. E nenhum poder é mais vulnerável à influência dos donos de construtoras e incorporadoras do que o Legislativo. Afinal, basta olhar a prestação de contas de campanha dos vereadores para perceber que boa parte da Câmara de Goiânia foi eleita com uma ajuda substancial do dinheiro desse pessoal. É hoje, com certeza, o lobby mais forte dentro da Casa. É um assunto de base técnica, mas é fácil políticos fazerem com que ele ganhe formato populista: se a Prefeitura fincar o pé e bancar um veto a um projeto de criação de novas áreas habitáveis (expansão urbana, no fundo, é isso e nada mais), sofre o desgaste de “impedir o pobre de ter casa própria”. Na verdade, a questão meramente funcional — a teoria da cidade compacta e da facilidade de acesso à infraestrutura — não sensibiliza a população. Infelizmente, poderia se dizer. A área do município de Goiânia é bastante extensa: são 789 quilômetros quadrados (km²), quase quatro vezes mais do que, por exemplo, a superfície do distrito de Buenos Aires, que tem 202 km². Mas vejamos o mais importante: a densidade demográfica de uma e de outra. Enquanto a capital portenha tem 14,8 mil habi­tantes/km², o índice para Goiânia é de 1,9 mil habitantes/km². Mas a área goianiense é quase o o quádruplo, argumentariam alguns. Então, para ficar justa a conta, basta multiplicar por quatro a densidade de Goiânia: quatro vezes 1,9 mil resulta em 7,6 mil habitantes/km². Ou seja, levando em conta a densidade de Buenos Aires (14,8 mil), chegamos à conclusão de que, mesmo que toda a população goiana fosse concentrada numa área igual à da capital argentina, esse espaço urbano seria ocupado somente pela metade, no máximo. Em outras palavras: pelo padrão de compactação de Buenos Aires — e várias outras cidades poderiam ser aqui colocadas como (bons) exemplos —, a população da capital poderia viver muito bem (e melhor) em uma área de pouco mais de 100 km². Quase oito vezes menos do que a superfície total do mu­nicípio. E com acesso muito mais facilitado a transporte, escolas, hospitais, repartições e postos de atendimento. O  “espraiamento” da capital, portanto, não é o ideal. Os goianienses não vivem em uma cidade compacta. Isso gera custos altíssimos, inclusive de manutenção, que poderiam ser economizados e reinvestidos na própria cidade. Pior: se os goianienses já não vivem hoje em uma cidade compacta, sob diversos pretextos — todos tecnicamente pouco embasados e visando interesses nada coletivos —, querem torná-la ainda mais espalhada. É um crime contra o cidadão, de duas maneiras: jogam-no longe de tudo e o obrigam a pagar impostos para sustentar esse déficit de qualidade de vida. Mais urgente do que promover qualquer nova expansão urbana, a Câmara de Goiânia deve se preocupar em fazer o que for possível para aproveitar os vazios urbanos da capital. São pelo menos 100 mil lotes vagos por especulação imobiliária, e que acabam servindo para aumentar os índices de violência urbana e exclusão social. Uma boa medida seria agilizar a aplicação do imposto progressivo — que, curiosa e sintomaticamente, não “anda”. É isso que precisa ser feito. Se, pelo contrário, houver o atendimento da sanha por nova expansão, só restará, por Goiânia, tocar um tango argentino. l

Excluídos do PMDB vão formar nova frente política em Goiás

Principais atores do novo bloco formado por PT, PSB e Pros devem protagonizar o processo eleitoral de 2016 com condições de derrotar Iris Rezende em Goiânia. Grupo se unirá para o pleito municipal, mas o objetivo maior é 2018

O tempo novo de Paulo Garcia

Prefeito deixou de ouvir maus conselhos e adota relação cordial com o adversário — e não inimigo — Marconi Perillo, o que beneficia principalmente os goianienses

Já não nos chocamos mais com a violência e os escândalos?

