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Partidos de ideias radicais crescem com insatisfação da população em relação às elites políticas
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Agenor Mariano com Iris Rezende[/caption]
O vice-prefeito Agenor Mariano (PMDB) está empenhado na campanha de Iris Rezende para prefeito de Goiânia. “É impressionante a vitalidade de Iris. Na sexta-feira, 23, saiu de casa às 5h30 da manhã e às 6h estava na Rádio Interativa. Dá gosto ver um homem com sua história, que foi governador e ministro, trabalhando de maneira intensa para ser prefeito da capital.”
Agenor Mariano sublinha que Iris Rezende está “animado”. “Sai de casa bem cedo e só volta depois das 22 horas, às vezes até mais tarde, e não reclama de nada. É um político dedicado e disciplinado. Ele faz comícios todos os dias, alguns deles para 800 pessoas. Não vejo Vanderlan Cardoso fazendo comícios. O candidato do PSB não tem presença maciça nas ruas.”
Na opinião do vice-prefeito, aquele que “subestimar” Iris Rezende pode estar cometendo “um grave erro político”. “Iris tem voto cativo, solidificado, que não muda. Quanto às pesquisas, ele tem de 45% a 47% dos votos válidos. Portanto, não há equívoco quando sugerimos que pode ser eleito no primeiro turno.”
Vanderlan Cardoso, opina Agenor, “cresceu muito, é fato, mas não está crescendo mais. Parece que, ao ser descontruído pelos adversários, alcançou uma espécie de teto”.
Há um certo desespero no irismo: acredita-se que o peemedebista só será prefeito de Goiânia se ganhar no primeiro turno. No segundo, a expectativa de poder é de Vanderlan Cardoso
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Arquivo[/caption]
Na semana passada, assistiu-se a um fenômeno no PMDB de Goiânia. Depois de participarem ativamente da campanha de Iris Rezende, alguns políticos, entre eles deputados, deixaram o peemedebista, pois acreditam que Vanderlan Cardoso deve ser eleito prefeito — isto só dizem em off, dos mais absolutos —, e voltaram para suas bases no interior. Um deputado chegou a dizer: “Iris é uma pessoa excelente, mas ele e Iris Araújo são pessoas do passado, que ficaram para trás. A partir de agora, temos de fortalecer nossas bases no interior e pensar no pleito de 2018, quando deveremos bancar Daniel Vilela para o governo de Goiás”.
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Magda Mofato, Flávio Canedo, Thiago Peixoto, Francisco Júnior, Vilmar Rocha e Adriana Accorsi possivelmente apoiarão a candidatura de Vanderlan Cardoso no segundo turno. É a hora do anti-irismo[/caption]
A eleição para prefeito de Goiânia será realizada daqui a oito dias. Portanto, se as pesquisas de intenção de voto estiverem certas, o segundo turno se dará entre os candidatos do PSB, Vanderlan Cardoso, e do PMDB, Iris Rezende. Só não se sabe quem irá para a próxima etapa em primeiro lugar. Os iristas apostam no peemedebista, avalizados por sua história na capital. A ascensão fulminante do postulante do PSB sugere, para seus defensores, que pode superar Iris Rezende, indo para a etapa seguinte em primeiro lugar.
Com o quadro teoricamente definido, algumas campanhas começam a ser desaceleradas, até por que não compensa gastar dinheiro quando se sabe que o resultado será infrutífero. Em “on”, publicamente, nenhum dos postulantes, a partir do terceiro colocado, admite que vai apoiar Vanderlan Cardoso ou Iris Rezende no segundo turno. Em “off”, privadamente, alguns deles, além dos líderes dos partidos políticos, começam a pensar num rearranjo político.
