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Após ser encontrado revirando lixo, Gabriel assiste jogo ao lado do vice-governador

Garoto de apenas seis anos, da cidade de Rio Verde, procurava material escolar usado quando foi ajudado por policiais militares

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Atualmente, há 18.846 alunos matriculados na universidade – dos quais 7.249 na licenciatura, 7.660 na graduação e 3.937 entre mestrado, doutorado e especialização

Serra defende que PSDB escolha candidato à Presidência só em 2018

Ministro das Relações Exteriores (e o menos cotado dos tucanos ao Planalto) afirmou que qualidade das gestões nos estados e prefeituras será diferencial

PSD pode apoiar Jovair Arantes já no primeiro turno

Segundo deputado goiano Thiago Peixoto, o candidato do partido, Rogério Rosso, dá sinais de que se unirá ao deputado do PTB

Acidente de trem deixa pelo menos 36 mortos na Índia

Causas do acidente ainda não foram reveladas, há a suspeita de ataque de grupo extremista

Criança de 2 anos morre vítima de bala perdida em lanchonete no Rio de Janeiro

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Para revista Time, novas manifestações contra Trump podem ocorrer nos Estados Unidos

Segundo pessoas que lideraram Marcha das Mulheres em Washington, este foi o primeiro ato de resistência ao presidente, mas não será o último

“Capitão Fantástico” mostra como é difícil viver em sociedade sem tentar aniquilar uns aos outros

Filme de Matt Ross coloca à prova a capacidade que cada indivíduo tem de pertencer a uma sociedade cada vez mais heterogênea sem tornar inválida a existência alheia [caption id="attachment_85347" align="aligncenter" width="620"] Ben Cash dispensa aos filhos uma educação extremamente rígida, vivendo longe das mazelas do mundo contemporâneo, mas até que ponto a ordem é mais importante que a liberdade?[/caption] Capitão Fantástico (2016) é um filme interessante. De cara, é possível dizer se trata de um filme de (e para) pais e filhos. Os pais choram ao final, revendo o tipo de educação que impuseram aos filhos até aqui, mas recordando também quanto amor esteve envolvido. E os filhos, embevecidos com o tipo de criação libertária que conhecem na tela, aspiram as habilidades quase super-humanas dos seis pequenos coadjuvantes. Ben (que, ironicamente, lega a seus filhos o sobrenome “Cash”) carrega consigo fortes convicções ideológicas anti-estabilishment. Os valores familiares que propaga são “Power to the people! Stick it to the man!”, lemas populares de grupos socialistas, pacifistas, anarquistas e minorias em luta pelo reconhecimento de seus direitos nos anos 50 e 60. Seu profeta, Noam Chomsky (Jesus seria apenas um elfo mágico, fruto de mentes doentias). [relacionadas artigos="84231"] Carregando essas convicções ideológicas, com a cumplicidade da esposa (que aparece apenas como memória do protagonista ou como cadáver — e isso tem um papel fundamental no sentido do filme), dispensa aos filhos uma educação extremamente rígida, vivendo na selva, longe da civilização e das mazelas do mundo contemporâneo. Mas enxergar o segundo longa de Matt Ross — antes, um pouco prolífico ator de Hollywood, mas agora, depois de faturar o prêmio de melhor direção na mostra “Un Certain Regard” em Cannes, diretor em ascensão — apenas como uma comédia romântica sobre educação infantil é pouco. O Capitão se propõe a discutir os caminhos do poder e seus custos individuais. Quando William Golding escolheu crianças para protagonizar o seu “Senhor das Moscas”, em 1954, muito provavelmente queria utilizá-los como metáfora ao conceito de “estado de natureza”, aquele estado do indivíduo selvagem, ainda sem o compromisso de viver em sociedade. Os adultos do livro, todos mortos, simbolizariam as leis, o Sistema. E nesse contexto em que não existem regras pré-estabelecidas, sobreviver é o mote principal para qualquer decisão. Nessa condição natural, todos os homens são potencialmente iguais, e suas características diferenciadoras compensam-se. Na obra de Golding, o carisma de Ralph ou a inteligência de Porquinho eventualmente compensariam a força bruta e a austeridade de Jack. Como cada um utilizaria essas características para se manter vivo — o que inclui dominar a maioria e estabelecer um “reinado” — já é outra história. O sangue e o ímpeto selvagem das imagens iniciais do filme nos levam equivocadamente a crer que a família de Ben vive a liberdade plena. O perfeito “estado de natureza”. Só que, ao contrário do que ocorre no “Senhor das Moscas”, existe um adulto ali infiltrado. Alguém que reina absoluto e impõe suas regras àquele pequeno grupo de pseudo-selvagens — regras como treinos de condicionamento físico pesados todos os dias, horário para leitura de clássicos, prática musical, agricultura de subsistência, defesa pessoal e até proibição de ficar nu perto de pessoas que estão comendo dão forma àquela micro sociedade. Não são selvagens. São membros de uma comunidade alternativa que renega o sistema, com todas as suas cocas-colas venenosas, celulares e videogames alienantes e cumprimentos simpaticamente hipócritas. “Stick it to the man”. Mas a grande questão do filme está escondida nessas entrelinhas aí: o cara que governa essa comunidade não tem um Contrato Social prévio. “The Man”. O presidente nunca foi aclamado. E, como diria Rousseau, se a lei não é auto-imposta, a liberdade vira escravidão. É bom perceber como Ross — que também escreveu o roteiro da obra — apresenta seu plano maligno. Primeiro, constrói a ideia de sistema perfeito. Depois, o desconstrói aos poucos, mostrando suas imperfeições e nos incutindo a desconfiança, inclusive expondo-o num embate com o sistema capitalista que todo mundo conhece. Essa desconfiança também contagia os filhos de Ben, “os súditos”. Surge o questionamento, seguido da indignação — nossa e dos moleques. Já dizia John Locke, o liberal, que quando o Estado quebra o pacto com os seus cidadãos, há motivo mais do que suficiente para a ruptura. No decorrer das cenas, somos inevitavelmente levados a questões como “até que ponto a ordem é mais importante que a liberdade?”, “Qual o custo individual para se manter a ordem coletiva?”, “Os sacrifícios valem à pena?”. Se levarmos em consideração o tumultuado momento político pelo qual passamos, em que a legitimidade de um Presidente da República é questionada pela forma como ascendeu ao poder (no Brasil), ou o impacto que bandeiras polêmicas levantadas podem causar na coesão social (nos Estados Unidos), o filme toma uma profundidade ainda maior. E o protagonista sintetiza toda a angústia que surge no momento em que os anseios de um grupo se dissociam das convicções de quem o lidera — legítima ou ilegitimamente. Aliás, o que determina essa legitimidade? Em que momento surge, ou deixa de fazer efeito? Capitão Fantástico, sem dúvidas, tece uma crítica irônica à sociedade de consumo e à forma como criamos nossas crianças nos dias de hoje. Mas seu grande mérito está em colocar à prova como cada um, individualmente, enfrentará os desafios de pertencer (ou não se sentir como parte) a uma sociedade cada vez mais heterogênea, onde cada um é obrigado a encontrar a melhor forma de sobreviver sem tentar, a todo custo, aniquilar “o outro”. Pensando melhor, “interessante” é uma qualificação proibida para esse filme. João Paulo Lopes Tito é advogado e estudante de Cinema e Audiovisual

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