Parece que os brasileiros passaram a considerar “tudo normal”, desde os crimes contra a vida até os episódios de corrupção que se tornaram rotina no País

Jogo de espera emperra pré-definições de candidaturas

Iris Rezende, base aliada e PT não sinalizam em relação a possíveis nomes e estratégias para a sucessão de Paulo Garcia

É preciso respeito ao direito de sonhar da infância e da juventude

No Brasil, há uma ignorância jurídica e social sobre o Estatuto da Criança e Adolescente. É por isso que vemos manifestações e discursos inflamados contra a lei, representando uma ameaça a sua aplicação de forma integral

Dilma mostra despreparo ao dar bronca em ministros

[caption id="attachment_38738" align="alignnone" width="620"]Presidente Dilma Rousseff: uma fala que põe ministro em suspeição | Foto: Lula Marques Presidente Dilma Rousseff: uma fala que põe ministro em suspeição | Foto: Lula Marques[/caption] Dois excelentes jornalistas e dois furos de reportagem: Natuza Nery, da “Folha de S. Paulo”, em reportagem do dia 12 deste mês relata uma fantástica reunião de Dilma com auxiliares, a fina flor do petismo da antecâmara governamental: os ministros José Eduardo Cardozo, Edinho Silva e Aloizio Mercadante; e mais o assessor Giles Azevedo. Foi no dia 26 de junho passado, no Palácio da Alvorada. A presidente estava bastante autêntica nesse dia de espinafração geral, e pelo menos três frases merecem registro. Teriam sido ditas por uma Dilma furiosa, andando em círculos e gesticulando muito, e se referiam à delação de Ricardo Pessoa, da UTC, que é um dardo envenenado na direção da presidente: -- “Eu não vou pagar pela m... dos outros!” – disse Dilma sem explicitar a quem se referia. -- “Você não poderia ter pedido ao Teori para aguardar quatro ou cinco dias para homologar a delação?” – fuzilou a presidente em direção a José Eduardo Cardozo. -- “Cardozo, você f... minha viagem!” – mencionando sua ida aos EUA, ainda para o ministro da Justiça. Comentários: a primeira afirmação e a última mostram que a presidente definitivamente não tem nível educacional nem serenidade para estar onde se encontra. A última demonstra de sobejo que José Eduardo Cardozo, tivesse um mínimo de dignidade, teria pedido demissão. A do meio levanta uma sombra de suspeita sobre um ministro do Supremo. Deixa-se Teori Zavaski levar pela presidente, tendo como menino de recados o ministro da Justiça? Isso tudo é Dilma em estado puro, na sua mais alta autenticidade. Gerson Camarotti, da Globo, relata um estranho, para não dizer surreal, encontro ocorrido no Porto, em Portugal, no dia 7 deste mês, onde Dilma escalou em sua viagem para Ufá, na Rússia. Participantes do tête-à-tête: Dilma, Cardozo (sempre ele) e Lewandowski. Encontro que não constou da agenda de nenhuma das três autoridades, e que poderia (e deveria) ter-se realizado no Brasil, já que, segundo Cardozo, tratou do reajuste do Judiciário, votado pelo Congresso e em vias de ser vetado pela presidente. O encontro realizado assim, às escondidas, entre duas autoridades de um executivo na mira do Supremo, por várias acusações de corrupção na operação Lava Jato, e um ministro daquela corte, que no momento, além do mais a preside, muitas vezes acusado de simpatia pelo petismo, dá margem a muitas especulações.

