Após ser encontrado revirando lixo, Gabriel assiste jogo ao lado do vice-governador

Garoto de apenas seis anos, da cidade de Rio Verde, procurava material escolar usado quando foi ajudado por policiais militares

O pequeno Gabriel, de seis anos, esteve em Goiânia no último sábado (21/1) para realizar o sonho de assistir a uma partida do seu time de coração. O garoto que foi centro de uma mobilização solidária nos últimos dias foi recebido no estádio pelo vice-governador e torcedor do Vila Nova, José Eliton (PSDB). Os dois assistiram ao amistoso no estádio Serra Dourada, que terminou com vitória do time goiano por 2 a 1 contra o Flamengo.

Gabriel Oliveira Barbosa foi encontrado por policiais militares revirando o lixo numa das ruas de Rio Verde, em companhia de sua avó, Zilda, à procura de material escolar. Comovidos, os policiais Denilton Souza Queiroz e Paulo Henrique Aires Campos, do 2º Batalhão da Polícia Militar do 8º Comando Regional, mobilizaram o comércio local e, em poucas horas, surpreenderam o menino e a avó na residência, entregando todo o material, além de roupas e calçados de que precisa para frequentar a escola.

No Serra Dourada, José Eliton parabenizou os policiais militares e os destacou como exemplo para a corporação e para a sociedade. Vestido com a camisa do Vila, Gabriel se disse torcedor do Tigrão, do Flamengo e, mais recentemente, também da Chapecoense.

Ele entrou com o time em campo e, depois, foi recebido pelo vice-governador e seu filho Netto, com quem assistiu ao amistoso, vibrando com os dois gols de Wallyson que deram ao Vila a vitória diante do time carioca. Para José Eliton, Gabriel é exemplo de que, mesmo em situação de graves dificuldades, as pessoas podem optar pelo melhor caminho, o do conhecimento e do saber.

“Tenho certeza de que Gabriel terá uma brilhante trajetória na sua formação e que continuará a nos orgulhar com sua determinação e capacidade de sonhar”, afirmou José Eliton. O menino é criado desde bebê pela avó Zilda, que é catadora de produtos recicláveis pelas ruas de Rio Verde. A sua viagem e a dos policiais à capital do estado foi organizada pelo comandante do 8º CRPM, coronel Aylon José de Oliveira Júnior, depois que a assessoria da PM conseguiu apoio junto aos proprietários do Hotel Alpha Park.

Eles foram recepcionados, primeiro no hotel em que ficou a delegação do time carioca. Na chegada do Flamengo, o menino Gabriel ganhou uma camisa do time. Em seguida, o neto de dona Zilda foi levado ao Vila, onde foi recepcionado pela diretoria e pelos jogadores. Ele foi agraciado com um uniforme completo do seu time de coração, com um boné e uma bola oficial.

Corrente de solidariedade

A mãe de Gabriel teve cinco filhos. Sem condições de criá-los, deixou a criança com a avó para não ter que doá-lo para outra família. O menino ajuda na atividade de catação de produtos recicláveis e estuda na Escola Dona Gercina. Como a escola fica longe de onde mora, Gabriel tem apoio do transporte escolar que o leva gratuitamente. Segundo o coronel Aylon, do 8º CRPM, Gabriel afirmou que ainda não sabe ler.

Era um patrulhamento de rotina. Os soldados Denilton Souza Queiroz e Paulo Henrique Aires Campos passavam pela Rua Piauí e viram que um menino vasculhava o lixo das casas acompanhado de uma senhora. Deram a volta no quarteirão e pararam para conversar com eles. Naquela hora, Gabriel exibia com um entusiasmo de quem ganha um troféu uma mochila rasgada e suja que acabava de encontrar, dizendo: “Agora eu tenho uma mochila para ir para a escola”. Comovidos, os soldados pegaram o endereço da avó do menino e saíram.

Foram em lojas da cidade e contaram o que haviam presenciado, pedindo a compreensão e a colaboração de todos. Em poucas horas, eles conseguiram a doação de uma mochila nova, cadernos, lápis, estojo e outros materiais, além de tênis, sandálias, meias e roupas, entre outros produtos. No mesmo dia, os policiais foram à casa de Gabriel, na Rua JA 02, Quadra 36, Lote 31, no bairro Dom Miguel, naquela cidade, levar tudo o que haviam arrecadado.

Para o menino Gabriel e sua avó, foi uma grande surpresa a chegada dos policiais com tantas sacolas, pois não estavam esperando nada. Segundo o soldado Aires, essa ação só foi possível porque os comerciantes foram solidários e ajudaram a concretizar o sonho do menino de ir para a escola com o material necessário. As doações, segundo informou o comandante Aylon Oliveira, foram feitas pelos proprietários da Papel Brink, Lojas Brasil 10, Preferidas Modas, Lojas Maravilha, Mercado dos Sapatos e Central Arte, todas de Rio Verde.

O comandante ressaltou que o trabalho diário da avó de Gabriel, na coleta de produtos recicláveis nas ruas de Rio Verde, só custeia a alimentação da família. “É para a sobrevivência, não daria para comprar o material escolar do menino”, explicou. “Por isso os policiais ficaram tão comovidos, porque aquela mochila sem alça, o apontador e a borracha era tudo o que ele tinha para começar as aulas”, completou.

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