O PR da deputada federal Magda Mofatto, uma política articulada e com forte presença no interior, tende a fechar acordo para apoiar Vanderlan Cardoso. Claro que tudo vai depender de uma conversa com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que, por certo, será o avalista do acordo político entre o PR e o PSB. Há, como se sabe, o fato de que o PSB terá candidata a senadora em 2018 — a senadora Lúcia Vânia — e Magda Mofatto já se apresenta como postulante a uma vaga na chamada “câmara alta”. Frise-se: no PR manda a deputada-empresária e seu marido, Flávio Canedo. Ninguém mais.
O PT, depois da debacle nacional, é um barco à deriva, em busca de um porto sobre o qual seus militantes nada sabem e não contam com bússola para localizá-lo. No segundo turno, tende a se dividir. A corrente do deputado estadual Luis Cesar Bueno — que teria Síndrome de Estocolmo em relação ao líder do PMDB na capital — tende a apoiar Iris Rezende. Mas Pedro Wilson, Olavo Noleto, Osmar Magalhães, Carlos Soares e Adriana Accorsi possivelmente apoiarão Vanderlan Cardoso. O motivo é simples: o peemedebista, com o apoio do vice-prefeito Agenor Mariano, faz o possível para descontruir a gestão petista.
O PSD do ex-deputado federal Vilmar Rocha, do deputado federal Thiago Peixoto e do deputado estadual Francisco Júnior — candidato a prefeito de Goiânia — não hesitará um minuto: vai apoiar Vanderlan Cardoso. Aliados do governador Marconi Perillo, os pessedistas, ao apostarem no postulante do PSB, estarão apostando na disputa de 2018, por isso não ficarão ao lado de Iris Rezende.
O resultado é que a massa de apoio a Vanderlan Cardoso vai crescer no segundo turno — encorpando sua campanha — e o grupo de Iris Rezende não deve crescer. Isto fará uma diferença enorme.
Políticos acreditam no plano de concessões e privatizações que pretende arrecadar R$ 24 bilhões, mas apontam: outras medidas serão necessárias
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Fotos: Fernando Leite e Renan Accioly/ Jornal Opção[/caption]
O Jornal Opção perguntou para dois pesquisadores: “Nas últimas pesquisas, o que de fato mais chamou sua atenção?”
Os pesquisadores sugerem que há um aspecto que desperta mais a atenção dos que trabalham com pesquisas: a simulação de segundo turno. Quando pesquisas mostram que Iris Rezende, candidato do PMDB a prefeito de Goiânia, e Vanderlan Cardoso, postulante do PSB, estão empatados — por exemplo, com 43% e 42% —, isto significa que a situação de Iris Rezende é das mais complicadas.
Iris Rezende, sublinham os pesquisadores, é um político “de” Goiânia e que tem fama de sempre ganhar na capital, tanto para o governo quanto para a prefeitura. Mas agora, de acordo com a simulação de segundo turno, o quadro mudou: os eleitores tendem a trocá-lo por aquele candidato que se pode nominar de “novo consistente”, ou seja Vanderlan Cardoso.
O que aconteceu com Iris? Esgotou-se politicamente, perdeu conexão com os eleitores.
A fama de não terminar mandatos é outro dos problemas incontornáveis de Iris Rezende. Parece que o eleitor goianiense percebe, ao menos agora, que o peemedebista é “fissurado” pelo governo do Estado. Antes, poucos eleitores observavam o nome do vice e suas peculiaridades. Mas, como o peemedebista não para, sempre se desincompatibilizando para disputar outros cargos, os eleitores, desta vez — e também devido a Paulo Garcia, do PT, o prefeito super reprovado da capital —, estão de olho no vice, o Major Araújo, e parece não aprová-lo. E sua desaprovação aumenta a rejeição de Iris Rezende.
Um dos principais problemas de Iris Rezende é que o eleitor o percebe como um político superado, que não se atualizou. Ao mesmo tempo, é apontado como aquele gestor que não vai além do arroz com feijão. Em termos políticos e de gestão, é visto como uma pessoa que não tem capacidade de renovar-se. Pode-se dizer, portanto, que acabou a lua de mel de Goiânia com Iris Rezende e que se tornaram espécies de Brad Pitt e Angelina Jolie, falando linguagens diferentes.