Vereador tucano Fernando Cunha Neto deve ser vice de João Gomes

[caption id="attachment_40758" align="alignright" width="620"]Vereador tucano Fernando Cunha Neto pode ser  o vice na candidatura de reeleição do prefeito João Gomes Vereador tucano Fernando Cunha Neto pode ser o vice na candidatura de reeleição do prefeito João Gomes[/caption] Que o PT e PSDB são partidos antagônicos na esfera nacional e estadual não é novidade para ninguém. Mas em Anápolis a história pode ser diferente e as duas legendas podem caminhar juntas nas eleições municipais de 2016. O vereador tucano licenciado e superintendente do Produzir, Fernan­do Cunha Neto, é cotado para ser o vice do prefeito João Gomes na eleição do ano que vem. Não seria a primeira vez em que petistas e tucanos marchariam juntos em Anápolis. Em 2004, por exemplo, o deputado Rubens Otoni (PT) foi candidato tendo como vice o vereador tucano José Vieira, articulado pelo governador Marconi Perillo (PSDB) e por Fernando Cunha Júnior. Existe uma relação bastante próxima entre o prefeito e o governador, que vem de antes de João Gomes assumir o comando do Executivo municipal. Quando o prefeito estava na lide classista, foi um grande entusiasta e apoiador da eleição de Marconi ao governo em 1998, pleito em que o tucano fez história ao vencer o até então considerado imbatível líder peemedebista Iris Rezende. Portanto, Marconi não quer ser uma pedra no sapato de João Gomes. O inquilino da Casa Verde vai ser um cabo eleitoral de João Gomes, não um propagandista e apoiador de um eventual adversário do petista. Outra questão a ser considerada é que João Gomes não poderá mais disputar reeleição em 2020, ou seja, seu vice, neste caso um tucano, torna-se candidato natural à sucessão em Anápolis. Isso significa que o PSDB sairá na frente com chances reais de conquistar a prefeitura que detém o segundo maior orçamento municipal do Estado. Enquanto isto, o deputado federal Alexandre Baldy segue furtivamente como um “player” que não se posiciona. O ex-secretário estadual de Indústria e Comércio, empresário e amigo de Marconi, já manifestou interesse de disputar as eleições em Anápolis, porém até o momento ainda não colocou as cartas na mesa. Corre nos bastidores que Baldy, com vistas às eleições de 2018, não quer sofrer desgaste se candidatando à Prefeitura de Anápolis no pleito do ano que vem. Isto porque caso o parlamentar saia derrotado do processo, o peso do fracasso eleitoral implicaria o comprometimento de seu prestígio político para se cacifar como candidato ao governo na sucessão de Marconi. Sem adversários Neste cenário João Gomes tecnicamente não teria adversário que venha ameaçar seriamente seu projeto de reeleição. Com as principais forças políticas a seu lado, como PSDB e PMDB, torna-se um fortíssimo candidato com possibilidade de repetir o feito de seu antecessor, Antônio Gomide, que foi reeleito com quase 90% dos votos válidos em 2012. O líder do Solidariedade em Anápolis, o deputado estadual Car­los Antonio, deve compor com o projeto petista. Já o grupo denominado G4, integrado por PHS, PPS, PEN e PSD, também não terá condições e agenda política para consolidar-se como bloco com capilaridade eleitoral, tendendo no final das contas a integrar a candidatura de João Gomes. Restam apenas os partidos tidos como “nanicos” desempenharem o papel de adversários do grupo que governa Anápolis desde 2008.

Ditador boliviano desrespeita os católicos ao receber o Papa Francisco

Evo Morales se comporta de forma baixa com o Sumo Pontífice, como nem Fidel Castro ousou fazer

Banco de Alimentos de Anápolis é inaugurado

[caption id="attachment_40754" align="alignright" width="620"]Novo Banco de Aliementos é um marco na área social da Prefeitura Novo Banco de Aliementos é um marco na área social da Prefeitura[/caption] Significativa parcela dos brasileiros não tem renda suficiente para se alimentar adequadamente e as perdas da produção agrícola, em função de danos que os produtos sofrem ao longo da cadeia produtiva – desde a produção até a mesa – atingem uma média de 30% de tudo o que se produz no País. Pensando nisso, para ampliar os trabalhos sociais, a Prefeitura de Anápolis, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Agricultura inaugurou na sexta-feira, 17, o Banco de Alimentos da cidade. O espaço irá substituir a antiga Central de Doações utilizado por vários comerciantes e produtores rurais. Todo o material que será manuseado no Banco de A­li­men­tos irá atender mais de 50 entidades filantrópicas cadastradas pela Secretaria Municipal de Desen­volvimento Social e as famílias que precisam desse apoio. Em média são 270 toneladas por ano. O empreendimento municipal é resultado de uma parceria com o Ministério do Desenvol­vi­mento Social e conta com equipamentos adequados que permitem desempenhar de forma mais eficiente e higiênica as doações, me­lhorando a qualidade. A unidade está equipada com câmara fria. Na cozinha experimental e sala de aulas, os beneficiários e a população em geral terão acesso a novos conhecimentos práticos sobre segurança alimentar, boas práticas de manipulação de alimentos, alimentação alternativa e melhor aproveitamento dos mantimentos. Toda a infraestrutura poderá aumentar o volume oferecidos e, assim, o número de colaboradores. Didaticamente, Banco de Alimentos pode ser definido como um espaço físico onde são recebidos alimentos próprios para o consumo, mas que seriam desperdiçados em feiras, hortas, supermercados, centrais de abastecimento como as Ceasas, entre outros. No espaço, os gêneros alimentícios são recebidos, selecionados, processados, embalados e distribuídos gratuitamente a entidades da assistência social.

