Goiás chega à fase crítica da seca com 62 dias sem chuva e redução dos níveis dos rios
09 junho 2026 às 16h36

COMPARTILHAR
A estiagem já se consolida em Goiás e os impactos começam a aparecer em diferentes áreas do estado. Dados divulgados pelo Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) mostram que algumas regiões goianas acumulam até 62 dias consecutivos sem chuvas significativas, enquanto a umidade relativa do ar deve atingir níveis de atenção em praticamente todos os 246 municípios nesta quarta-feira, 10.
O cenário é típico do período seco do Cerrado, mas especialistas alertam que a combinação entre ausência prolongada de precipitações, temperaturas elevadas e redução dos níveis dos rios exige atenção da população e dos órgãos de gestão ambiental.
Segundo o boletim meteorológico, Goiás terá predominância de sol e variação de nebulosidade em todas as regiões, sem previsão de chuva. O amanhecer continuará com temperaturas mais amenas, mas as tardes serão marcadas por rápida elevação térmica e queda acentuada da umidade do ar.
Na capital, os termômetros devem variar entre 14°C e 30°C. Em municípios do Norte goiano, como Porangatu, a máxima pode atingir 35°C, uma das maiores temperaturas previstas para o estado. Já cidades do Entorno do Distrito Federal, como Cristalina e Luziânia, devem registrar máximas mais amenas, entre 26°C e 27°C.
Regiões já ultrapassam dois meses sem precipitações
O levantamento do Cimehgo mostra que a estiagem avança de forma desigual pelo estado. As regiões Sul e Sudoeste lideram o período sem chuvas, com 62 dias consecutivos de seca. Logo atrás aparecem a região Oeste, com 61 dias, e as regiões Central e Leste, ambas com 54 dias. O Norte goiano registra 46 dias sem precipitações relevantes.
O acompanhamento passou a ser realizado regionalmente pelo órgão para auxiliar no planejamento de ações preventivas voltadas à agricultura, à gestão dos recursos hídricos e ao combate às queimadas.
A tendência é de agravamento desse quadro ao longo dos próximos meses, período historicamente marcado pela redução das chuvas em Goiás.
Quase todo o estado entra em faixa de atenção para baixa umidade
Outro dado que chama atenção é o comportamento da umidade relativa do ar. O boletim prevê índices mínimos de 28% em todas as regiões goianas durante o período da tarde.
De acordo com a classificação utilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), valores entre 21% e 30% são enquadrados em nível de atenção. Nessa condição, aumentam os riscos de irritação nos olhos, ressecamento da pele, sangramentos nasais e agravamento de doenças respiratórias.
A abrangência do fenômeno impressiona. A lista divulgada pelo Cimehgo inclui praticamente todos os municípios goianos, entre eles Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Rio Verde, Catalão, Luziânia, Jataí, Formosa, Itumbiara e Porangatu.
Especialistas recomendam aumento da ingestão de água, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h e reduzir atividades físicas nos horários mais quentes do dia.
Níveis dos rios começam a cair com o avanço da seca
Os reflexos da estiagem também já são percebidos nos principais mananciais do estado. O monitoramento hidrológico realizado pelo Cimehgo aponta tendência de redução dos níveis em diversos rios, especialmente aqueles localizados em regiões mais afetadas pela seca.
O Rio Meia Ponte, principal fonte de abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia, já apresenta tendência de queda em decorrência do início da estiagem. Segundo o boletim, em alguns pontos monitorados os níveis estão abaixo da mediana histórica para esta época do ano. Em Itumbiara, o rio também registra redução e se aproxima do limite inferior da faixa considerada normal.
O Rio Araguaia, monitorado em Aragarças, Aruanã e Nova Crixás, permanece dentro da normalidade, porém com tendência de diminuição gradual dos níveis e aproximação do limite inferior esperado para o período.
Situação semelhante é observada no Rio Vermelho, na Cidade de Goiás, onde os níveis continuam dentro da faixa histórica, mas próximos dos limites inferiores em alguns trechos monitorados. O Rio Uru, em Uruana, e o Rio Paranã, em Flores de Goiás e Nova Roma, também permanecem dentro da normalidade, embora apresentem oscilações típicas do início da estação seca.
Alguns rios ainda apresentam níveis acima da média histórica
Apesar da tendência geral de redução, alguns mananciais seguem em situação confortável.
O Rio Saia Velha, em Valparaíso de Goiás, mantém níveis acima da mediana histórica e da faixa de normalidade esperada para esta época do ano. Segundo o Cimehgo, o curso d’água apresenta volumes superiores aos registrados nos dois últimos anos e alcança marcas consideradas máximas históricas para o período.
O Rio Verde, monitorado em Paraúna e Maurilândia, também segue acima da zona de normalidade, comportamento que contrasta com a tendência observada em grande parte dos rios goianos.
Risco de queimadas ainda é baixo, mas tendência preocupa
O boletim indica que, para esta quarta-feira, nenhum dos 246 municípios goianos apresenta condições críticas para incêndios associadas ao chamado “Fator 30-30-30”, metodologia utilizada para identificar ambientes favoráveis à propagação do fogo.
O indicador considera três variáveis: temperaturas acima de 30°C, umidade relativa do ar abaixo de 30% e ventos moderados ou fortes. Quando esses fatores ocorrem simultaneamente, o risco de incêndios florestais e urbanos aumenta significativamente.
Embora não haja municípios classificados como críticos neste momento, os mapas do Cimehgo já mostram áreas do Sul e Sudoeste do estado com risco crescente de queimadas à medida que a estiagem avança.
Inverno começa em dez dias e deve agravar cenário
A chegada oficial do inverno, prevista para o próximo dia 20 de junho, tende a reforçar as características do período seco em Goiás. Historicamente, os meses de junho, julho e agosto concentram os menores índices de chuva do ano e registram os menores níveis de umidade relativa do ar.
Com mais de dois meses sem precipitações em algumas regiões, queda gradual dos níveis dos rios e previsão de ar seco em praticamente todo o território goiano, o estado inicia a fase mais crítica da estiagem de 2026. O cenário reforça a necessidade de uso racional da água, prevenção contra queimadas e cuidados redobrados com a saúde, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Leia também: Data mais lucrativa do ano: Dia dos Namorados deve elevar faturamento de bares e restaurantes em até 50% em Goiás