Ao mesmo tempo em que Iris Rezende perde sintonia com os goianienses, Vanderlan Cardoso aparece como líder, como um político forte e qualificado. Os pesquisadores frisam que o Vanderlan Cardoso de hoje não é o mesmo de 2014. Na opinião dos especialistas, ele é mais sólido, até falando com mais firmeza e precisão. Seu programa eleitoral, apresentando-o nas ruas, sugere que mantém contato com a cidade e os seus problemas reais.
Por ser mais jovem — tem 30 anos a menos do que Iris Rezende, que tem idade para ser seu pai —, Vanderlan é notado como mais contemporâneo dos moradores da cidade.
Outro fator positivo para Vanderlan é sua rejeição baixa. A rejeição é um limitadores do crescimento de Iris Rezende
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Arquivo[/caption]
O prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura, do PSDB, continua favorito na disputa pela reeleição. O maior adversário do postulante do PMDB, o “petista” Renato de Castro, não é o tucano, e sim seu pai, Manoel de Castro Arantes, o Fião. Os eleitores temem que, se eleito, Fião Júnior passe a missão de governar para Fião Sênior.
Dada a rejeição de Fião Sênior, em alguns encontros, Jalles Fontoura começa a conversa assim: “Por que eu e Fião estamos disputando a prefeitura...”. A referência é a Fião pai, o que provoca risos na plateia. Um dos problemas mais graves dos Fiões, o Júnior e o Sênior, é que não agregam.
O ex-prefeito Gilberto Naves, político do PMDB mais consistente de Goianésia, pode até gravar vídeo de apoio, mas a verdade é que não está empolgado com a candidatura de Fião Júnior. Frederico Jayme, que faz política mais em Pirenópolis, é filiado ao PSDB, porém, mesmo ligado a Gilberto Naves, não se empolga, nem um milímetro, com Fião Júnior.
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Governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) | Foto: Divulgação[/caption]
O governador Marconi Perillo vai fazer uma reforma administrativa de médio porte. Nem vacas sagradas, como Raquel Teixeira (não melhorou o Ideb e não implantou as OSs na educação), serão poupadas. Há duas vagas importantes: a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Secretaria da Fazenda (para a qual pode ser convocado um economista nacional). Ana Carla deu um ultimato: sai em dezembro, porém, como sua missão está cumprida, pode sair até antes. O tucano-chefe planeja contemplar as forças eleitorais que atuaram como suas aliadas na eleição deste ano e vai pensar, além do aspecto técnico, na correlação de forças para a disputa de 2018.
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Reprodução[/caption]
Políticos propositivos, os candidatos a prefeito de Goiânia pelo PT, Adriana Accorsi, e pelo PSD, Francisco Júnior, vão terçar forças, nos próximos oito dias, pela terceira posição — atrás de Vanderlan Cardoso, do PSB, e de Iris Rezende, do PMDB, os dois postulantes que deverão ir para o segundo turno.
Aliados de Adriana Accorsi apostam que, consolidada no terceiro lugar, se consagrará para a disputa de mandato de deputada federal ou à reeleição para deputada estadual. Francisco Júnior, que pretende chegar ao quarto lugar e, depois, tomar o terceiro lugar da petista, trabalha para se cacifar para um mandato de deputado federal ou estadual em 2018.
Trata-se de uma disputa entre postulantes consistentes e que certamente terão futuro na política de Goiás.