Personalidades da política serão homenageados com Comenda

São quase 400 mil habitantes, mas alguns destes recebem, anualmente, a Comenda Gomes de Souza Ramos – a mais alta honraria concedida pela Prefeitura de Anápolis a pessoas que, de alguma forma direta ou indiretamente, colaboram ou já colaboraram no desenvolvimento de Anápolis. Esta é a principal atividade do calendário de atividades em que se comemora o aniversário da cidade. Este ano, são 32 comendadores nos 108 anos da cidade. A cerimônia, marcada para o próximo dia 29, a partir das 19 horas, trará ao Teatro Municipal estes personagens. Das 32 figuras, homens e mulheres representantes dos mais variados setores da atividade humana, que têm em seus históricos de vida, a cidade de Anápolis. Em resumo, aqueles que aqui fizeram carreiras ou aos que aqui deram a sua contribuição pelo bem coletivo. Dentre os homenageados, estão os ex-prefeitos Adhemar Santillo, Antônio Roberto Otoni Gomide e Pedro Saihum, além do presidente da Fecomércio, José Evaristo dos Santos. O governador Marconi Perillo (PSDB) também será homanageado com Comeda. Planetário Com as férias escolares e pelos 108 anos de Anápolis, a prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, promove durante todo o mês de julho, uma programação especial no Planetário Digital. As atividades se estendem até o fim deste mês. Na programação especial, o Planetário Digital terá funcionamento de terça-feira a sábado das 16 às 22 horas. De acordo com a secre­taria, as atividades serão concentradas no Observatório Astronômico, no qual o público poderá fazer o uso dos telescópios, e na exibição de duas mostras de filmes: a I Mostra de Filmes SCI-FI – Planetário - Star Wars e a I Mostra de Documen­tários Científicos - Série Cosmos: Uma Odisseia no Espaço. Fecham as atividades do local, oficinas de iniciação à Astronomia.

Não só Israel, mas o mundo todo deveria se preocupar com o Irã

O mundo festejou o chamado melhor acordo diplomático em 70 anos, mas se os iranianos estiverem blefando o futuro de Israel estará comprometido

A agonia do ex-gigante

Em nível nacional, já foi considerado o “maior partido do mundo ocidental”. O de Goiás, era tido como o mais forte PMDB do país, mas pode nem ao menos lançar candidato próprio ao governo em 2018

Prefeitura entrega documentos de áreas para a instalação de 23 novas empresas em Trindade

Iniciativa da gestão municipal, que inclui a criação de um polo industrial, favorece a geração de renda. Estimativa é de que possa produzir 5 mil empregos para a cidade

