Começaram nesta segunda-feira, 17, as alegações iniciais do julgamento de Duane “Keffe D” Davis, de 63 anos, acusado de orquestrar o assassinato do rapper Tupac Shakur. O caso é julgado em Las Vegas, quase 30 anos depois da morte do artista, e pode colocar fim a um dos crimes mais conhecidos e duradouros da história do hip-hop.

Davis é acusado de homicídio com uso de arma letal e se declarou inocente. A acusação, porém, não afirma que ele tenha sido o responsável pelos disparos que mataram Tupac. Segundo os promotores, ele teria planejado e coordenado o ataque após uma briga envolvendo seu sobrinho, Orlando Anderson, e integrantes da comitiva do rapper.

Durante a abertura do julgamento, a promotoria classificou o assassinato como um “ato de vingança”. A tese é que Davis teria liderado o grupo que estava em um Cadillac branco e fornecido a arma usada no ataque. O autor dos disparos nunca foi oficialmente identificado e os outros homens que, segundo a acusação, estavam no carro já morreram.

O processo deve durar várias semanas e terá dezenas de testemunhas. A promotoria pretende apresentar entre 35 e 45 testemunhas, enquanto a defesa deve ter uma participação menor. Entre os nomes que podem aparecer no julgamento está Marion “Suge” Knight, que estava no carro com Tupac no momento do ataque.

Confissões e mudança de versão

Um dos principais elementos da acusação são declarações feitas pelo próprio Davis ao longo dos anos. O caso voltou a ganhar força depois que ele passou a falar publicamente sobre sua suposta participação no assassinato.

Davis também publicou, em 2019, o livro Compton Street Legend, no qual descreveu sua versão dos acontecimentos. Segundo a promotoria, as declarações feitas por ele ajudaram a reabrir o interesse das autoridades pelo caso e contribuíram para a acusação formal apresentada anos depois.

A defesa, por outro lado, sustenta que o livro exagerou ou inventou acontecimentos para gerar dinheiro. Os advogados também questionam a existência de provas diretas que demonstrem que Davis ordenou o assassinato. O réu afirma atualmente que suas declarações anteriores não devem ser interpretadas como uma confissão verdadeira.

Davis é o único acusado vivo a responder judicialmente pelo crime. A acusação sustenta que, mesmo sem ter efetuado os disparos, ele pode ser responsabilizado por ter participado da organização do ataque.

O que aconteceu antes do assassinato

A investigação aponta que o crime teria sido motivado por uma briga ocorrida poucas horas antes do tiroteio. Na noite de 7 de setembro de 1996, Tupac estava em Las Vegas para acompanhar a luta entre Mike Tyson e Bruce Seldon.

Após o combate, Tupac e integrantes de sua comitiva se envolveram em uma briga no saguão do MGM Grand. Orlando Anderson, sobrinho de Davis e integrante da gangue South Side Compton Crips, foi identificado como um dos envolvidos no confronto.

Horas depois, Tupac seguia como passageiro em um BMW preto dirigido por Suge Knight. Quando o veículo parou em um cruzamento, um Cadillac branco se aproximou e os ocupantes abriram fogo contra o carro. Tupac foi atingido por vários disparos, enquanto Knight sofreu um ferimento superficial na cabeça.

Carro do rapper | Foto: Reprodução

A partir daquele momento, começou uma investigação que permaneceu sem uma acusação formal durante quase três décadas. A prisão de Davis só ocorreu em 2023, depois que declarações públicas dele passaram a ser usadas pelas autoridades na investigação.

Como e quando Tupac morreu

Tupac Amaru Shakur tinha 25 anos quando foi baleado. O ataque aconteceu na noite de 7 de setembro de 1996, em Las Vegas, depois de ele assistir à luta de Mike Tyson. O rapper estava no banco do passageiro do carro de Suge Knight quando um Cadillac branco parou ao lado e os ocupantes dispararam contra o veículo.

Tupac foi atingido por quatro tiros e levado ao University Medical Center of Southern Nevada. Ele passou por cirurgia e permaneceu internado em estado grave. Nos dias seguintes, seu quadro chegou a apresentar sinais de melhora, mas ele não resistiu aos ferimentos.

Tupac morreu em 13 de setembro de 1996, seis dias depois do tiroteio, em decorrência dos ferimentos provocados pelos disparos. Ele tinha 25 anos.

O assassinato permaneceu sem solução por décadas. A morte de Tupac também ficou ligada à rivalidade entre diferentes grupos e cenas do hip-hop americano nos anos 1990. Seis meses depois, Christopher Wallace, o rapper conhecido como The Notorious B.I.G., também foi assassinado em Los Angeles. Até hoje, o caso de Wallace permanece sem uma condenação.

Agora, quase 30 anos após a morte de Tupac, o julgamento de Davis retoma as circunstâncias daquele ataque e pode esclarecer uma das principais perguntas que permanecem sobre o crime: quem planejou o assassinato e qual foi exatamente o papel de cada integrante do grupo que atacou o rapper.

Foto: Raymond Boyd/Getty Images

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