Afonso Lopes O eleitorado da capital só agora começa a dar mostras de intreresse no pleito de outubro. Há décadas não se registrava uma campanha tão “fria” como a atual, em Goiânia. Aliás, a reclamação é nacional. Os eleitores de maneira geral pouco se “lixaram” em relação à disputa que irá definir o próximo prefeito a partir de 1º de janeiro do ano que vem. Mesmo nas pequenas cidades, onde normalmente existem maiores chances de as disputas se tornarem quentíssimas entre dois ou mais grupos, a animação geral não foi como em outras eleições. Alguns especialistas em comportamento social entendem que esse desinteresse pode resultar num recorde histórico de votos em brancos, nulos e abstenção. Existem motivos para tanto desinteresse? Existem, sim. Além das novas regras eleitorais, que apertou ainda mais a enorme relação de proibições, todos os comitês dos candidatos reclamaram da falta de condições econômicas para bancar as campanhas. Sem dinheiro, as campanhas ficaram menores, e não conseguiram gerar maior impacto na vida da cidade e dos cidadãos. O dinheiro sumiu por causa de três fatores: as empresas não podem mais bancar candidaturas - no caixa 1, obviamente -, o caixa 2 se tornou bem mais perigoso e vigiado e a crise econômica encurtou o bolso de todo mundo. Outro bom motivo para o desinteresse do eleitorado é o tempo muito mais curto de campanha, e a diminuição dos programas eleitorais no rádio e na televisão, principal palanque das eleições brasileiras desde a proibição dos “showmícios”. Essas mudanças visaram a economia de custos das campanhas, mas a dosagem talvez tenha sido excessiva. Por fim, o Brasil viveu um ano atípico, lotado de motivações extra-eleitorais. No início do ano, a possibilidade de impeachment da então presidente Dilma Roussef ganhou corpo e passou a ser discutida. Depois, vieram os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, além das votações do impeachment e do afastamento definitivo do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Ou seja, foi um ano carregado de “boas distrações” para o eleitorado, que só agora, na reta final da campanha, começa a falar sobre a sucessão municipal. Em Goiânia, outra característica também contribuiu para o esfriamento dos ânimos. Com regras cada vez mais rígidas, os programas eleitorais no rádio e na TV perderam o componente crítico em relação aos adversários. Via de regra, só se pode falar bem do próprio peixe sem questionar a peixaria do adversário. E, assim, os programas se transformaram em desfile de promessas juramentadas de cidades maravilhosas e, por isso, ficaram chatos demais. Antigamente, quando direito de resposta era apenas para gravíssimas acusações pessoais e sem provas ou com provas falsas, os programas eleitorais eram aguardados pelos eleitores como grande atração. Há informações em alguns comitês de que o clima vai esquentar nesta reta final. Talvez seja tarde demais diante de posições já consolidadas de parte do eleitorado. A outra parte não “está nem aí”. Será que isso muda?
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Foto: Wagnas Cabral[/caption]
O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT) — cujos problemas administrativos decorrem da gestão anterior, de Iris Rezende —, pretende partir para cima do candidato peemedebista. Ele promete abrir sua caixa preta (teria deixado uma dívida de quase 1 bilhão de reais). O petista conversou com o governador Marconi Perillo. Os dois vão traçar uma estratégia para o segundo turno. Paulo Garcia nunca teve medo de Iris Rezende, mas, por lealdade, nunca revelou o basfond da gestão irista.
Especialistas avaliam razões da diferença entre o desempenho dos dois principais postulantes à Prefeitura da capital nos levantamentos de intenção de voto
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Reprodução[/caption]
Do deputado estadual Jean Carlo, presidente do PHS estadual: “Anote e me cobre depois: o prefeito de Itaberaí, Roberto Silva (foto), do PP, vai ser reeleito com extrema facilidade. Não subestimo mas também não superestimo adversários”. O parlamentar aposta que Silva terá de 65% a 70% dos votos. “Na reta final, o voto útil está migrando para Roberto.”
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Foto: divulgação[/caption]
O PSDB de Goiás, com o aval do governador Marconi Perillo, vai apostar em novas candidaturas para deputado federal em 2018. Entre os nomes novos está o do empresário Zé Garrote (que pode optar por lançar Jean Carlos, do PHS, para deputado federal), um dos maiores produtores de frango do país. O tucano-chefe planeja preparar outros candidatos de perfil qualitativo parecido. O que se diz é que, na próxima eleição, a disputa será acirrada e nem as vacas sagradas terão vaga garantida.