A política brasileira, este perigoso beco escuro, tarde da noite

Na política do Brasil, quem caminha sozinho dificilmente sobrevive. É preciso ter turma, ou gangue [caption id="attachment_40741" align="alignright" width="620"]Ex-prefeito de Anápolis Ernani de Paula: um exemplo de solitário que foi engolido pelos lobos Ex-prefeito de Anápolis Ernani de Paula: um exemplo de solitário que foi engolido pelos lobos[/caption] Henrique Morgantini Especial para o Jornal Opção A política brasileira é um imenso beco escuro, daqueles mal iluminados de filme noir. Ninguém entra neles, na política ou num beco assim, sozinho. Na política do Brasil só sobrevive quem anda de galera. De turma. De gangue. Os fatos inexoravelmente mostram isto. Quem caminha sozinho – e não falamos aqui de nenhum heroísmo – dificilmente conseguirá ter vida longa caso queira colocar a cabeça “pra fora e acima da manada”. Os exemplos são diversos, mas pelo menos três deles são emblemáticos. Não por acaso, tem inscrições nas diferentes esferas de poder. Vamos a eles, começando pelo que pode ser o exemplo-fundador do que podemos já chamar de “Teoria do Beco Escuro”. Fernando Collor de Mello não somente foi vítima do beco como, depois disso, aprendeu a lição e fez sua inscrição no grupo de lobinhos do Senado brasileiro. É, hoje, um benemérito. Enquanto presidente da República, desafiou máfias disfarçadas de conglomerados empresariais multinacionais e aplicou mudanças racionais e ousadas na vida do brasileiro. Quem se recorda do discurso das “carroças” nas quais o brasileiro andava e chamava de carro sabe do que estamos falando. Se houve abertura de mercado e valorização do produto mediante concorrência, Collor tem participação direta nisto. E sua liberdade para tanto foi justamente não ter compromissos mais profundos com ninguém. Tinha de fazer, achava que devia fazer e fez. O que Collor certamente não conseguiu medir foi o contragolpe destes diversos grupos atingidos, oriundos de outras esferas tanto políticas como da sociedade. Dois destes golpes foram claros: a mídia brasileira patrocinada e o Congresso Nacional. Collor não recebia deputados, senadores, dizia a quem quisesse ouvir – quase sempre longe da antessala presidencial – que não tinha que dar nada a ninguém. Era um “caçador de marajás” e como todo bom lobo solitário andava sozinho pelas planícies e planaltos da política nacional. Santo, não era. Do contrário, era portador de um esquema até então inédito pelo volume de caixa dois. Não foi Collor quem inaugurou o esquema, mas foi a partir dele que descobriu-se o quanto campanhas são um negócio rentável no esquema de patrocínio à vista para pagamento a prazo. Da Era Collor até os dias hoje, coisas piores já aconteceram. Mas Collor andava sozinho na política. Colecionava desafetos e inimizades próprias da sua arrogância no trato diário. Foi se isolando cada vez mais até que ficou sem qualquer base de sustentação no parlamento brasileiro. A Presidência havia se tornado uma imensa e poderosa ilha, mas com a apenas um general, enquanto estava cercada pelo Congresso Nacional, formado por centenas de soldados canibais prontos para invadi-la, saqueá-la. Hoje, mais de 23 anos depois, Collor está de novo em meio a uma confusão com suspeitas de corrupção. O cenário – que ironia – é o mesmo: a Casa da Dinda. A antiga residência oficial é, hoje, um depósito de carros de extremo luxo, todos apreendidos pelo circo de holofotes e câmeras da Lava Jato. Onde antes havia uma fatídica Fiat Elba, hoje deu lugar a uma Ferrari, uma Lamborghini e uma Porsche. Os tempos definitivamente são outros. Acontece que, também diferentemente dos idos de 1992, Collor hoje já não está sozinho. Aprendeu que naquele beco escuro ele não entra mais sozinho. Aprendeu a andar de galera porque é sua turma que o ajuda na hora do aperto. Bastou a notícia da operação e a mesa diretora do Senado manifestou-se pedindo explicações, rechaçando e esvaziando a Lava Jato. Tudo para blindar Collor e outros pares que podem – quem sabe? – também entrar no circo do juiz Sérgio Moro e cia. Colocar a situação nesta perspectiva deixa tudo muito complicado, afinal, defender a postura do Senado é proteger Collor, mas apoiar a condução da Lava Jato com estas operações hollywoodianas é igualmente um exercício de pueril e ingênua burrice. Outra lição na política brasileira: não importa qual lado você escolher, dificilmente ele será o lado puramente certo. Todo certo tem um podre em se tratando deste assunto. Em tempo: Collor é reincidente nas suspeitas, mas insinuar que o dinheiro que pagou pelos três carros vem de propinas e desvios é uma brutal estupidez. Afinal, Collor e sua família têm em suas propriedades, entre outras coisas, uma afiliada da Globo nas Alagoas. São ricos de doer. Mas ser rico não significar ser honesto com dinheiro público. Estou falando que é difícil ter lado. Exemplo mais próximo Enfim, outro exemplo, mais nosso e mais recente, é o do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM). Foi pego em conversas com Carlos Cachoeira combinando leis, acertos, influências, vinhos e recebendo presentes de casamento. Foi cassado pelos próprios pares. Ocupando seu mesmo espaço político, está o também goiano Ronaldo Caiado – também do mesmo partido – que foi protagonista de curiosa reportagem da “Folha de S. Paulo” na qual estaria empregando funcionários de seu gabinete no Senado para trabalhar em suas empresas e negócios do meio rural. Uma reportagem bastante ampla, cuidadosa. Mas que ninguém levou adiante. Não foi para o “Fantástico”, pra lugar nenhum. Assim como ninguém sequer levantou a hipótese de Caiado ser ao menos investigado numa Comissão de Ética ou algo parecido. Ficou tudo por isto mesmo. A diferença? À sua época, Torres era um dos senadores mais silenciosamente odiados pelos colegas de Câmara Alta. Não tinha papas na língua e apontava o dedo a todos aqueles que aprontavam alguma coisa, incluindo os grandes, os decanos, nomes da mais alta corte das sombras da política nacional. Ao ser flagrado num negócio esquisito de papo de Nextel (longe de ser um medo “vacilo” e igualmente longe de ser a pior coisa já vista na política brasileira) toda esta sociedade secreta tratou de levar Demóstenes à fogueira. Caiado, com a história mal explicada da “Folha”, flana com sua habitual fúria de mentirinha, pelo Senado. Vive ao lado de nomes fortes como Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG) e Agripino Maia (DEM-RN). Nele, é mais difícil tocar. Por fim, um exemplo à anapolina. Todos se lembram do ex-prefeito de Anápolis Ernani de Paula. Ernani foi uma espécie de Collor in vitro, resumido à cidade de Anápolis. Chegou paparicado sob a luz da novidade e venceu as eleições pagando do próprio bolso suas contas. Aterrissou no gabinete municipal em 2001 sem uma dívida, seja com políticos, seja com empresários. Era o momento de, novato e neófito, fazer o seu grupo a partir do seu poder, como um planeta cuja sua volta gravitam satélites. Tinha à frente duas opções: seguir como o ex-presidente Collor, desafiando a tudo e a todos, ou como o também recém-empossado Marconi Perillo que fez um trabalho exemplar de bastidores para trazer para si uma base adversa. Afinal em 1998, só ele venceu as eleições, o resto ainda era da Era Irista, portanto, sua oposição. Ernani seguiu a primeira. Comprou brigas que a cidade de Anápolis precisava ter e outras tantas desnecessárias. Destratou e maltratou políticos e decanos, empresários e outros bandidinhos – é preciso que se diga. Acontece que eles, todos eles, nunca andavam sozinhos. Todos tinham a sua gangue. E vociferando uma espécie Sabedoria Ancestral das Antas, todos se coligaram sob a máxima do “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. E então as forças antagônicas se uniram culminando numa cassação circense e até hoje bastante patética na Câmara Municipal de Anápolis. O legado de Ernani de Paula, que sonhou ser governador, se transformou num caso de estudo sobre “Como não fazer inimigos quando se entra sozinho na Política”. Ernani igualmente como os casos anteriores não era santo, ainda não é. Mas ao verificar os motivos da sua cassação em comparação com as notícias que circundam o nosso cotidiano – e que não dão em nada – só nos mostra que o beco escuro está cada vez mais perigoso para quem anda só. E cada vez mais seguro para quem tem sua turma. Semana passada o mesmo Ernani, mais experiente e com algumas lições aprendidas debaixo de paulada, escreveu em seu blog pessoal alguns artigos sobre a política goiana. Ressaltou o trabalho de seu antigo algoz na cassação, Marconi Perillo, na tentativa de se tornar candidato a presidente e, ainda, falou sobre as chances reais de Jayme Rincón (PSDB), da Agetop, e Vanderlan Cardoso (PSB), de serem fortes candidatos à Prefeitura de Goiânia. Informações dão conta que teria recebido ligações tanto de Vanderlan, agradecendo a menção, quanto do próprio governador, que pessoalmente confessou ser um ávido leitor de sua página na internet e aproveitou para parabenizá-lo pela análise e agradecer a citação. E então vem a lição final do Beco Escuro. Esta só se aprende depois de passar sozinho e apanhar até desfalecer. A lição é a mesma que se aprende em algumas passagens do genial “O Poderoso Chefão”, de Coppola, e diz: não é nada pessoal, são apenas negócios. Sem ressentimentos, por favor. E esta semelhança, infelizmente, não parece ser só uma coincidência.